Andrés interrompeu discurso de Muricy para homenagear aniversariante (Foto:Sergio Barzaghi/Gazeta Press)
Afastado do futebol há cerca de oito meses, desde que foi forçado a deixar o comando do São Paulo para cuidar da diverticulite que desgastava sua saúde, o técnico Muricy Ramalho foi a um encontro da Unefut (União Nacional das Entidades do Futebol Brasileiro), em um hotel de Itu (SP), nesta segunda, para discutir questões pertinentes ao futebol mesmo não vivendo o dia a dia de um clube.
Em meio à discussão, Muricy, que completa 60 anos nesta segunda-feira, 30 de novembro, foi interrompido pela entrada de Andrés Sanchez na sala de reuniões. O superintendente de futebol do Corinthians invadiu o palco e, com um bolo de aniversário na mão, parabenizou o ex-técnico tricolor pelo aniversário.
De volta ao Brasil depois de fazer um intercâmbio na Catalunha, onde conheceu as instalações e a didática de trabalho do Barcelona por intermédio de Neymar, Muricy Ramalho não conseguiu se ausentar dos assuntos ligados ao futebol apesar de se manter longe dos gramados. Seja em programas de debate esportivo na televisão ou no rádio, sempre se fez presente no cenário brasileiro com opiniões contundentes.
Além de mencionar aspectos como o calendário apertado, reclamação repercutida também pelo Bom Senso FC, organização dos atletas, e a dança de técnicos, que só manteve intacto o campeão Tite – responsável por comandar o Timão rumo ao hexa brasileiro -, Muricy atendeu aos questionamentos com relação a seu futuro.
Muricy recebeu felicitações pelos 60 anos também de Rodrigo Caetano, diretor do Fla (Foto:Sergio Barzaghi/Gazeta Press)
Tendo que se adaptar novamente à relação com a imprensa, por mais contraditória que seja, Muricy mostrou ter sentido falta deste convívio. No entanto, não abriu o jogo com relação a seu futuro, mas declarou que tudo já está praticamente acertado para voltar ao cotidiano do futebol em 2016.
A mercê da Justiça – Fora do Santos há cerca de dois anos e meio, Muricy Ramalho segue ligado ao clube, de certa forma, por conta de uma dívida. Assim como tentou fazer na época do Paulistão, no início do ano, o treinador foi à Justiça para bloquear a premiação pela eventual conquista da Copa do Brasil, que pode ser alcançada pelo Peixe nesta quarta.
À época da demissão, o Santos ficou de desembolsar cerca de R$ 481 mil a suas empresas, além de cerca de R$ 2,6 mi diretamente ao treinador à título de rescisão contratual. Porém, deixou de arcar com as últimas cinco parcelas do acordo, contabilizadas em cerca de R$ 260 mil cada.
Assim, Muricy Ramalho espera receber cerca de R$ 1,3 mi na Justiça para se ver livre da dívida. Em decisão na última sexta, a Justiça manteve a ação que Muricy move contra o Santos em trâmite, e é possível que o julgamento do agravo aconteça nos tribunais.
"O que as pessoas têm que entender é que quando saí do Santos eu era muito amigo das pessoas que trabalhavam lá. Fiquei dois anos lá e fiz amigos. O Santos na época não tinha dinheiro para pagar a minha rescisão. Então eu concordei em fazer em dez vezes, mas isso não existe. Foi pago cinco e aí não pagaram mais. É só isso, uma coisa normal envolvendo um clube e um trabalhador. Aí tá na mão da Justiça, não tenho interferência nenhuma nisso", falou.
* especial para Gazeta Esportiva