Coutinho expõe bastidores de saída do Vasco e explica escolha pelo Santos

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(Foto: Raul Baretta/ Santos)

Apresentado pelo Santos nesta segunda-feira, Philippe Coutinho abriu o jogo sobre o conturbado fim de sua passagem pelo Vasco e explicou os motivos que o fizeram aceitar o convite do Peixe. O meio-campista revelou detalhes do esforço que fez para retornar ao clube carioca, falou sobre o impacto das críticas que recebeu em São Januário e afirmou que precisou se afastar do futebol para priorizar sua saúde.

Coutinho contou que, quando decidiu retornar ao Vasco, ainda tinha um ano de contrato no futebol do Catar, onde, segundo ele, receberia U$ 10 milhões. O jogador afirmou que abriu mão do salário e de outros valores que tinha a receber para viabilizar a volta sem gerar custos de transferência ao clube que o revelou.

“Para mim, o Vasco sempre foi a minha casa. Eu joguei a base toda e o futebol profissional, então sempre deixei claro para todo mundo o carinho, a gratidão e o amor que tenho pelo clube. Quando surgiu a possibilidade de vir para o Vasco, eu ainda tinha um ano de contrato no Catar, onde ganhava U$ 10 milhões líquidos. Queria deixar claro isso para as pessoas entenderem. Nunca falei sobre isso, talvez pelo meu jeito”, disse.


“Eu não queria que o Vasco gastasse um centavo em uma transferência minha, em uma compra ou em uma cessão por empréstimo. Isso era prioridade para mim. E a única forma de isso acontecer era abrir mão disso tudo, do meu salário de um ano e dos valores que eu tinha para receber também. Deixei tudo na mesa e vim, porque a minha vinda ao Vasco sempre foi por carinho, respeito e amor ao clube”, acrescentou.

O meia também revelou que sonhava em conquistar um título e se tornar ídolo do Vasco. O cenário, porém, mudou. Coutinho relatou que sofreu especialmente com a reação dos torcedores nos últimos jogos em São Januário.

“Eu queria muito ganhar uma taça com o Vasco. Ganhei inúmeros títulos fora do Brasil e vim com essa mentalidade de ser campeão com o Vasco, ganhar títulos e talvez me tornar um ídolo. Mas, infelizmente, isso não foi possível. [...] Nos últimos jogos em São Januário, eu sei que muita gente diz: ‘Ah, foram algumas vaias’, mas quem estava lá sabe. O estádio inteiro gritando meu nome, me xingando, pedindo a minha saída. Aquilo foi muito duro”, desabafou.

“Eu estava no meu limite”

Coutinho afirmou que uma sequência de acontecimentos o levou a tomar uma das decisões mais difíceis de sua carreira. O jogador optou por interromper sua trajetória no Vasco e se afastar temporariamente dos gramados.

“Depois disso, tive que tomar essa decisão, que é a mais difícil da minha vida, para priorizar minha saúde e meus familiares. Eu sabia das consequências, mas fui totalmente honesto comigo, honesto com meus sentimentos. Em nenhum momento abandonei o Vasco, em nenhum momento. Eu apenas estava no meu limite e, daquela forma, com certeza não conseguiria contribuir com nada, não conseguiria ajudar em nada.”


O período longe do futebol, segundo o reforço santista, serviu para reorganizar a vida e recuperar o prazer pela profissão.

“Foi um momento bem delicado. Uma das decisões mais difíceis que tive que tomar na minha carreira e na minha vida. Mas eu precisava priorizar minha saúde. Tive esse tempo fora do futebol, que me fez pensar muita coisa, repensar muita coisa, me conectar com as coisas simples da vida. Isso me fortaleceu e hoje me sinto forte e preparado para estar de volta ao futebol.”

Coutinho confirmou ainda que procurou ajuda profissional e destacou o suporte recebido da esposa, dos filhos, familiares e amigos próximos durante o período.

Neymar teve papel importante na escolha pelo Santos

O meia, anunciado com a camisa 19, recebeu a 11 das mãoes de Rony. O atleta revelou que recebeu diversos convites de clubes brasileiros durante o período em que esteve afastado, mas evitou abrir negociações por respeito ao Vasco. O cenário mudou quando apareceu a possibilidade de defender o Santos.

Neymar teve participação direta nesse processo. Amigo de Coutinho desde os tempos de Seleção Brasileira, o camisa 10 procurou o meia pela primeira vez logo após sua saída do Vasco.

“Foi a primeira pessoa relacionada ao futebol que me mandou mensagem quando eu saí do Vasco. No dia seguinte, ele tinha me mandado mensagem. Naquele momento falei: ‘Seria um prazer jogar com você, mas para mim não dá. Nesse momento, não tem como’. Passaram alguns meses, ele voltou a falar comigo e minha resposta foi a mesma.”

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A insistência teve um novo capítulo recentemente. Desta vez, Coutinho decidiu reconsiderar.

“Nas últimas duas semanas, ele mandou outra mensagem. Aí eu parei, pensei, repensei. Eu tinha vontade de voltar a jogar. Pensei: ‘Por que não? Qual o problema? Estou indo para um grande clube, um clube que é de outra cidade. Qual o problema disso?’. Seria injusto comigo eu não poder voltar a trabalhar, não poder voltar a jogar bola. Então foi aí que decidi.”

O jogador também explicou que o fato de se tratar do Santos pesou mais do que a situação esportiva do clube ou qualquer outro fator.

“Recebi inúmeros convites de dentro do Brasil. Em nenhum momento quis abrir conversa, por respeitar a instituição em que eu jogava, mas para cá era uma situação diferente. Eu não poderia ser injusto comigo e deixar de ter essa oportunidade de voltar ao futebol por conta de outras pessoas", concluiu.

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