Oliveira lamenta tragédia e comenta sustos em voos: "A gente vive isso"

Do correspondente Vitor Anjos - Santos,SP

01-12-2016 14:15:45

O trágico acidente com o voo da Chapecoense, que resultou na morte de 71 pessoas nas proximidades de Medellín, na Colômbia, mudou o dia a dia do Santos. Acostumados com atividades descontraídas, os santistas abandonaram os sorrisos desde a última quarta-feira, quando retornaram aos treinamentos após a tragédia com a equipe de Santa Catarina.

Por meio do site oficial do clube, o capitão Ricardo Oliveira falou em nome do elenco do Peixe e lamentou o ocorrido com a Chape. Além disso, o atacante também relatou que já passou por sustos em voos. Ele ainda admitiu que a cabeça dos jogadores "entra em conflito" por correr os mesmos ricos, mesmo sabendo que viajar de avião faz parte do trabalho.

"A gente vive isso toda a semana, todos os meses, todos os anos. Sou profissional há 16 anos, indo para cima e para baixo. Já passei por alguns sustos e você tem que ir porque é o seu trabalho. Lamento muito pela carreira desses atletas ter sido interrompida, segundo algumas informações, por irresponsabilidade. Não conheço muito disso (aviação). Mas vamos lendo e algumas pessoas competentes para fazer algum tipo de avaliação falam dos riscos. Colocar em risco pessoas que têm família, têm sonhos e projetos de vida é muito complicado. Lamento porque perdi amigos e companheiros de profissão. Parece que foi ontem que estive com eles lá em Chapecó, quando eles foram no vestiário depois do jogo e a gente se abraçou, desejamos sorte na Sul-Americana. A nossa cabeça fica em um grande conflito, porque entendemos que corremos os mesmos riscos. Mas é muito triste ver os familiares passando por isso, é muito triste", disse o camisa 9.

Santistas fizeram um minuto de silêncio antes do treino desta quarta-feira, no CT Rei Pelé (Foto: Ivan Storti/Santos FC)
Santistas fizeram um minuto de silêncio antes do treino desta quarta-feira, no CT Rei Pelé (Foto: Ivan Storti/Santos FC)

Oliveira ainda relatou como acompanhou as informações da tragédia durante a manhã da última terça-feira.

"Acho que a palavra mais apropriada para esse momento é dor. Eu expressei isso por volta das 7h (de segunda-feira), quando acordei para levantar meus filhos para irem à escola e, com o hábito de mexer no telefone, tive conhecimento. Mas ainda eram as primeiras informações e eu não imaginava que fosse algo naquela proporção. Na minha cabeça, imaginava que o avião tivesse feito um pouso forçado ou algo do tipo. Não consegui mais pregar o olho acompanhando as atualizações. Depois disso, o nosso ambiente de trabalho fugiu completamente daquilo que estamos habituados, que é um ambiente de alegria, de muita brincadeira. Foi um dia de tristeza muito grande pelo o que aconteceu. Agora, é desejar que Deus possa consolar todos os familiares e que eles tenham um ânimo para que eles consigam tocar a vida", concluiu o centroavante.

Por conta do acidente, o Santos decretou sete dias de luto, decidiu fechar os treinamentos durante a semana e ainda prometeu ceder jogadores emprestados para a Chapecoense. Além disso, os santistas ainda fizeram um minuto de silêncio antes da atividade desta quarta-feira.

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