Por Tiago Salazar
O Corinthians avançou nas conversas com a Caixa Econômica Federal em busca de uma solução para a dívida da Neo Química Arena. Representantes do clube estão em Brasília nesta semana e participaram de reuniões para discutir alternativas visando equacionar o débito referente ao estádio.
As conversas começaram na terça-feira e tiveram continuidade nesta quarta. Internamente, conforme apurou a Gazeta Esportiva, a avaliação é de que as tratativas foram produtivas, embora ainda não exista um acordo fechado. A expectativa é que uma definição mais concreta sobre os próximos passos ocorra a partir da próxima semana.
A comitiva alvinegra que viajou a Brasília conta com o presidente Osmar Stabile e Pedro Soares, diretor de Negócios Jurídicos do clube. Rubens Gomes, o Rubão, também participa das conversas em Brasília. Ex-diretor de futebol do Corinthians, ele não ocupa atualmente um cargo na gestão, mas é próximo de Stabile, possui influência nos bastidores do Parque São Jorge e boa relação com integrantes do PT (Partido dos Trabalhadores), partido de Luiz Inácio Lula da Silva, atual Presidente da República.
(Foto: José Manoel Idalgo/Corinthians)
Neste momento, Corinthians e Caixa analisam dois modelos para tentar encontrar uma solução para a dívida. A intenção do clube é conseguir uma redução do valor devido e, a partir disso, estabelecer uma nova estrutura de pagamento. Os detalhes das duas alternativas discutidas são mantidos sob sigilo.
A possibilidade de a Neo Química Arena estar totalmente quitada, porém, não é considerada nas tratativas. Essa hipótese ganhou força recentemente após um novo levantamento sobre os cálculos da dívida, realizado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco, mas não foi abordada nas reuniões em Brasília.
Naming rights entram na negociação
Um dos principais trunfos do Corinthians para tentar viabilizar um novo acordo são os naming rights da Neo Química Arena. O clube contratou um estudo para atualizar o valor de mercado do estádio e recebeu uma avaliação de aproximadamente R$ 70 milhões por temporada.
O Corinthians ainda não tem em mãos uma proposta desse patamar. O estudo serve como uma referência sobre quanto os direitos de nome do estádio poderiam valer atualmente e abriu novas possibilidades para a diretoria nas conversas com a Caixa.
A diretoria alvinegra trabalha no mercado para aumentar significativamente a receita obtida com os naming rights e já mantém contatos com empresas interessadas. A ideia é que um eventual novo contrato possa fazer parte da estrutura de renegociação da dívida.
Um dos cenários estudados é utilizar o contrato de naming rights como garantia para a Caixa. Dessa maneira, a receita proveniente do acordo poderia ser direcionada ao pagamento do débito durante determinado período.
A operação permitiria ao Corinthians, em contrapartida, recuperar outras receitas geradas pela Neo Química Arena que atualmente estão comprometidas com a dívida. Após o pagamento do valor renegociado, o clube também voltaria a contar integralmente com a receita dos naming rights.
Estudo de perito não foi abordado
Um ponto debatido recentemente nos bastidores do Corinthians foi o levantamento produzido pelo perito Anísio Castelo Branco, que apontou divergências nos valores relacionados à dívida da Neo Química Arena. O estudo, porém, não foi levado pela comitiva corintiana para as reuniões com a Caixa e não serviu de base para a negociação em Brasília.
Em vez de buscar o reconhecimento de que o estádio já estaria quitado, o Corinthians tenta chegar a um novo cálculo e a um modelo de pagamento considerado viável para o clube.
As partes seguem as tratativas em busca de um acordo. O clima após os primeiros encontros é de otimismo entre os representantes do Corinthians, que esperam avançar nas negociações e ter novidades sobre o futuro da dívida da Neo Química Arena na próxima semana.
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