O zagueiro Marquinhos contou detalhes do abraço e da conversa com Gabriel Magalhães após a final da Champions League, disputada no último fim de semana. O defensor do Arsenal perdeu o pênalti decisivo para o Arsenal, levando ao título do Paris Saint-Germain. Marquinhos, que corria para comemorar com os companheiros, parou imediatamente para dar um abraço e consolar o companheiro de Seleção.
Marquinhos sentiu na pele o que é perder um pênalti decisivo na Copa do Mundo de 2022, quando desperdiçou a última penalidade na eliminação do Brasil para a Croácia nas quartas de final. No último domingo, reviveu o cenário na figura de Gabriel Magalhães e, rapidamente, tirou um momento para amparar o compatriota.
"Ali eu estava pronto para celebrar, mas quando eu começo, em tenho essa imagem do Gabi de frente para mim e meu time passando por ele. A mesma imagem que eu tenho quando falhei na Copa de 2022. Nesse momento, me reverti a pensar no meu companheiro, ter um pouco de empatia com ele, assim como eu vivi um momento assim e sei o peso que é, a responsabilidade que é, que faz parte da nossa carreira. Com os dias passando, os jogos passando, conseguimos digerir um pouco melhor e essa cicatriz se torna uma motivação para a gente seguir trabalhando. Mas naquele momento, é um momento muito difícil, principalmente onde temos total esperança de acertar aquele pênalti", comentou Marquinhos.
"Vivemos o mesmo momento ali talvez, não sei a dimensão que foi para o Gabi, mas pra mim foi difícil. Gostaria de ter recebido um abraço naquele momento, então eu simplesmente deixei cinco minutos da minha comemoração para dar um abraço e falar pra ele ficar firme, levantar a cabeça, que ele tinha feito uma temporada incrível. Foi o melhor zagueiro do mundo nessa temporada na minha opinião e não merecia levar esse peso para ele. Nada daquele momento ia apagar a temporada maravilhosa que ele fez, e que ítamos precisar muito dele aqui. É um jogador muito importante para nós", prosseguiu.
(Foto: Reprodução/TNT Sports)
Marquinhos também revelou se Gabriel Magalhães chegou a comentar sobre o vice do Arsenal e o pênalti perdido na concentração da Seleção, mas descreveu o sentimento de orgulho em ver a repercussão que a simples atitude com o companheiro tomou. Os dois, junto de Gabriel Martinelli, se apresentaram à delegação na última terça-feira e já trabalharam em campo, em atividade descrita pelo zagueiro como "super boa".
"Como ele está se sentindo, não cabe a mim falar, é muito particular de cada um. Posso falar do que eu senti, uma responsabilidade muito grande. Hoje, é uma cicatriz que levo junto comigo e já foi superada. Um dia depois, recebi uma mensagem dele agradecendo por aquele momento, pelo apoio, pelas palavras. Eu respondi que aquilo tinha sido a minha maior vitória naquela noite, foi muito legal a repercussão que teve, ver a minha mãe orgulhosa, a família. Isso foi o melhor título que tive ali. Quanto ao Gabi, nós jogadores temos que passar para o seguinte já muito rápido, não temos tempo de seguir naquilo que já aconteceu", explicou.
"No meu clube, consegui ganhar, mas não posso ficar festejando esse título para sempre, já estou pensando em outras coisas, na ambição que tenho com a Seleção. E ele também. Em uma final, acontecem coisas que são detalhes, e ele já está aqui pensando em outras coisas. Ontem, fez um treino super bom, já esteve bem, nada de ruim aconteceu. E que a gente siga juntos. Estamos aqui agora, somos do mesmo time, e estamos com o mesmo objetivo. O que passou passou, são histórias e experiências para levar", acrescentou Marquinhos.
Marquinhos celebra liderança e se vê mais maduro
Dias antes do amistoso contra o Panamá, o técnico Carlo Ancelotti confirmou que Marquinhos seria o capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. O zagueiro, que capitaneou o PSG na conquista da Champions League, valorizou o status e entende que chega muito mais maduro para o Mundial de 2026 do que chegou em 2022.
"Chego muito feliz, muito confiante com o momento que vivo pessoalmente, com a expectativa de mais uma Copa do Mundo, mais uma oportunidade. Vivo esse momento cada vez mais como se fosse meu último jogo, uma Copa, minha última oportunidade de conquistar cada vez mais troféus na minha carreira. O Marquinhos de 2022 é diferente desse de hoje. Quatro anos no futebol é muita coisa, o quanto muda, o quanto o futebol evolui, amadurece. Temos que estar sempre buscando esse constante crescimento pessoal, como líder, e depois como jogador. O dia que o mister anunciou que eu seria capitão foi quase no dia da final da Champions, evitei muito o celular, estava tranquilizando minha mente para esse jogo. Fiquei muito feliz com essa notícia", celebrou o jogador.
"Ser capitão da Seleção em uma Copa, vemos todos aqueles lendários que passaram por esse momento, fico muito honrado. Ser capitão não é só colocar a braçadeira e jogar bola, é muito mais. Vem primeiro da pessoa, do que você pode agregar como pessoa, quanto a esse momento fora das quatro linhas, estar muito sensível durante esse período. Nesse momento, me sinto muito mais preparado do que em 2022, com a experiência desses quatro anos. Trago muita bagagem para entregar o melhor para a Seleção Brasileira", continuou.
Dos gramados do Brasil para o mundo. 🌎🇧🇷
Paulo Sérgio foi talento, velocidade e entrega em uma geração que conquistou o tetracampeonato mundial.
Parabéns, craque! 🎉
Obrigado por fazer parte da história da Seleção Brasileira. 💛💚 pic.twitter.com/1q1qwWxeje
— brasil (@CBF_Futebol) June 2, 2026
O Brasil chegará à Copa do Mundo após um ciclo conturbado, diferente da calmaria e da confiança apresentadas em 2022. A Canarinho viveu uma era de instabilidade depois do Mundial do Catar, com uma mudança na presidência da CBF e trocas constantes de treinador no comando do Brasil, com nomes como Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, até a contratação de Ancelotti, em maio de 2025.
"É difícil a gente comparar momentos, times, preparações. O futebol vem me mostrando cada vez mais que não existe uma fórmula secreta do sucesso. Existem muitos caminhos que podemos chegar ao sucesso, e o futebol vem mostrando que é um jogo coletivo, onde precisamos muito de todos os jogadores, de todos estarem bem fisicamente, mentalmente. É isso que estamos focando. Vejo muito também algumas declarações de antigos campeões, reportagens, que fizeram parte de ciclos que não conseguiram ganhar, e depois fizeram parte de ciclos vencedores, isso pode ser uma expeirência positiva, ter alguns jogadores que vivem momentos ruins, e trazer essa experiência e motivação para os que estão vivendo uma Copa pela primeira vez", analisou o zagueiro, que vai para sua terceira Copa.
"Nós, que sabemos a dor que é, e trazer um pouco dessa experiência para os que irão disputar pela primeira vez. É muito difícil se comparar. Chegamos muito bem nas outras Copas, com grandes expectativas, e não conseguimos. Esse momento é muito distinto dos que vivemos, mas o futebol te entrega surpresas. As últimas campeãs mostraram que souberam crescer nos momentos importantes da competição. No meu clube, também começamos a Champions não tão bem, mas acabamos sendo campeões. No futebol não tem como saber quem vai ser campeão. O importante não é como se começa, mas como vamos conseguir terminar essa competição", concluiu.
A Seleção Brasileira está no Grupo C da Copa do Mundo, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. As duas melhores seleções de cada chave avançam ao mata-mata, assim como os oito melhores terceiros colocados no geral.
Próximo jogo do Brasil
- Brasil x Egito (amistoso)
- Data e horário: 06/06 (sábado), às 19h (de Brasília)
- Local: Huntington Bank Field, em Cleveland (EUA)