Técnico do Corinthians USA, ídolo santista prevê 2 a 2 no clássico

Helder Júnior - São Paulo,SP

18-09-2015 08:22:19

Robert iniciou uma nova carreira no futebol norte-americano e fica dividido ao falar do Campeonato Brasileiro

O ex-jogador Robert interrompeu momentaneamente o seu trabalho como técnico do Corinthians USA, equipe sediada em Fontana, na Califórnia, para passar alguns dias no Brasil. Comemorou o aniversário do filho mais novo, recebeu o assédio de torcedores do Santos e evitou torcer pelo clube com o qual possui grande identificação na goleada por 4 a 0 sobre o Atlético-MG, que defendeu em 1999. A postura será a mesma na manhã de domingo.

“Você está falando do clássico com o Corinthians? Aprecio muito futebol, vejo o Campeonato Brasileiro até quando estou nos Estados Unidos, mas não fico torcendo. Só sei que sairão muitos gols no jogo. Ou melhor, vai dar empate: 2 a 2”, palpitou Robert, interessado no assunto. “O Geuvânio vai jogar? Mas, mesmo sem ele, o Santos não fica sem fazer gols e está com um histórico bom contra o Corinthians. Será um duelo difícil para os dois.”

Comandando o veterano Rodrigo Gral nos Estados Unidos, Robert quase fez estágio com Tite (foto: Divulgação)
Comandando o veterano Rodrigo Gral nos Estados Unidos, Robert quase fez estágio com Tite (foto: Divulgação)

Escolher entre Santos e Corinthians também parece igualmente difícil para Robert. Como meio-campista, ele passou pela primeira vez pela Vila Belmiro entre 1995 e 1997, quando conquistou um Torneio Rio-São Paulo. Depois, entre 2000 e 2002, alcançou a maior glória da carreira ao substituir Diego como parceiro de Robinho na bem-sucedida final do Campeonato Brasileiro contra o grande rival.

“A final do Brasileiro de 2002 foi o clássico mais marcante da minha carreira. Também tenho uma lembrança negativa contra o Corinthians, aquela semifinal de Campeonato Paulista de 2001, quando o Ricardinho meteu um gol no último instante. Essa tristeza contrasta com a euforia do ano seguinte. Mas, se Deus tivesse me mostrado esse roteiro, eu aceitaria na hora. Você prefere ser campeão paulista ou brasileiro?”, sorriu.

Meses depois da conquista do Campeonato Brasileiro, Robert foi atuar logo pelo Corinthians, mesmo que por pouco tempo. Ele voltaria a se associar ao rival neste ano, ao desistir de fazer um estágio com Tite para investir na carreira de técnico no Corinthians USA. O time foi fundado em 2010 e deixou recentemente de ser uma franquia do Sport Club Corinthians Paulista – a partir da venda de ações do clube, a nova diretoria trocou a bandeira do Estado de São Paulo do seu escudo corintiano pela dos Estados Unidos.

“Mas o distintivo do nosso Corinthians é quase o mesmo, então chama muito a atenção das pessoas. Vários brasileiros estão nos Estados Unidos, e eles se interessam pela nossa equipe. Fica aquele oba-oba todo, sabe? Sempre explico que somos o Corinthians da América, e não o tradicional. Só que esse carinho é legal”, comentou.

Para receber ainda mais carinho, Robert sabe que precisa de resultados. O Corinthians USA já tem quatro jogos sob o seu comando – e quatro vitórias. Com um elenco formado por norte-americanos, brasileiros e mexicanos, o time conta com o veterano atacante Rodrigo Gral (que defendeu Grêmio e Flamengo, entre outros) para fazer sucesso e, talvez um dia, ascender até a Major League Soccer (MLS), principal divisão do futebol dos Estados Unidos.

“O Rodrigo é o meu camisa 10, o meu capitão, e está dando uma tranquilidade boa para os mais novos”, elogiou Robert, que se define como um técnico “atento à organização em todos os setores”. Ele citou, nesta ordem, Vanderlei Luxemburgo, Carlos Alberto Parreira, Cabralzinho, Celso Roth, Nelsinho Baptista, Geninho, Jorginho, Leão e Tite como as suas referências profissionais. “Além deles, muita coisa do que faço tem a ver com o Marcelo Bielsa. Gosto do estilo dele. No meu time, todo o mundo corre e todo o mundo marca. Sou muito exigente nos treinamentos. Tento colocar em prática o que aprendi e vivi em 20 anos de bola.”

Robert espera ter muitos outros anos de bola pela frente. Afinal, na condição de técnico do Corinthians USA, deixou o carinho pelo Santos de lado para recuperar o discurso político dos tempos de jogador e criar novas raízes em outra área. “Estou muito feliz nesse começo de trabalho. A resposta tem sido boa. O meu contrato tem duração até dezembro, mas, se houver a oportunidade, ficarei por mais tempo. Quero ser um treinador reconhecido. Pintando uma boa chance, também não descarto trabalhar no Brasil”, avisou o ex-santista.

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