Leco abre contas do São Paulo e aponta reviravolta na política do clube

Tiago Salazar - São Paulo,SP

28-10-2016 07:00:10

Há exato um ano Carlos Augusto de Barros e Silva sentava pela primeira vez na cadeira da presidência do São Paulo. Apesar do pouco tempo, a gestão de Leco pode dizer que tem consigo atingir seu principal objetivo: Colocar as finanças do clube em dia. O cenário, antes desfavorável, já começa a entrar nos eixos e cria um clima de otimismo para 2017. Os gastos diminuíram, novas receitas entraram e a expectativa é de um elenco mais qualificado, com a chegada de reforços de peso no próximo ano.

Para comemorar o aniversário da gestão, Leco resolveu abrir alguns números à imprensa que, no fundo, servem também para apontar as principais falhas de seu antecessor, Carlos Miguel Aidar, que acabou renunciando ao cargo sob acusações de corrupção.

Contas
Com a política de contensão de despesas, investimentos pontuais e apoio do marketing, o São Paulo conseguiu diminuir sua dívida total em 28% entre dezembro de 2015 e setembro de 2016. O valor era de R$ 170 milhões e hoje é de R$ 124 milhões, além de R$ 77 milhões que estão parcelados em 240 meses pela Profut. Essas parcelas de cerca de R$ 350 mil são pagas com o dinheiro que entra por meio da Timemania.

A dívida bancária do clube também caiu de R$ 91 milhões para R$ 52 milhões. Mas, a principal conquista nesse aspecto foi ter conseguido alongar esses pagamentos em até cinco anos. Os novos acordos proporcionaram ao Tricolor deixar de gastar R$ 14 milhões por mês com amortizações para desembolsar R$ 5 milhões mensalmente.

Toda essa gerência das contas é feita por Adilson Martins, mas também não teria êxito sem o trabalho de Vinicius Pinotti, responsável por liderar a equipe de marketing do clube, que conseguiu R$ 33 milhões em contratos com cinco empresas que estampam seus nomes na camisa são-paulina, além de permutas, novas concessões de áreas do Morumbi e ajustes no plano de sócio-torcedor. Antes, a receita desse quesito era zero.

Outro ponto que a gestão de Leco conseguiu mudar é a retenção sobre os valores de vendas de jogadores. Se na gestão de Aidar o São Paulo ficou com R$ 56,6 milhões referentes a sete saídas que geraram ao clube R$ 103,9 milhões, nesse novo momento o clube recebeu R$ 80 milhões com com seis vendas que somaram R$ 105,2 milhões, com a peculiaridade de que o único titular a deixar a equipe foi Paulo Henrique Ganso.


Feitos
Leco também faz questão de citar a obra do gramado do Morumbi, as liberações de todas as licenças para o uso do estádio e a auditoria independente feita para saber a real situação financeira do clube como grandes feitos de sua autoria. Mas, fala mesmo com orgulho enaltecido da reforma estatutária, que segue seus trâmites e deve ser concluída em dezembro, do rompimento com torcidas organizadas, que findou as ajudas com ingressos, transportes e verbas para desfiles de carnaval, por exemplo, e principalmente do fato de cumprir com o pagamento de R$ 4,5 milhões da folha salarial dos atletas em dia, sendo que o compromisso era atrasado em até três meses anteriormente.

Eleição
É com essas ‘armas’ que Calos Augusto de Barros e Silva espera convencer os eleitores do São Paulo a lhe darem mais três anos de mandato na eleição presidencial de abril. Apesar de ter assumido o cargo interinamente por ser o presidente do Conselho Deliberativo à época da renúncia de Aidar e, posteriormente, ser eleito com 138 dos 193 votos válidos, Leco sabe que terá de encarar uma ferrenha disputa política no próximo pleito, já que a oposição do São Paulo talvez nunca tenha divergido com tanta força de quem está no comando. Para Leco, essa reação é motivada pelo afastamento de algumas pessoas que não se conformam por estarem de fora da diretoria e não terem seus anseios atendidos.

Time
Independente se vencer ou não a eleição de abril, Leco garante que o São Paulo tem tudo para esquecer 2016, ano em que teve de brigar contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, para voltar a lutar por títulos em 2017. E, para isso, o caixa controlado e equilibrado será fundamental. O plano de Leco é manter Marco Aurélio Cunha trabalhando ao lado de José Jacobson para fazer contratações pontuais, mas, que causem impacto, como Nilmar, por exemplo, que já tem negociação em curso.

Deixe seu comentário