Ativista na juventude, Jorge Sampaoli é anti-Bolsonaro no Brasil

Lucas Musetti Perazolli - Santos , SP
09/05/2019 12:00:27 — 09/05/2019 12:37:36

Em: Escolha do editor, Futebol, Notícias, Santos
Sampaoli é anti-Bolsonaro no Brasil (Foto: Ivan Storti/Santos)

O técnico do Santos, Jorge Sampaoli, não aprova o governo de Jair Bolsonaro. O argentino compara a situação com a eleição de Mauricio Macri, o primeiro líder da direita liberal a chegar ao poder na Argentina, em 2015.

Sampaoli se considera “centro-esquerda”. Assumidamente, ele é peronista, nome genérico dado ao Movimento Nacional Justicialista, criado por Juan Domingo Perón, eleito em 1946, 1951 e 1973, que morreu em 74. Recentemente, o treinador apoiou Néstor Kirchner (também falecido) e Christina Kirchner, presidentes entre 2003 e 2015.

“Sempre digo que o melhor advogado é o que entende o que pensa o juiz e não o que conhece as leis. No meu caso, devo saber com quem vou falar e a forma de seduzi-lo. Por isso, às vezes é melhor escutar um discurso de Perón do que assistir a um jogo de futebol”, disse Sampaoli, em entrevista ao Goal, em 2016.

A pessoas próximas, Jorge Sampaoli lamenta a ascensão de Bolsonaro e a defesa de parte do governo à ditadura, “rival” do comandante na juventude.

“Revolucionário”

Na adolescência, Sampaoli conviveu com a ditadura militar na Argentina. Seu pai, Rodalgo, era um “policial que nunca atirou”, de acordo com o livro “No escucho y sigo”, biografia autorizada escrita por Pablo Paván.

“Eu era parte de um movimento revolucionário: a Juventude Peronista. Nos reuníamos clandestinamente, éramos ativistas. Exigíamos o fim da ditadura. Fomos perseguidos pelo regime”, afirmou Jorge Sampaoli, à revista espanhola “Panenka”.

Quando garoto, Sampaoli ajudava numa fábrica de peças de reposição do seu tio, em Casilda, na Argentina. Ele cuidava da loja enquanto o parente e amigos apoiavam a volta de Perón.

Se passava um Ford Falcon verde, carro dos militares, Sampaoli apertava um botão para os ativistas saberem. O argentino nasceu em 1960 e o peronismo retomou o poder em 1973.

Sampaoli gerou um “climão” nos primeiros dias de Sevilla (Foto: Divulgação)

Descobrimento da América?

Ao ser contratado pelo Sevilla, em 2016, Jorge Sampaoli foi convidado pelo presidente José Castro a conhecer a catedral da cidade, a terceira maior do mundo.

Quando chegou, ouviu o seguinte: “Aí estão os restos do descobridor do seu continente (América), Cristóvão Colombo”. O argentino não se aguentou, como relatou Ezequiel Scher, seu assessor de imprensa, também ao Goal. 

“Desculpa, mas vocês creem que ele descobriu. O continente já estavam lá. Vocês chamam o genocídio de descobrimento”, respondeu Sampaoli, sem se preocupar, mesmo nos primeiros dias de novo clube.

No Brasil, ainda não

Sampaoli ainda não se posicionou abertamente sobre a política no Brasil – só aos que convivem com ele. A única intervenção do técnico foi a favor de cachorros na areia da praia de Santos.

O treinador conheceu o idealizador do movimento numa aula de futevôlei e expôs a camiseta da campanha em coletiva de imprensa depois da vitória sobre o Fluminense, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro.

Sampaoli fez campanha por cachorros na praia (Divulgação)




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