A lenda jamaicana do atletismo Usain Bolt apostou em Kishane Thompson ou Oblique Seville para vencer o atual campeão Noah Lyles na prova dos 100m no Mundial de Atletismo em Tóquio.
Bolt é 11 vezes campeão mundial, tendo conquistado consecutivos ouros nos 100m, 200m e no revezamento 4x100m de 2009 a 2015 — com exceção da desclassificação por queima de largada nos 100m em 2011.
Hoje com 39 anos, ele se aposentou após o Mundial de 2017 em Londres, onde levou um bronze nos 100m, prova vencida pelo rival norte-americano Justin Gatlin.
Desde então, Gatlin, Christian Coleman, Fred Kerley e Lyles deram aos Estados Unidos a hegemonia nos 100m ao longo das últimas quatro edições do Mundial.
No entanto, Bolt garantiu nesta quinta-feira que isso mudará em Tóquio e que a Jamaica pode sonhar com seu primeiro título mundial nos 100m desde 2015.
“Kishane e Oblique realmente mostraram nesta temporada que estão em altíssimo nível”, disse Bolt.
“Eles deveriam ser 1-2 pelo menos, porque provaram durante o ano que estão no topo e registraram tempos muito rápidos. Agora é só uma questão de execução.”
Thompson foi prata nos 100m nos Jogos Olímpicos de Paris no ano passado, atrás de Lyles, e registrou 9s75 nesta temporada, a melhor marca do mundo em 2025. Já Seville — quarto colocado nos 100m no último Mundial — venceu Lyles duas vezes na distância neste ano.
Bolt acrescentou:
“Estou feliz por ir ao estádio e assistir. Tomara que eu possa entregar a medalha de ouro a um deles!”
Conhecido por sua calma e frieza em meio à intensidade do atletismo de velocidade, Bolt aconselhou Thompson e Seville a “não ouvirem o barulho externo”.
“É só executar, e tudo ficará bem”, disse. “Estou muito confiante de que eles podem conseguir.”
Sobre Lyles
Questionado sobre a personalidade falante de Lyles e seus comentários provocativos contra os jamaicanos em Tóquio, Bolt minimizou as declarações.
“Não acho que Noah seja tão louco quanto Justin (Gatlin)”, disse Bolt, dono também de oito ouros olímpicos. “Para mim, não faz diferença. É como foi com Gatlin: um empurra e puxa ao longo dos anos.”
Segundo ele, Gatlin “era de uma geração diferente, em que o trash talk (provocação) era algo normal”.
“Eu nunca ouvi ninguém”, completou Bolt. “Sempre soube quando estava preparado. Podiam falar o que quisessem, não iam me vencer. Sempre focado e pronto, então isso nunca seria um problema.”
Recorde mundial intacto
Bolt também se mostrou tranquilo quanto ao seu recorde mundial dos 100m (9s58), conquistado no Mundial de Berlim em 2009.
“Não, não estou preocupado”, disse. “Novos atletas vão surgir e terão bons resultados, mas no momento não vejo ninguém capaz de quebrar o recorde, então não me preocupo.”
Ele reconheceu, contudo, que no futuro isso pode mudar:
“Tudo evolui na vida. Tentamos melhorar, correr mais rápido, então é algo esperado. Não será surpresa se acontecer. É só esperar para ver.”
Sonho de família
Por fim, Bolt confessou que gostaria que o recorde fosse superado por alguém da própria família.
“Sempre esperei que um dos meus filhos, meus meninos, fizesse atletismo”, disse. “Mas não sei. Ainda não mostraram talento. Espero que melhorem, vamos ver!”