Terceira eliminação coloca pressão inédita em Aguirre no São Paulo

Tiago Salazar - São Paulo,SP

17-08-2018 10:00:26

Diego Aguirre goza de muito prestígio dentro da diretoria do São Paulo, é visto por boa parte da torcida tricolor como um dos principais responsáveis pelo resgate do time após temporadas melancólicas, tem a confiança do grupo e deu ao seu plantel uma identidade. Por tudo isso, o técnico uruguaio passará a conviver a partir de agora com uma pressão inédita desde que assumiu o cargo no lugar de Dorival Júnior.

A boa campanha no Campeonato Brasileiro levantou o moral de todos no Morumbi. O orgulho de ter o time entre os primeiros mexeu com dirigentes, atletas e torcedores, reascendeu uma esperança real de pôr fim ao jejum de títulos.

O problema é que, na prática, o trabalho, apesar de considerado muito bom em todos os âmbitos de discussão, alcançou seu terceiro insucesso nessa quinta-feira. A queda na Copa Sul-Americana representou uma tripla eliminação do São Paulo sob o comando de Diego Aguirre em menos de um ano.


E dessa vez o contexto é diferente, já que nas duas primeiras decepções o treinador ainda tinha pouco tempo de casa. Quando deu adeus ao Campeonato Paulista no clássico com o Corinthians, Aguirre fazia ali apenas seu quarto jogo à frente do time são-paulino. Mais quatro jogos na sequência e veio o segundo baque: a eliminação na Copa do Brasil diante do Atlético-PR em pleno Morumbi.

Obviamente Diego Aguirre não recebeu qualquer parcela de culpa em nenhuma das duas ocasiões, muito pelo contrário, talvez o São Paulo tenha encarado as fatídicas decisões mais fortalecido justamente pela presença do novo treinador.

A questão é que a eliminação na Copa Sul-Americana coloca Diego Aguirre sob uma mira ausente até então nesse seu período como técnico do São Paulo. Afinal, o torneio ainda estava em sua segunda fase e o adversário era o modesto Colón, time que nunca sequer fora campeão na Argentina.

O São Paulo sonhava com uma campanha vitoriosa, ou no mínimo longa, por isso o Campeonato Brasileiro nunca foi encarado como prioridade absoluta dentro do clube até aqui. Com seus rivais vivos na Libertadores da América e na Copa do Brasil, um eventual título da Copa Sul-Americana serviria de alento, além de acabar com angústia que perdura desde 2012, quando a própria competição da Conmebol foi vencida pela primeira vez pelo São Paulo.

Os reflexos, inevitavelmente, recaem sobre o Campeonato Brasileiro. Só sobrou o nacional por pontos corridos ao São Paulo. Até o fim da temporada, esse é o foco único, o que eleva a pressão por título a um patamar inédito em 2018.

O time é líder a uma rodada do fim do primeiro turno e tem seu principal concorrente, o Flamengo, ainda envolvido na Libertadores e na Copa do Brasil. Outras equipes, como Grêmio, Palmeiras e Corinthians, também divididas com os mata-matas, estão optando muitas vezes por escalar reservas no Brasileirão. Inter e Atlético-MG é que tentam reagir por hoje se encontrarem na mesma situação que os são-paulinos.

Com esse atual cenário, deixar escapar a taça, mesmo que de um campeonato tão concorrido e equilibrado, pode ser difícil de digerir. Há anos o São Paulo não se encontra com uma oportunidade tão clara, palpável e favorável.

A evolução evidente demonstrada esse ano não foi suficiente para evitar a repetição das frustrações sofridas na última temporada. O adeus precoce à Copa do Brasil e à Copa Sul-Americana, somado ao tombo recorrente no Estadual machucaram de novo uma torcida que sonha em reviver seus tempos de glória.

Nesse cenário, a sétima taça do Campeonato Brasileiro aparece como única solução. Está nas mãos de Diego Aguirre e seus comandados.

 

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