M. Xavier vê LNF como a mais forte do mundo e deseja treinar a Seleção

André Garda* - São Paulo,SP

02-06-2017 08:58:29

Marquinhos Xavier comandou o Carlos Barbosa (ACBF) ao seu tetracampeonato da Copa Libertadores de Futsal na última semana. Aos 43 anos, ele já foi indicado ao prêmio de melhor técnico de futsal do mundo e já foi eleito o melhor treinador da Liga Nacional de Futsal. Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, o catarinense falou sobre essas premiações e o seu desejo de chegar à Seleção Brasileira.

“Me sinto honrado, porque foi resultado de uma somatória de trabalhos, de uma regularidade e de me manter por muitos anos com equipes competitivas, chegando em finais, disputando. Agora foi meu primeiro título internacional com a ACBF e isso tem um destaque muito grande para a minha carreira profissional, me mantendo entre os melhores do país obviamente. Eu não corro dessa responsabilidade até porque a gente sabe que tem que assumir esse papel com humildade, afirmou Marquinhos, que está entrando sua 12ª temporada como treinador de futsal.

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“(A Seleção) não é um sonho. É um desejo pautado pelo trabalho, pela regularidade. É importante se manter em alto nível, conseguindo disputar títulos para que eu possa ter essa oportunidade algum dia. Não é alguma coisa de sonho apenas por querer e que quando acontece você não estar preparado. É um desejo e, para alcançar isso, eu sei que tenho algumas etapas e vou cumpri-las. Pode demorar, mas não tenho pressa”.

Nome: Marquinhos Xavier

Local de nascimento: Joinville (SC)

Data de nascimento: 3 de abril de 1974

Clube: Carlos Barbosa

Profissão: técnico de futsal e palestrante

Curiosidade: autor do livro "Futsal Início, Meio e Finalidade"

Prêmios: Melhor treinador da Liga Nacional de Futsal em 2010 e 2015

Além disso, o técnico campeão da Liga Nacional de Futsal (LNF) de 2015 ressaltou que o campeonato brasileiro é o mais forte do mundo e deixou claro o motivo pelo qual nos destacamos de ligas como a espanhola e russa, que também são tradicionais.

“Eu colocaria três ligas como as mais importantes no mundo: espanhola, russa e brasileira. Qual o diferencial das três? Todas são difíceis, mas a liga brasileira é muito mais competitiva e o nível é mais parelho. Não há muita diferença entre o favorito e aquele que está estreando, um exemplo é o Joaçaba, que está debutando e é o líder. Há muita coisa para evoluir e mudar, mas a liga brasileira se discerne na competitividade. As outras ligas são muito estruturadas e têm boas equipes, mas os protagonistas são quase sempre os mesmos”.

Confira a entrevista completa com Marquinhos Xavier:

Gazeta Esportiva: A LNF passou por uma grande reformulação nos últimos anos, como foi isso?

Marquinhos Xavier: A gente partiu para uma gestão independente, se separando da confederação. Acho importante para os clubes isso. A confederação vem tendo problemas, então acho que é como um casamento, onde ambos precisam definir o que é melhor. Nesse caso, era se separar para que o cuidado do seu filho, no caso o futsal, fosse melhor.

Agora é cada um na sua competência. A liga tem conseguido capitalizando mais recursos. O que talvez possibilite aumentar o investimento da equipe e o nível técnico melhore. Espero que as duas entendam que é importante fazer isso. Elas não precisam ser inimigas. Tem que estar consciente ambos precisam caminhar juntos para melhorar o esporte.

Gazeta Esportiva: Como você a situação da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS) neste momento?

Marquinhos Xavier: “Eles sentiram que realmente precisam se organizar e que precisam caminhar no sentido de uma gestão profissional e competente. Isso vai melhorar o futsal. A confederação tem condições de se reestabelecer essa é nossa torcida também. Precisamos dessa oxigenada. A modalidade está muito prejudicada por tudo o que está acontecendo, a guerra política que estava acontecendo nos últimos anos e a esperança é que isso (a gestão profissional) aconteça”.

Gazeta Esportiva: Alguns times estreantes, como o Pato e Joaçaba, vêm surpreendendo na LNF, como você vê esse início dessas equipes?

Marquinhos Xavier: Eu vejo com normalidade. Acredito que seja bom para o futsal que outras equipes assumam esse protagonismo. Acho que há por parte dessas equipes uma baixa pressão, uma vez que essas equipes estão debutando na liga. Além da qualidade técnica eles não tem essa pressão (de vencer). As coisas fluem com mais naturalidade e as outras equipes tem mais pressão e, até se ajustar, talvez leve mais tempo.

A liga nacional é uma maratona de 42 km e estar muito à frente ou atrás não significa muita coisa. Tem que saber correr com regularidade e a partir que você chega na reta final tem que estar entre os primeiros e saber o momento de ultrapassar. É assim que acontece nos últimos anos.

Gazeta Esportiva: Na sua opinião, quais são os times favoritos da Liga Nacional de Futsal?

Marquinhos Xavier: “Eu vejo Sorocaba, Joinville, Carlos Barbosa, Jaraguá pela tradição, junto com o Atlântico Erexim e Assoeva, como as equipes que devem aparecer na reta final da competição”.


Gazeta Esportiva: O que você acha dos jogadores que deixam o Brasil e acabam se naturalizando e defendendo outro país

Marquinhos Xavier: “Eu acho que faltou espaço e melhores condições de trabalho, daí o atleta acaba procurando uma oportunidade fora, uma melhor remuneração, condição de vida para a família melhor. Isso é um ciclo natural. Nós fornecemos o mercado de futsal mundial. Todo ano surgem de quatro a seis grandes potenciais, daí eles levam por ter potencial econômico muito maior.

Vejo pelo lado positivo. Temos uma demanda muito grande e não conseguiríamos segurar todos os atletas, não temos um aporte econômico para isso. E, com a saída (deles), o nível do futsal mundial melhorou. Sabemos nossa importância nesse processo (de evolução de outras escolas), com a espanhola, russa, portuguesa e italiana. O que é nosso vai permanecer aqui, temos condições de montar grandes equipes”

Gazeta Esportiva: Como você vê o Falcão no cenário do futsal?

Marquinhos Xavier: “Ele é importantíssimo, fundamental. A gente tem muito a agradecer a ele por tudo o que ele faz. Ele é o embaixador da modalidade, independente do que as pessoas acham dele. Ele veio ao esporte na época da mídia e redes sociais e soube se aproveitar isso para divulgar o esporte a nível mundial. Precisamos de outros como ele, que se envolvam, mas que também tenham o potencial técnico para que a modalidade continue sendo divulgada. Ele continua sendo o grande nome e talvez exista uma dependência na imagem dele para qualquer coisa, desde a capitação de recursos até a presença dele no estádio para que o esporte. É uma figura importante e de muito respeito”.

Gazeta Esportiva: O que falta para o futsal se torne um esporte mais popular e entre no programa Olímpico?

Marquinhos Xavier: “O envolvimento da Conmebol com o futsal da América do Sul é importante para a modalidade. Foi a primeira vez (que a Libertadores de Futsal teve) todo esse aparato da Conmebol. Se ela está por trás, a Fifa também está. Toda a organização e logística foi feita no modelo da Fifa. Com a Conmebol e a Uefa, duas organizações muito fortes, assumindo a responsabilidade, com certeza o futsal vai conquistar um respeito maior e daqui a pouco virar esporte olímpico, o que seria o ápice da modalidade”

Gazeta Esportiva: Como é o público do futsal?

Marquinhos Xavier: “No futsal são raro os lugares em que não há um bom número de espectadores, o esporte é muito dinâmico.  O pessoal chega a falar que é mais interessante do que o futebol porque você não consegue sair para ir ao banheiro ou ao bar sem que algo muito grande ter acontecido. É um esporte que te prende muito na TV e arquibancada”.

Gazeta Esportiva: Quais jogadores você gostaria de treinar?

Marquinhos Xavier: “Tem inúmeros atletas que são desafiadores. Eu nunca trabalhei com o Falcão. Embora ele esteja em uma fase de fim de carreira, mas teria sido uma honra. O Tiago, que é um grande goleiro, e eu treino atletas que eu gostaria de treinar, como o Deives, entre outros. O diferencial não é escolher, é dar a cada um deles ferramenta para que eles possam melhorar o potencial deles, esse é o grande desafio de um técnico. Eu sempre uso essa frase: eu treino qualquer atleta desde que ele se permita ser treinado por mim”.

Gazeta Esportiva: Você também dá palestras, o que isso te ajuda como treinador?

Marquinhos Xavier: “Falar da minha profissão, do meu trabalho, do meu esporte, me dá mais conhecimento. Tenho um projeto com objetivo de difundir metodologia de treinamento para todas as pessoas no país e no mundo, porque tenho vários seguidores. Então eu mantenho um site sempre atualizado com vídeos e dicas. Quando eu tenho tempo disponível, saio da minha zona de conforto e vou para palestras e cursos de especialização. Estou envolvido em vários projetos. A gente tem que dividir o pouco que sabe. Acabamos aprendendo mais do que ensinando”

Gazeta Esportiva: O Carlos Barbosa é um dos poucos clubes voltados exclusivamente ao futsal, quais são os diferenciais da ACFS?

Marquinhos Xavier: “Nós vivemos uma gestão extremamente profissional. A gente não tem nenhum outro afazer que não seja se dedicar ao clube, nem os membros da diretoria. Então temos uma gestão administrativa com sete profissionais da área de gestão, CEO, gerente financeiro, e tudo mais. Temos um departamento exclusivo de futsal e isso nos dá uma estrutura magnífica, sem contar os nossos patrocinadores, apoiadores, sócios que são efetivos que fazem a gente ter nossa arrecadação e nos ajudam a manter o time”.

*Especial para a Gazeta Esportiva

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