A trajetória do atacante Adriano Imperador no futebol foi repleta de polêmicas e fases conturbadas. O jogador interrompeu sua carreira ainda aos 29 anos após problemas pessoais. Em coletiva de imprensa para divulgar documentário sobre sua vida, o Imperador falou sobre sua decisão de parar.
Adriano abordou a forma como o atleta é tratado. Segundo ele, as pessoas ignoram os possíveis problemas pessoais e enxergam apenas o lado esportivo, ao invés do humano. O jogador vivia ótima fase quando, em 2004, perdeu seu pai. O trauma impactou muito o restante de sua carreira.
''As pessoas não veem os jogadores de futebol como pessoas normais. Hoje, o pessoal está mais tranquilo sobre isso. Na minha época, quando começou isso comigo, foi mais pesado. A gente tem que saber compreender uma pessoa, independente se for um atleta ou um trabalhador normal, cada um passa pela sua dificuldade, ainda mais com a grande perda que eu tive'', lembrou.
Após a ótima passagem que teve pela Inter de Milão, Adriano voltou ao Brasil para jogar no São Paulo. A passagem, em 2007, foi curta, mas teve bons números, com 17 gols em 28 jogos. Depois, o jogador, em 2009, foi repatriado pelo Flamengo. Na Gávea, teve grandes atuações e foi campeão brasileiro, liderando a artilharia daquele campeonato, com 19 gols.
Depois, voltou à Itália, desta vez para defender a Roma. Lá, não teve sucesso, sem nenhuma bola na rede. Mais tarde, em 2012, teve uma passagem também muito apagada pelo Corinthians, apenas com três jogos e um gol. Em seguida, ainda em 2012, Adriano deu sua primeira pausa na carreira.
''Naquela época, eu decidi fazer isso tudo porque eu não estava a fim, não estava com a cabeça legal. Eu abri mão de muito dinheiro e nem por isso eu falei 'que se dane, quero ficar aqui mesmo assim'. Isso é errado. Pela educação que a minha família me deu, está totalmente errado. As pessoas têm que ver mais o lado humano e menos o esportivo'', disse.
Fora dos gramados desde novembro de 2012, Adriano voltou a jogar em janeiro de 2014, desta vez no Athletico-PR. A passagem foi de apenas quatro jogos e um gol marcado. Após deixar o Furacão, ainda em 2014, ficou até janeiro de 2016 sem clube, até assinar com o Miami United, onde, em janeiro do mesmo ano, enfim se aposentou.
''Quando eu parei de jogar, foi uma decisão que eu realmente quis tomar. Eu não estava mais com a cabeça focada no futebol. Logo quando eu voltei da Roma, eu vim para o Corinthians e meu tendão rompeu no primeiro treino. Eu já vinha de uma tristeza antes por causa do meu pai. Eu vi que, naquele momento, quando eu ficava triste, eu me desligava. Então, eu falei 'é melhor eu deixar de lado, deixar o futebol'. É uma tristeza não só para mim, mas para todos os brasileiros. Eu era considerado um dos melhores atacantes, com certeza não foi fácil. Mas foi uma escolha que, naquele momento, eu achei necessária. Eu não estava com a cabeça focada no futebol e decidi me afastar'', lembrou.