Motor/Fórmula 1

Diretor médico do GP Brasil elogia halo, mas admite dificuldade no resgaste

Mateus Videira - São Paulo , SP
27/10/2018 18:00:17

Em: Fórmula 1, Motor

A temporada 2018 da Fórmula 1 teve como uma de suas grandes novidades a implementação do halo, peça colocada para aumentar a proteção do piloto no cockpit quanto a possíveis objetos que voem de outros carros e fiquem na pista. Apesar de, á princípio, criticado pelos pilotos e elogiado pelos especialistas, o artifício mudou também a forma de resgate das equipes médicas, que adotaram um novo procedimento.

Durante a simulação geral do Grande Prêmio do Brasil realizada no último sábado, no Autódromo de Interlagos, foram realizados diversos ensaios de extração do piloto do carro em um modelo produzido pela FIA já com o halo. E o responsável pela parte médica do GP, Dino Altmann, explicou as principais alterações do artifício e a forma como é feito o resgaste.

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“É um pouco mais difícil a manipulação dos procedimentos dentro do cockpit, porque a altura do halo atrapalha um pouco. E na hora da retirada do piloto, o banco tem que ser levantado mais alto. Agora, toda medida de segurança tem um compromisso entre a segurança e o resgate, então é importante que exista o resgaste de pilotos em melhor condição clínica possível. Protegendo a cabeça do piloto, vamos ter menos traumatismos e eu prefiro que o resgaste seja mais difícil, mas o piloto esteja em melhores condições”, disse o diretor médico.

“Em primeiro lugar, no resgaste da Fórmula 1, que envolve uma alta eletricidade, a equipe de resgaste trabalha com luvas de proteção elétrica até mil volts. Segundo, os carros são equipados com uma luz que diz se estão ou não energizados. Enquanto o carro não estiver desenergizado, ninguém encosta. É muito importante que isso seja feito, além dos sapatos de sola de borracha que também utilizam”, explicou.

Assim como em 2017, o Leforte será o hospital oficial do Grande Prêmio do Brasil, com seu centro de operações no bairro da Liberdade. E um dos diferenciais da parceria é a manutenção da mesma equipe fora e dentro do Autódromo, algo “fantástico”, importante para o resgate e para a condução médica em caso de algum acidente, segundo Altmann.

“São poucos Grandes Prêmios que tem a felicidade de ter a estrutura que temos aqui. Nós temos um hospital referência em traumas, muito bem equipado, que recebe doentes de trauma todos os dias, e esse mesmo hospital atuando dentro da pista. Então, esse suporte somado a essa comunicação entre o atendimento na pista e o hospital é fantástico. Na maioria dos Grandes Prêmios existe um serviço dentro do autódromo e outro fora, então não é tão eficiente quanto o que temos aqui”, finalizou Dino.