Com um time titular esfacelado devido aos desfalques e com um jogador a menos desde o primeiro tempo, o Palmeiras venceu a Chapecoense por 1 a 0, na tarde do último domingo, na base da superação e, claro, com um tiquinho de sorte - talvez até mesmo aquela que seja a famosa 'sorte de campeão'. O duelo foi disputado no Allianz Parque, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, a última antes da pausa para a Copa do Mundo.
A partida caminhava para um final tranquilo, mas ganhou contornos de muita emoção. Aos 50 minutos, já nos acréscimos, a Chapecoense empatou em chute de Ítalo. No entanto, após olhar o lance no monitor, o árbitro Felipe Fernandes de Lima anotou uma falta de Neto Pessoa em Murilo e anulou o gol. O jogo seguiu e, no apagar das luzes, Khellven cometeu pênalti em Neto Pessoa, identificado também pelo VAR. Bolasie foi para a cobrança, mas acertou o travessão, o que deu a vitória ao Verdão.
Primeiro tempo: Palmeiras inicia bem, mas sente falta de criadores
O Palmeiras chegou à última rodada antes da pausa com muitos desfalques. Ao todo, foram 11 baixas, entre jogadores lesionados, suspensos e convocados para a Copa do Mundo. Com isso, a comissão técnica escalou uma equipe totalmente modificada, com alterações em todos os setores do campo. As principais novidades foram o retorno de Bruno Fuchs, recuperado de lesão, e de Luís Pacheco, cria da Academia que voltou ao time titular. O banco de reservas alviverde foi praticamente composto por garotos da base.
Com as mudanças, o Verdão iniciou a partida num tradicional 4-3-3, com Allan pela ponta direita, Felipe Anderson do lado esquerdo e Luighi centralizado como um 9. Ainda que com uma equipe modificada, o Alviverde não deixou de impor seu estilo de jogo. Começou dominando a posse, trocando passes rápidos e quase abriu o placar com cinco minutos, em lance no qual o goleiro Anderson levou a melhor no cara a cara com Luighi.
O Palmeiras teve amplo domínio da partida nos primeiros minutos, recuperando a bola rapidamente e com todos os jogadores de linha no campo de ataque. No entanto, a falta dos titulares começou a se fazer presente, uma vez que, depois da chance de Luighi, o time não mostrou criatividade. Girou a bola em busca de espaços, mas estava em um ritmo mais lento nas viradas de jogo e na busca por espaço.
Em determinados momentos, o Palmeiras alternava para uma saída com linha de três, com Luís Pacheco recuando para ajudar a progredir com as jogadas. A Chape até tentou algumas subidas, mas parou em erros individuais e também na marcação do Verdão. A impressão que o jogo passava era que, se pressionasse um pouco mais, o Verdão poderia sair à frente no placar. Contudo, isso não aconteceu, e o time continuou na mesma lentidão, praticamente aceitando a proposta de jogo da Chapecoense.
Fato é que, no primeiro tempo, o Palmeiras controlou a posse de bola e se defendeu bem, sem ceder chances de perigo à Chapecoense, mas apresentou um grande problema no ataque sem seus principais criadores: a falta de oportunidades de gol. Os defensores do time rival montaram um bloco baixo, e o Verdão teve dificuldades de construir ataques perigosos, ficando muito dependente das jogadas individuais de Allan, o único que levou perigo no primeiro tempo. E o cenário se complicou ainda mais com a expulsão do próprio Allan na reta final do primeiro tempo.
Segundo tempo: Verdão sua, mas leva os três pontos
Mesmo com um jogador a menos, Abel Ferreira não se acovardou. Pelo contrário, sentiu que poderia ganhar o jogo e fez uma mudança ousada: promoveu a entrada do atacante Riquelme Fillipi no lugar do volante Luís Pacheco. Com a mudança, Felipe Anderson foi deslocado para o lado direito, onde estava Allan, e com Riquelme passando a jogar do lado esquerdo.
A troca surtiu pouco efeito na prática, já que o Verdão, com um homem a menos, seguiu enfrentando dificuldades para criar. Diante da necessidade e da busca pelo gol, o Palmeiras mexeu novamente e trouxe mais poder de fogo ao ataque com a entrada de Paulinho, além de dar fôlego novo para o meio-campo, com Larson substituindo Lucas Evangelista. O Alviverde, mesmo assim, continuou mais em busca do gol que a Chapecoense, ao menos demonstrando querer vencer o duelo.
A Chape passou a rondar um pouco mais a área do Palmeiras, mas o setor defensivo palmeirense fez jus aos status de melhor defesa do campeonato e pouco sofreu. Ofensivamente, o time melhorou com a entrada de Paulinho, e as trocas de Abel enfim fizeram efeito. Na base da superação, com um time esfacelado e com um homem a menos, o Verdão foi buscar a vitória. Marlon Freitas encontrou Felipe Anderson, que enfiou bola para Paulinho. Iluminado, o camisa 10 invadiu a área e bateu cruzado para abrir o placar.
AVANTI! 💚 pic.twitter.com/vBLAdkQjBg
— SE Palmeiras (@Palmeiras) May 31, 2026
Depois dos 30 minutos, a Chapecoense pareceu se dar conta de que precisava fazer mais e promoveu mudanças para buscar o empate. O Palmeiras, por sua vez, se fechou como pôde e não parecia estar com um homem a menos, tamanha a dificuldade da Chape em criar oportunidades. Contudo, nos minutos finais, o time de Chapecó conseguiu empurrar o Verdão para trás.
Foi aos 52 minutos que, em uma sobra de bola, Ítalo fez o gol de empate da Chapecoense. O tento foi anulado por uma falta de Neto Pessoa em Murilo. Já no apagar das luzes, o árbitro assinalou um pênalti para a Chape, que acabou desperdiçado por Bolasie. O Allianz Parque explodiu de alegria, com jogadores e torcida comemorando como se tivessem ganhado uma final. E de fato era. Afinal, caso perdesse, o Palmeiras veria a diferença para o Flamengo diminuir. O Alviverde não fez um jogo brilhante e sofreu com as diversas adversidades, mas se superou e contou com a sorte para sair com o mais importante na bagagem: os três pontos.
"Foi preciso somar três pontos num contexto... em condições normais, esse jogo não deveria ter existido. Foram 11 desfalques entre lesionados, selecionados e castigados. E entrar na fogueira e dar essa resposta, com um jogador a menos, que é extremamente difícil aqui no Brasil, e dar essa resposta... É verdade, demos sorte no final. [...] Conseguimos, nesse contexto de dificuldade e desafio, fazer aquilo que era mais importante. Passar esse ciclo, com um calendário como este e chegar ao final vivos em todas as competições. Não é para todas as equipes", disse Abel Ferreira.
Situação na tabela
Com o resultado, o Palmeiras alcançou os 41 pontos e manteve a vantagem de sete pontos sobre o rival Flamengo, que também venceu na rodada. O Alviverde ainda somou sua terceira vitória consecutiva entre todas as competições, além de ter ampliado a invencibilidade no Brasileiro para 13 jogos.
Próximos jogos do Palmeiras
Coritiba x Palmeiras (19ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: a definir
Local: Estádio Couto Pereira, em Curitiba (PR)
Palmeiras x Atlético-MG (20ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: a definir
Local: Nubank Parque, em São Paulo (SP)