Tamires comemora público no futebol feminino e pede apoio da Fiel

São Paulo, SP

23/09/22 | 14:40

A lateral-esquerda Tamires talvez nunca tenha pensado em jogar para quase 40 mil pessoas. No último final de semana, foi para um público de mais de 36,6 mil torcedores que Corinthians e Internacional fizeram a primeira final do Brasileirão feminino no Beira-Rio. A expectativa é que esse número seja superado neste sábado, na Neo Química Arena, para o jogo da volta.

“A torcida sempre nos apoiou jogando aqui e, quando não puderam estar presentes, assistiram pela televisão. Também estiveram presentes no Beira-Rio, fizeram uma caravana, mais de mil pessoas nos apoiando. Amanhã (sábado) também contamos com esse apoio do início ao fim e que a gente possa representar dentro de campo todo esse apoio e energia que a torcida coloca fora de campo e trazer mais esse título para o Corinthians”, iniciou a defensora em coletiva de imprensa nesta tarde, em Itaquera, ao lado do técnico Arthur Elias.

“Realmente é incrível jogar com a torcida, eu que sou dessas gerações e gerações (passadas), porque eu peguei quando ia só minha família no estádio assistir e, hoje, se Deus quiser, vamos jogar para 40 mil pessoas ou mais. O que o futebol feminino tem movido, tem conquistado, não vamos mais voltar atrás. Que a gente possa jogar cada vez mais com estádios lotados, não só em mata-matas, mas no decorrer do ano também”, complementou.


O Corinthians divulgou que mais de 39 mil ingressos já foram vendidos para a grande final do Brasileirão feminino, que acontecerá neste sábado, na Neo Química Arena, a partir das 14h (de Brasília).

Caso esse número seja alcançado, haverá quebra de recorde não só brasileiro, mas também sul-americano. Atualmente, o recorde é da final do Campeonato Colombiano, entre América de Cali e Deportivo Cali, no Estádio Pascual Guerrero, em Cali, para 37,1 mil pessoas.

Na ida, as equipes ficaram no empate por 1 a 1, o que deixou a decisão do título para a Neo Química Arena. Uma nova igualdade no placar levará a definição para os pênaltis.

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Veja outros trechos da coletiva de Tamires:

Aumento da competitividade

"A forma que o Campeonato foi disputado ponto a ponto até o final, não sabendo quem iam ser os oito que iam para o mata-mata. Então, a gente viu uma competitividade muito grande, uma valorização muito grande de investimento também dos clubes. Acho que essa cadeia girou muito mais esse ano e só tende a crescer com a visibilidade, o investimento, com a estrutura que os clubes estão dando para as atletas trabalharem. Eu vejo o Campeonato Brasileiro muito mais competitivo e a gente numa crescente muito grande".

Trajetória do clube

"O que a gente vem conquistando ano a ano, sempre exalto o departamento do futebol feminino que o Corinthians tem. Ano após ano a gente quer mais, quer mais investimento, montar o melhor elenco, a gente não se acomoda com todos os títulos que a gente ganha. Dessa vez não vai ser diferente. Tudo que a gente construiu daqui para trás é maravilhoso e estamos de parabéns, mas é passado, a gente tem que olhar daqui pra frente, olhar a final, os objetivos futuros. Só assim, como equipe, pensando no momento, no agora e no que a gente quer, onde a gente quer colocar o Corinthians, sempre no mais alto do pódio… É como a gente vai conseguir construir mais vitórias e dar mais títulos, com elenco mais estruturado, departamento melhor".

#InvasãoPorElas

“Isso reflete com muita motivação para a gente. A gente sabe o quanto a torcida corintiana se identifica com a nossa equipe, o quanto eles nos incentivam. Quando a gente viu a hashtag, fizemos de tudo para nos concentrar e transmitir para a torcida o quanto a gente está pensando nesse jogo, o quanto queremos esse título, o quanto a gente quer merecer esse título para o Corinthians".

Gestão do elenco

“Sou muito fã do Arthur também nesse sentido. No início do ano, ele consegue montar um elenco não pensando em um jogo estrategicamente, mas no ano, como a gente vai render durante o ano, traz peças pontuais para isso. A gente conseguiu dar a volta por cima nas lesões que nós tivemos por isso. O ano passado jogamos todos os jogos possíveis no calendário do futebol feminino no Brasil e esse ano tivemos problemas com algumas atletas. Mas, como falei, quando o grupo está junto, conseguimos passar por essas adversidades, acreditar no que a comissão técnica propõe, é uma estratégia muito importante para que conseguíssemos chegar aqui hoje”.

Favoritismo?

“Posso dizer que isso não entra no vestiário. Não disputamos nossa primeira final, não fomos campeãs pela primeira vez no ano passado. A gente vem anos seguidos disputando finais, não só de Brasileiros, já tivemos neste ano a Supercopa. O que a gente coloca todos os dias para o nosso elenco é que o que vale é o agora, o que a gente está buscando. Nos classificamos em quarto e todo mundo falou que ‘esse ano não é mais o Corinthians’, e a gente não deixa isso nos abater. Continuamos trabalhando e acreditamos e hoje estamos fazendo a nossa final, na nossa casa, coisa que talvez muitos não esperavam. A gente faz o nosso trabalho, mantém os pés no chão, e isso faz o Corinthians ser respeitado nacionalmente, até na América Latina e mundialmente. Talvez fora de campo haja esse favoritismo pela nossa trajetória, por tudo que vem conquistando, mas, dentro de campo, pensamos os 90 minutos e só no agora”.

Capitã

“O Corinthians não tem uma líder ou uma só capitã. No decorrer dos campeonatos, a gente tem a Grazi, a Zanotti, então, para mim, também é um privilégio muito grande fazer parte dessas líderes também, a Erika também, que está retornando. A gente consegue exercer a nossa liderança no dia a dia com as meninas, passando a nossa experiência, conversando individualmente, passando nossa energia, isso que nos faz hoje olhar e o Arthur falar: confio nessa atleta, dou essa responsabilidade de ser a capitã do Corinthians. Porque a gente divide essa responsabilidade muito bem, acho que isso que é muito gostoso em ser capitã do Corinthians também”.

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