Por Rodrigo França e Leo Marson
É uma máxima do esporte em geral: jogando em casa, a vitória é quase uma obrigação. A torcida sempre espera um desempenho melhor quando um time ou atleta compete em seus domínios, e na Fórmula 1 não é diferente. Mas, nem sempre a vitória vem, como foi o caso do Grande Prêmio da Áustria, disputado neste domingo (10) no Red Bull Ring, a “casa” da Red Bull, que teve de engolir uma vitória de Charles Leclerc, da Ferrari.
A “Orange Army”, grupo de holandeses que torcem por Max Verstappen, compareceu em peso ao circuito localizado em Spielberg, e viu o atual campeão do mundo dominar treinos livres, classificação e corrida Sprint. Mas, no momento mais importante, o líder do campeonato e a Red Bull não foi páreo para Leclerc e sua Ferrari, que saíram com a vitória tendo a torcida contra.
Derrotas em casa, porém, estão muito longe de serem novidade na Fórmula 1. Por isso, a Gazeta Esportiva.com mostra uma lista de equipes e pilotos que tiveram revezes amargos nesta situação. Vamos lá!
GP do Brasil de 2008
Certamente, a derrota em casa mais doída da história da Fórmula 1 ocorreu no GP do Brasil de 2008. Felipe Massa precisava vencer a corrida em Interlagos e contar com, no máximo, o sexto lugar de Lewis Hamilton. A chuva chegou restando quatro voltas para o final, mas não impediu o brasileiro de vencer a prova. Mais do que isso, Hamilton caiu para sexto no penúltimo giro, sendo superado por Sebastian Vettel, então na Toro Rosso.
Interlagos já vibrava com o título de Massa quando Hamilton, na última curva, ultrapassou Timo Glock, que apostou em permanecer com pneus slicks em seu Toyota, e garantiu a quinta posição que lhe rendeu o primeiro de seus sete títulos mundiais, sendo este o único obtido com a McLaren. Massa jamais teria outra chance de se tornar campeão do mundo.
GP da Alemanha de 2018
A temporada de 2018 vinha sendo disputada palmo a palmo por Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, que batalhavam para ver quem seria o primeiro a igualar os cinco títulos de Juan Manuel Fangio. O alemão se aproveitava de uma Ferrari que, pela primeira vez desde 2014, conseguia, de fato, fazer frente para Hamilton e a Mercedes, dominante na era híbrida.
Tudo foi por terra em Hockenheim. Vettel liderava com tranquilidade uma prova tumultuada, mas acertou a barreira de proteção, e viu Hamilton vencer aquela corrida com a Mercedes, que também corria em casa. A partir daí, o alemão jamais voltaria a mostrar com consistência a habilidade dos tempos de seus quatro títulos com a Red Bull, ainda que tenha lampejos desta época ainda hoje, correndo pela fraca Aston Martin.
GP da Alemanha de 2019
Se Vettel foi derrotado em casa um ano antes, desta vez seria a Mercedes a grande derrotada. E com requintes de crueldade: a montadora alemã praticamente bancou a disputa daquele ano em Hockenheim para celebrar os “125 anos da primeira corrida da história” e seu GP de número 200 na F1, tendo uma pintura especial.
Só que na corrida, nada funcionou. Valtteri Bottas abandonou a prova e Lewis Hamilton teve uma de suas piores atuações na carreira, errando por diversas vezes. A vitória ficou com Max Verstappen, enquanto Sebastian Vettel, o derrotado do ano anterior, teve uma das grandes performances da carreira ao sair de último para o segundo lugar.
GP do Brasil de 1990
A Fórmula 1 voltava para um remodelado Interlagos após anos no Rio de Janeiro, com a expectativa de uma vitória inédita no Brasil de Ayrton Senna. O então favorito absoluto dominou os treinos, largou da pole position e liderava de forma tranquila a prova na capital paulista, e só o imponderável lhe tiraria a vitória.
Pois bem, o imponderável aconteceu: o brasileiro danificou a asa dianteira da McLaren em um toque com Satoru Nakajima na 42ª das 71 voltas de prova, e teve que se dirigir aos boxes. Senna ainda se recuperou, mas terminou em terceiro, vendo Alain Prost, da Ferrari, sair com a vitória, a sexta em solo brasileiro e a primeira em Interlagos.
GP da Itália de 1990
Como pau que dá em Chico, dá em Francisco, o troco de Senna em Prost (ou, no caso, na Ferrari) veio em Monza, na 12ª etapa daquele ano. Os tifosi estavam empolgados para uma vitória do francês, e os treinos demonstraram alternância entre o ferrarista e o piloto da McLaren. O brasileiro começou a prevalecer na classificação, ao marcar a pole position.
Na corrida, Senna manteve a ponta por todo o tempo, enquanto Prost, além de não conseguir alcançar o brasileiro, precisou batalhar com Gerhard Berger, o outro piloto da McLaren, que o superou nos metros iniciais, para conseguir terminar com a segunda posição. Certamente, deixando os ferraristas presentes ao Autódromo Nacional de Monza com uma grande dor de cabeça. Detalhe: Senna ganhou a corrida e o carro da vitória, o MP4/5B que hoje está em São Paulo, na sede do Instituto Ayrton Senna
GP da Toscana de 2020
A Ferrari vinha em má fase, mas resolveu celebrar seu milésimo GP na Fórmula 1, disputado no circuito italiano de Mugello, com uma pintura especial, na cor vinho e com diversos detalhes que remetiam a épocas passadas. Mas, se o fator cada animava os ânimos do time de Maranello, a corrida mostrou que o resultado não seria dos melhores.
Quem fez o 1-2 no circuito que é a casa italiana da MotoGP foi a Mercedes, com Lewis Hamilton à frente de Valtteri Bottas. A Ferrari? Viu Charles Leclerc ser o oitavo, e Sebastian Vettel, o décimo.