Novo executivo de futebol do Corinthians, Marcelo Paz foi apresentado nesta sexta-feira, no CT Dr. Joaquim Grava. O dirigente falou sobre o momento político conturbado do clube e também sobre a possibilidade de uma eventual transformação em SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
Paz disse que quer distância do ambiente político do Timão. Ele pretende trabalhar apenas na área do futebol, dentro do CT Dr. Joaquim Grava, e deixar a disputa por poder para o Parque São Jorge.
"Aqui a gente está fazendo um trabalho profissional dentro do CT, com o apoio do presidente Osmar. A gente sabe que a política às vezes atrapalha, e eu conto com o apoio da torcida para isso. Quando foi anunciado o meu nome, o que eu mais vi foi o seguinte: 'Deixa ele trabalhar, deixa ele trabalhar, se deixar ele trabalhar vai dar certo'. Então conto com o apoio do torcedor nessa situação de que a gente vai fazer um trabalho profissional para dar alegria para todo o público. Dar alegria para quem é corintiano, independente de qual situação política eu possa estar. Eu quero estar alheio à questão política", afirmou.
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— Corinthians (@Corinthians) January 9, 2026
Lições do Fortaleza
Marcelo Paz traz ao Corinthians aprendizados de sua longa passagem como dirigente do Fortaleza. O executivo disse que não pretende repetir os mesmos erros cometidos no Leão do Pici.
"Logicamente que o fato do rebaixamento lá, houve erros que fazem com que a gente aprenda, cresça e não queira repeti-los. Um erro nunca é individual, principalmente no futebol, ele é coletivo. Eu falei algumas vezes que acho que deveria ter feito uma mudança de perfil de jogadores antes, nem sempre o vencedor tem que continuar, às vezes é a hora de fazer a mudança e a gente não fez a mudança", refletiu.
"O perfil de contratação também não encaixou na primeira janela, foram jogadores que vieram com muita boa vontade, tinham qualidade técnica, mas não encaixou com o modelo do grupo, até que houve uma recuperação. E ao longo do ano o grupo sofreu com problemas políticos também, influência externa, que é tudo que eu não quero aqui", completou.
E a SAF?
O dirigente também foi questionado sobre SAF no Corinthians. Ele apontou pontos positivos e negativos do modelo de gestão, mas evita cravar um caminho correto a ser seguido pelo clube.
"Eu vejo a SAF como uma boa lei. É uma lei que foi criada para permitir que os clubes adotem modelo empresarial. A lei é muito boa, tanto é que muitos times entraram, têm mais de 100 SAFs no Brasil. É um modelo interessante, dá alternativas. Não vou cravar qual é melhor, existem várias formas de ter sucesso. Existem várias formas de fazer gestão", avaliou.
"Pode ser bom como SAF ou associativo, o que vale é a cabeça das pessoas que estão no comando. A desvantagem é, se você tem um dono que não é bom, vai ser muito pior. Tudo isso precisa ser bem amarrado no acordo de investimentos", finalizou.
No momento, uma das alternativas para que o Timão se transforme em SAF é a SAFiel. O projeto, porém, ainda encontra resistência interna no clube.