Equipe de Lins vive 'saga' para correr São Silvestrinha e viaja de madrugada

Juliana Arreguy* - São Paulo,SP

19-12-2015 12:21:01

Crianças da equipe de Lins que irão participar da 22 Corrida São Silvestrinha (Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)
Crianças da equipe de Lins que irão participar da 22 Corrida São Silvestrinha (Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)

Um ônibus com 16 jovens e três supervisores deixou a cidade de Lins, na região centro-oeste do estado de São Paulo, com destino à capital paulista por volta da meia noite. Atletas da Semel/Lins, entre 6 e 16, anos mal dormiram durante a viagem tamanha a expectativa de participar da 22ª edição da São Silvestrinha, marcada para às 13h30 (de Brasília) deste sábado.

A chegada na capital, antecipada para às 6h30, teve um propósito: realizar a retirada dos kits com tranquilidade pela manhã. O grupo ficou a postos no Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães e, assim que abriram os portões, esteve entre os primeiros a recolher as camisetas, números de peito e chips de cronometragem.

"Optamos por sair a noite por medo do ônibus quebrar, de precisar lidar com algum improviso, de acontecer algo e eles acabarem não competindo. Ia ser frustrante, eles têm treinado tanto para isso", contou David Ribeiro, coordenador de atletismo da Prefeitura de Lins, principal patrocinadora da equipe.

O projeto municipal é aberto e gratuito, atendendo áreas mais periféricas. "A pista já fica num lugar periférico da cidade e a gente passa nas escolas avisando que tem um projeto, entregamos bilhetes de mão em mão. Então o pessoal vai aparecendo para treinar. E no decorrer do ano tem inúmeras competições que eles disputam, tanto em Lins como fora", explicou.

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Acostumado a viajar com os atletas, David explicou que os linenses participam da São Silvestrinha há onze anos. A Prefeitura arca com todos os custos, incluindo transporte e alimentação. Dos 16 jovens inscritos para a 22ª edição, apenas três já participaram da prova anteriormente. Em 2013 e 2014, a equipe precisou ficar de fora da disputa por questões financeiras.

Coordenador da equipe de Lins que irá participar da 22 Corrida São Silvestrinha (Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)
David Ribeiro, coordenador da equipe de Lins que irá participar da 22 Corrida São Silvestrinha (Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)

"Em nossa primeira vez na São Silvestrinha viemos com 19 crianças num micro-ônibus de 22 lugares, com 20 colchões, e ficamos na casa da minha tia, já falecida, que morava no Ipiranga", lembrou. "A gente corria, ganhava um passaporte de prêmio e depois ia para o Playcenter."

David conta com a ajuda de Rafael e Bruna para supervisionar os jovens corredores. Na programação desta tarde, o grupo incluiu no planejamento um passeio no Parque Ibirapuera. Para o coordenador, é mais importante manter o foco no processo do que nos resultados, de modo que os atletas não sejam muito cobrados.

"Tenho alguns colegas técnicos que exigem muito deles. A gente quer que eles sejam campeões, mas não podemos exigir isso deles até por conta da faixa etária, a não ser os atletas mais velhos. Eles não ganham nada para correr, são amadores. A turma de seis anos faz mais um trabalho recreativo. A gente tenta implantar um atletismo mais recreativo, faz eles correrem e treinarem sem perceber que estão fazendo isso. Aqui, hoje, se ficarem em terceiro, em décimo, vai ter o mesmo valor para nós e para eles", disse.

Enquanto identificava alguns meninos, David apontou um apelidado de Boltinho, em homenagem ao jamaicano Usain Bolt. "Ele tem seis anos, mas já tem muito estilo", brincou o coordenador. Entre os presentes, outro competidor chamava a atenção: o filho de David. "Antes mesmo de completar três anos eu já levei na primeira corrida. De lá para cá ele tem disputado várias. Ele pede para correr todos os dias", completou.

*especial para a Gazeta Esportiva

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