O Conselho Deliberativo do Santos dará continuidade, na próxima segunda-feira, à votação da reforma do Estatuto Social do clube. A informação foi apurada pela Gazeta Esportiva. O processo começou em maio, mas ainda não foi concluído e envolve mudanças importantes na estrutura política e administrativa do Peixe, além das regras para uma eventual Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A sessão faz parte da reunião extraordinária iniciada em 18 de maio e mantida em caráter permanente pelo Conselho Deliberativo justamente para permitir a análise das propostas de alteração do Estatuto e das emendas apresentadas pelos conselheiros. Desde então, a votação foi dividida em diferentes encontros.
A reunião do dia 21 não tem relação com a sessão realizada na última segunda-feira (14), destinada à apresentação das contas referentes ao segundo trimestre de 2026. Também é diferente do encontro extraordinário de 24 de agosto, adiado após divergências sobre a disponibilização de documentos e que tinha como objetivo cobrar esclarecimentos da gestão sobre as situações financeira e esportiva do Santos.
O que já foi votado?
Um dos pontos de maior impacto já passou pelo Conselho: a mudança nas regras para uma eventual SAF. Em maio, os conselheiros aprovaram ampliar de 49% para até 80% o limite de participação que poderá ficar nas mãos de um investidor. Dessa forma, o clube associativo deverá preservar ao menos 20% em uma eventual operação.
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— Santos FC (@SantosFC) September 17, 2026
A proposta inicialmente discutida previa a possibilidade de o investidor adquirir até 90%, mas o percentual aprovado pelo Conselho ficou em 80%. A Comissão do Estatuto contou com o advogado Rodrigo Monteiro de Castro, um dos autores da Lei da SAF, para auxiliar na revisão jurídica desse capítulo.
A discussão ganhou ainda mais importância nos últimos meses com o avanço das tratativas entre Santos e SDC Sports. As partes já assinaram um term sheet não vinculante, que estabelece as bases para que a empresa adquira uma participação acionária de controle em uma futura Santos SAF. No início de setembro, representantes do grupo também participaram de uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para se apresentar aos conselheiros e explicar o projeto e os motivos do interesse no clube.
A assinatura do documento, porém, não significa que a operação esteja concluída. O processo ainda depende das alterações estatutárias, das aprovações dos órgãos internos do Santos, da conclusão da diligência confirmatória e da assinatura da documentação definitiva.
Dessa forma, a votação do novo Estatuto é uma das etapas necessárias para permitir o avanço de uma eventual SAF, mas não representa a aprovação da operação com a SDC Sports nem a transformação automática do Santos em SAF. Uma eventual mudança no modelo societário ainda terá de cumprir as demais etapas previstas.
Por que a votação está demorando?
O tamanho da reforma ajuda a explicar a divisão em diversas sessões. O texto levado ao Conselho possui 105 artigos, além de 89 emendas que entraram em análise. Desde a convocação inicial, a própria Mesa do Conselho determinou que a sessão permaneceria aberta para que a apreciação pudesse continuar em outras datas.
Depois do encontro inicial de 18 de maio, o Conselho voltou a analisar o Estatuto em outras oportunidades. Há registros oficiais, por exemplo, de continuações da mesma sessão extraordinária em 2 e 8 de junho.
A votação também foi acompanhada por manifestações de torcedores na Vila Belmiro, principalmente em razão das mudanças envolvendo a SAF e das propostas relacionadas às regras para candidatura à Presidência.
O que acontece depois?
A reunião de segunda-feira representa mais uma etapa desse processo. Os conselheiros voltarão a apreciar as alterações estatutárias ainda pendentes, dando sequência ao trabalho iniciado há quatro meses.
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Mesmo depois de concluída a análise no Conselho Deliberativo, o processo não termina. O novo texto terá de ser levado aos associados para ratificação em Assembleia Geral. Portanto, as alterações aprovadas pelos conselheiros ainda não significam a entrada imediata em vigor do novo Estatuto.
A retomada ocorre justamente em um momento no qual a discussão sobre o modelo societário ganhou espaço nos bastidores do Santos. Por isso, embora a reforma trate de diferentes aspectos da vida institucional do clube, sua conclusão também é uma etapa necessária para que uma eventual proposta de SAF possa avançar pelos órgãos internos do Peixe.