Chicão foi peça-chave do Corinthians que conquistou o Mundial de Clubes em 16 de dezembro de 2012, há exatos dez anos. Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, o ex-zagueiro destacou a importância da torcida que foi ao Japão e relembrou a atuação da equipe diante do Chelsea na final.
“Há muitas memórias, principalmente por ser o último clube sul-americano a conquistar um Mundial. Toda aquela trajetória, de sair do CT, a invasão dos torcedores no aeroporto, acompanhando o ônibus, a nossa chegada, a recepção, fora o campo, a semifinal, a final... sentimento de dever cumprido, de estar no clube no momento da reconstrução e depois no ápice”, iniciou o antigo defensor, hoje com 41 anos.
“Sem dúvida nenhuma, nos sentimos em casa. Além de outras coisas, tivemos a motivação da família e dos amigos próximos. Aquela invasão foi uma motivação a mais. Tem história de torcedor que vendeu casa, moto, carro, se endividou para estar lá... um gás a mais. Não dá para duvidar do torcedor corintiano, é diferente”, acrescentou.
O Estádio Internacional de Yokohama contou com 68.275 torcedores naquele domingo, sendo a maioria composta por corintianos. Os brasileiros ditaram o tom das arquibancadas, apoiaram o Timão e, após o apito final, celebraram o título mundial.
Porém, antes de alcançar a decisão, o Corinthians fez jogo duro contra o Al-Ahly, do Egito, e ganhou pelo placar mínimo, com gol de Paolo Guerrero. O Chelsea, por sua vez, passou pelo Monterrey, do México, com maior tranquilidade, após vencer por 3 a 1.
Chicão explicou que os jogadores corintianos haviam acompanhado a semifinal do time londrino. O placar mais elástico, segundo o ex-defensor, jogou a responsabilidade para os ingleses, o que acabou sendo benéfico aos brasileiros.
“Nós fomos assistir ao jogo do Chelsea. Ganhou de 3 a 1 sem fazer muita força, diferente do Corinthians, que foi um jogo difícil, truncado. A responsabilidade, transferimos para eles [Chelsea]. Jogamos muito leve. Você entra sabendo que pode, são 11 contra 11”, explicou.
“Tem o lance que é muito marcado, que é a primeira bola. Chegou no Hazard um pouco mais firme, mas na bola, você transmite para o torcedor e para o companheiro que quer vencer. Eles também perceberam isso. Tanto que o nosso gol, algumas pessoas não comentaram, todo mundo tocou na bola, não foi um contra-ataque. Tentaram inventar que criaram o gol, mas foi construção de um time bem-treinado”, concluiu.
Chicão permaneceu no Corinthians após o Mundial e se transferiu para o Flamengo no segundo semestre de 2013. Dois anos mais tarde, atuou pelo Bahia antes de se aposentar no Delhi Dynamos, da Índia, no fim de 2015.