De volta à várzea

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De volta à várzea

Após decepção em retomada da carreira profissional, ex-palmeirense Jorge Preá segue no futebol amador e procura novo emprego

Bruno Ceccon e Jonas Campos - São Paulo, SP 4 de outubro de 2019 18:20:54
 

Jorge Preá, campeão paulista pelo Palmeiras, está de volta ao futebol de várzea. O centroavante chegou a ensaiar uma retomada da carreira profissional pelo Arapongas, mas a empreitada com o time paranaense foi malsucedida e, agora, ele busca um emprego para manter a família.

Em dezembro de 2018, a Gazeta Esportiva noticiou em primeira mão que Preá estava jogando na várzea a e trabalhando como limpador de bueiros para a prefeitura de São Paulo. Ele acertou com o Arapongas em janeiro e jogou dois amistosos, mas não chegou a assinar contrato definitivo e a negociação desandou.

“Para o Arapongas disputar a Segunda Divisão, algum clube precisaria desistir, mas isso não ocorreu e teríamos que jogar a Terceira, que começaria em agosto. Então, para não ficar meses só treinando, conversamos e fomos liberados com o compromisso de retornar na véspera do torneio. Não aconteceu e estou desempregado”, contou.

Com uma procuração do presidente Renato Rodrigues, o gestor Lucas de Moraes iniciou a montagem do elenco e, além de Jorge Preá, trouxe os também veteranos Augusto Recife e Artur. No entanto, após diferenças entre os dois dirigentes, Rodrigues reassumiu o controle do clube – assim, os atletas acertados pelo gestor acabaram fora dos planos.

Pai de cinco filhos, Jorge Preá recebeu a Gazeta Esportiva em sua casa no bairro paulistano da Casa Verde. Enquanto sua esposa vem trabalhando com venda de bolos caseiros, ele retomou a rotina de jogar na movimentada várzea paulistana – se atuar de sábado e domingo, ganha de R$ 600,00 a R$ 700,00.

“Hoje, vários jogadores estão preferindo ficar na várzea, porque é mais confiável em receber do que muitos clubes profissionais que não oferecem estrutura e ainda te cobram bastante”, contou Preá após passagens frustradas por Arapongas e Real Ariquemes.

Antes da tentativa malsucedida de retomar a carreira profissional pelo Arapongas, o centroavante atuou como limpador de galerias e bocas de lobo a serviço de uma empresa contratada pela prefeitura de São Paulo. Orgulhoso do trabalho, do qual se desligou para ir ao Paraná, ele ainda mantém contato com os antigos colegas.

“Na época, muitas pessoas perguntavam: ‘Depois de ter jogado no Palmeiras, você não sente vergonha?’. Vergonha deve ter quem joga lixo na rua e causa enchente. O povo precisa se conscientizar, porque estamos matando o planeta. Não era o que eu queria, mas saía de casa às 6 da manhã na maior satisfação. Tenho pessoas que dependem de mim e preciso trabalhar”, disse.

Jorge Preá disputou sua última partida oficial em fevereiro de 2018, pelo Real Ariquemes, de Rondônia, na Copa Verde. Apesar do já longo período sem atuar no futebol profissional, o ex-centroavante do Palmeiras ainda evita dar a carreira como encerrada.

“É difícil dizer. Está no meu coração continuar, porque, caso contrário, já teria anunciado o final. Mas precisa aparecer uma coisa muito boa para eu sair de casa e deixar minha família. Não posso falar que não voltarei ao profissional, mas o momento agora não é esse. Vamos ver em 2020”, disse.

Em 2008, ao lado de astros como Marcos, Valdivia e Denilson, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, Jorge Preá participou do último título paulista do Palmeiras e marcou um gol importante contra a Portuguesa. Atualmente, enquanto o filho Henry, de 12 anos, já tenta a sorte no futebol, ele tem outras prioridades.

“Saí do Palmeiras há muito tempo e ainda lembram do gol. É um clube que vai estar sempre no meu coração”, disse, em busca de um trabalho. “Não posso ficar sentando, pensando no que já aconteceu. Eu nasci homem e não jogador de futebol. Não fiquei rico com a bola e estou correndo atrás de um emprego para sustentar minha família”, declarou, esperançoso.

Publicado em 4 de outubro de 2019 18:20:54
  • Chico Guru

    “QUEM NÃO TEM CABEÇA, O CORPO PADECE” !

    • Campeão dos Campeões

      Com certeza, corpo sem cabeça não só padece, apodrece! kkkk

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