Erro de Alessandro, entrada de Romarinho, Sheik e festa do título: Castán relembra conquista da Libertadores pelo Corinthians

Tiago Salazar e Marina Bufon - São Paulo,SP

04/07/22 | 07:00 - 04/07/22 | 11:10

O zagueiro Leandro Castán comemora, nesta segunda-feira, seu primeiro e único título de Libertadores conquistado na carreira, coincidentemente o único também do Corinthians.

Em uma longa entrevista à TV Gazeta, o defensor abordou vários pontos daquela campanha invicta, comentando sobre personagens importantes, o peso da torcida e, claro, a festa do título.

Estádio mais hostil: Bombonera e São Januário
“O Vasco era um time muito parecido com o nosso naquele ano. Foram dois jogos assim, mas com certeza a Bombonera (também), o charme, a final. Lembro que estava o Maradona na arquibancada. Foi bizarro”.

Adversário mais difícil: Santos
“Tinha um grande time, se a gente vacilasse um segundo, poderia perder a qualquer momento. O Neymar podia fazer uma coisa diferente, o Ganso com uma bola ou outro. Para mim, o Santos, porque o ataque do Santos era muito forte e eu, como zagueiro, tinha que estar o tempo inteiro concentrado. Então coloca o Santos como adversário mais forte”.

Emerson Sheik
“O Sheik era imprevisível, você não sabe que horas ele vai chegar no treino, se vai chegar, o que ele vai fazer no jogo. Cara, ele era o ponto fora da curva do nosso time, todo mundo muito profissional, dedicado, ele também era dedicado, mas ele era polêmico e gostava disso. Isso era legal porque levava o time a pensar ‘esse cara é maluco’, isso era legal. Quando chega na final, na preleção, o Tite falou ‘não vamos entrar em provação, Sheik, não vai entrar na provocação dos caras’. Acho que ele falou o nome dele. Ele deitou até nisso, fez dois gols na final, sou muito amigo dele”.

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Chute de Diego Souza
“Eu lembro aqui que foi uma bola parada a favor nossa, escanteio. Eu estava na área para cabecear e aí eu sei que o Vasco tira a bola e cai no pé do Alessandro. Eu lembro que, quando a bola caiu no pé dele, eu corro para o segundo pau pra esperar a cavada. Quando o Diego Souza vem e trava ele e a bola corre, eu parei de correr. Eu só fiquei ‘ai, meu Deus do céu, tira essa bola, pelo amor de Deus’, eu fiquei ali torcendo, porque não tinha mais o que fazer. A hora que a bola resvala, cai certinha pra ele. Só o Cassio poderia fazer alguma coisa ali. E lembro que, quando o Cássio fez aquela defesa ali, eu disse ‘cara, a gente vai ser campeão’”.

Alessandro
“Eu acho que o Alessandro, até hoje, deve agradecer ao Cássio, porque mudou a história dele no clube. E eu lembro que quando a gente entrou no vestiário o Alessandro estava em choque, lembro que ele agradeceu o Cássio na rora da oração, ele pediu a palavra, pediu desculpa e agradeceu ao Cássio. Só obrigado mesmo”.

Entrada do Romarinho
“Cara, eu não entendi nada (quando ele entrou). Lembro que, antes do jogo, a gente estava conversando e falou que teria a possibilidade do Willian (Bigode) entrar, naquela época era o Cebolinha, ele jogou praticamente a Libertadores inteira, e talvez não ficasse nem no banco . E aí, conversando, ele (Tite) ia levar o Romarinho no banco. ‘E se a gente falar com ele (Tite), Willian não pode ficar de fora, agora e na final vai perder a final?’ Aí eu lembro que o Fábio Santos fala ‘cara, deixa, que o homem sabe o que está fazendo’. Achei que o Romarinho ia ficar no banco, porque ele tinha chegado do Bragantino, fez dois gols contra o Palmeiras e ganhou essa vaga aí. O legal do nosso grupo era isso, se você está bem, você joga. E, cara, quando ele entra em campo, eu penso ‘estamos com um a menos, o cara não vai nem tocar na bola, na Bombonera, jogo pegando fogo, 1 a 0 para os caras’. Que loucura! E o pior em tudo, não foi qualquer gol, ele cavou”.

Festa do título
“Foi uma loucura. Lembro que a família estava no Pacaembu, tinha filho pequeno. Aí eu disse ‘essa festa não vou perder’. Eu lembro que eu peguei uma van com o Fábio Santos e o Douglas, a gente foi para o Anhembi, minha esposa foi com meu filho para casa. E foi legal para caramba, uma emoção muito grande, porque hoje eu sei o que a gente fez, mas naquele momento eu queria curtir, porque parecia que tinha saído uma tonelada de mim. E eu sabia que era o meu último jogo no Corinthians, era muito especial para mim. E tínhamos conquistado o primeiro (título)”.


Torcida
“É difícil falar, porque todo jogo a torcida está sempre apoiando. Você nunca vai ver a torcida do Corinthians vaiando ou fazendo coisa diferente. E acho que é aquela música, ‘essa noite teremos que ganhar’. Eu acho que começou, se não me engano, naquela Libertadores. Aquela música empurrou a gente. Me marcou muito”.

Lembrado até hoje
“Quando estava na Itália e voltava para o Brasil, chegava no aeroporto de Guarulhos, eu lembro quando eu ia pegar a minha mala na esteira, os caras falavam ‘sua mala está no carro’. Como assim? ‘Para, você ganhou a Libertadores’. Três dias atrás eu fui no cartório aqui para fazer um negócio da minha casa, estou fazendo os documentos e vejo escrito ‘não aceitamos cartão de crédito’. Caramba, eu só tenho cartão de crédito e pix, hoje em dia tudo digital. Falei para o cara que só tinha os dois. Ele falou ‘cê tá doido? Você ganhou a Libertadores. Me manda o pix que eu pago para você’”.

Saída de Adriano
“O Adriano estava junto com a gente ali no grupo, era um cara que a gente gostava muito e sabia os problemas que ele tinha extracampo e tal. Eu lembro que o Tite faz uma reunião com a gente e, se não me engano, a gente ia jogar fora de casa, em algum país fora. Eu lembro que teve uma reunião com a gente e ele comunica que o Adriano não ia mais fazer parte do nosso grupo. E aí ele fala, muito emocionado, ‘tentei de tudo para ajudar o Adriano, mas eu não consegui, então o Adriano não vai mais fazer parte do nosso grupo’. Eu lembro que foi uma emoção muito grande, ficou todo mundo muito chateado, porque ele tinha feito um gol muito emblemático também um ano antes, pelo Brasileiro, contra o Atlético Mineiro. E foi uma coisa nos bastidores, algo que eu nunca tinha falado”.

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