Gazeta Esportiva

Aulas, cria: como uma simples mudança na base pode ajudar o futebol brasileiro, segundo VP

Marina Bufon - São Paulo,SP

07/09/22 | 06:00

O futebol de base no Brasil tem seus inúmeros defeitos, assim como uma série de qualidades. No entanto, para o técnico Vítor Pereira, do Corinthians, uma simples mudança poderia ajudar - e muito - a modalidade, principalmente quando esses jovens chegam à equipe principal.

Palestrante nesta semana em um curso da Brasil Futebol Expo, evento organizado pela CBF, o treinador português contou uma experiência pessoal para exemplificar. Quando estava no sub-19 do Porto, José Mourinho, hoje à frente da Roma, foi contratado para o profissional.

"Qual foi a diferença que ele nos trouxe? Tínhamos um projeto na formação, para um determinado perfil de jogo, só que não havia uma ligação entre os projetos até o alto escalão. O Mourinho chegou e falou: 'a equipe vai jogar desta forma, então o zagueiro tem que ter essas características, o lateral essas etc., então quero que as categorias inferiores treinem por conta dessas características'. Esse, para mim, foi o grande salto qualitativo no projeto", iniciou.

"Um jogador começava no sub-15 e treinava para ser jogador da equipe principal, de acordo com os princípios táticos dela e para estar completamente identificado com a equipe principal. Isso é o projeto. Não é o treinador que tem o projeto, mas o clube, ele escolhe os treinadores em função do projeto que tem. Lá, as equipes do Porto têm que ser dominantes, têm que ter a bola e ser agressivas. Quando formos escolher o treinador, tem que ser desse perfil. O projeto tem que ser do clube, o treinador tem que ter esse perfil", complementou.


Segundo ele, no Brasil "o buraco é mais embaixo", ou seja, o projeto a que ele se referiu sequer existe por aqui, pois não há tempo para isso.

"O que acontece aqui no Brasil? Por que não quis vir mais cedo (trabalhar aqui)? Porque os projetos aqui duram dois meses. No brasil, não existe projeto, muito menos de formação, apesar da grande qualidade que tem. Além disso, a maioria dos jogadores são formados para jogar em outras equipes, porque não há projetos para jogar na equipe principal. Isso é o que falta neste país. Se o projeto do presidente (do clube) é de três anos, então tem pressa, os jogadores têm que ser daquele perfil, e isso é o grande problema do Brasil", finalizou.

Em todos os seus trabalhos, Vítor Pereira faz questão de utilizar os garotos da base, os chamados "miúdos", seja nos treinos ou nos jogos. Ele, inclusive, chegou a dizer, em certos momentos, que o clube só estava onde estava por conta deles.

Desde sua chegada ao Corinthians, em fevereiro deste ano, já promoveu o zagueiro Robert Renan e o atacante Giovane, o qual, inclusive, foi adquirido pelo clube, além de constantemente relacionar outros atletas. Outros casos de estreias no profissional em 2022 são Felipe Augusto, Guilherme Biro, Matheus Araújo e Wesley.

Com o empate contra o Internacional no final de semana, o Corinthians chegou aos 43 pontos no Brasileirão, na terceira colocação. O Timão está oito pontos atrás do líder Palmeiras, que também empatou na rodada, contra o Red Bull Bragantino.

O próximo jogo será contra o São Paulo, no próximo domingo, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. A bola rola às 16 horas (de Brasília), no estádio do Morumbi.

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