MP volta a arquivar inquérito que apurava suspeita de milícia digital no Corinthians

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(Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians)

Por Tiago Salazar e André Costa

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) voltou a determinar o arquivamento do inquérito que investigava uma suspeita de milícia digital no Corinthians.

A decisão foi proferida na última sexta-feira, dia 28 de agosto, pelo promotor Marcio Takeshi Nakada, da 3ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital. A informação foi publicada inicialmente pelo portal Meu Timão e confirmada pela Gazeta Esportiva.

A abertura da investigação, revelada pela Gazeta Esportiva em agosto de 2024, foi motivada por relatos apresentados por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians. Na época, em meio à forte disputa política com o ex-presidente Augusto Melo, Tuma alegou ter sido vítima de ameaças, perseguições e ofensas nas redes sociais.

O procedimento já havia sido arquivado anteriormente por falta de elementos que justificassem o prosseguimento das apurações. No entanto, Romeu Tuma Júnior solicitou novas diligências, incluindo pedidos de quebra de sigilo e obtenção de informações junto a plataformas digitais.

Após reavaliar o caso, o Ministério Público entendeu que não surgiram provas capazes de relacionar os perfis investigados a eventuais crimes ou ao suposto vazamento de informações sigilosas. O promotor responsável também considerou não haver justificativa para autorizar quebras de sigilo telefônico, telemático, fiscal ou bancário dos envolvidos.

Além disso, a Promotoria concluiu que a investigação não reuniu evidências suficientes para sustentar a existência de associação criminosa ou organização criminosa relacionada aos fatos denunciados. Com isso, o inquérito foi novamente arquivado.

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O que dizem os envolvidos?

A Gazeta Esportiva entrou em contato com Romeu Tuma Júnior. O presidente do Conselho do Corinthians preferiu não entrar em detalhes em razão de o caso tramitar em segredo de justiça, mas avisou que irá recorrer da decisão junto à Procuradoria de Justiça.

A reportagem também procurou o advogado Caio César Domingues de Almeida, que representa Fábio Moreira Macedo, responsável pelo Blog do Macedo, além de Cássio Gomes Pereira e Luiz Carlos Martucci Junior, donos dos perfis Teleco e Mala, respectivamente, também citados na investigação. A defesa voltou a negar as acusações e disse acreditar que a "justiça foi feita". Veja abaixo o posicionamento:

"Não há absolutamente nenhum indício, ainda que mínimo, de que exista uma milícia digital. As acusações de que Macedo, Teleco e Mala praticaram os crimes de ameaça, perseguição, fraude processual ou associação criminosa são absolutamente infundadas, tal como reconhecido, em duas oportunidades, pelo próprio Ministério Público do Estado de São Paulo.

Providências cíveis e criminais serão tomadas contra todos aqueles que levianamente os acusaram.

A vítima tem direito de requerer à Procuradoria de Justiça a revisão do posicionamento do Ministério Público de primeiro grau (art. 28, parágrafo 1º, CPP).

Contudo, a defesa está convicta de que o arquivamento é medida impositiva, na medida em que inexiste justa causa para o prosseguimento da investigação. Isto posto, esperamos que o posicionamento da Procuradoria seja o mesmo do Promotor que oficiou na causa.

A defesa repudia todas as falsas acusações perpetradas durante os últimos dois anos e acredita que a justiça foi feita."

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