Promotor recomenda inquérito para investigar manipulações

Theo Chacon* - São Paulo,SP

10-03-2016 12:45:42

Atuante na investigação que desvendou a Máfia do Apito - como ficou conhecido o esquema de manipulação de resultados que envolveu árbitros, apostadores e empresários - há 11 anos, o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro resolveu tomar as rédeas da denúncia sobre fraudes na Série A3 do Paulista e protocolou, nesta quinta, um pedido de inquérito junto ao sistema de inteligência da Polícia.

A questão dos placares arranjados veio á tona a partir de uma reportagem publicada pelo Diário de São Paulo na última semana. A gravação de um áudio, com a versão de um dirigente do Grêmio Barueri, está listada como uma das provas de que o time da região metropolitana de São Paulo recebeu oferta de dinheiro em troca de resultados.

De acordo com o texto, a diretoria do Barueri poderia receber R$ 25 mil caso deixasse o Rio Preto vencer por mais de três gols de diferença. O placar da partida, realizada em 11 de fevereiro, foi de 4 a 0 para o time do interior, mas atletas do Barueri admitem que a "propina" não foi aceita pelo clube.

De posse destas informações, José Reinaldo Guimarães confessou à Gazeta Esportiva que já existem bastante indícios para configurar o crime de fraude, que só passou a ser contemplado no Estatuto do Torcedor por conta de manobras do Ministério Público após a deflagração da Máfia do Apito.

"Fizemos todo um esforço à época da Máfia do Apito para alterar a legislação. Temos ingredientes comuns à Máfia do Apito, que é a vinculação com sites de apostas e a participação direta a partir do gramado. A investigação vai ser feita pela Polícia. Estou mandando o material do Grêmio Barueri, e eles saberão se vão juntar com outras investigações em curso", comentou.

O Sindicato de Atletas de São Paulo (Sapesp) também fez um requerimento no início da semana, por meio do presidente Rinaldo Martorelli, exigindo a ação da Polícia Federal e da Interpol para investigar o esquema de fraude, que é permitido, acima de tudo, pelas bolsas de aposta. Esta, segundo o promotor, é uma prática que precisa ser extinta.

"O que eu vi, nestes últimos 11 anos, foi apenas o aumento do número de sites de apostas, muitos com patrocínio deliberado e relação até com os clubes. Isso é uma contravenção penal clara. Não adianta nenhum mecanismo se não houver uma contenção das apostas. Os sites estão mais fortes do que em 2005, mais bem estruturados. Nós estamos construindo o ambiente para propiciar isso", denunciou.

Em caso de comprovação das irregularidades, caberá ao Ministério Público, após o término das investigações, ser encarregado de determinar a punição aos envolvidos.

*especial para Gazeta Esportiva

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