Marlos se vê no melhor momento da carreira e crê em vaga na Seleção

*Pedro Petrachini - São Paulo,SP

24-02-2017 10:00:20

O meia Marlos é, atualmente, um dos melhores jogadores do futebol ucraniano. O ex-são-paulino, que está na Europa desde 2011, foi eleito, no último ano, o principal atleta do país. Com isso, ele foi convidado por Andriy Shevchenko, um dos grandes atacantes da década passada, para defender a seleção da Ucrânia.

"O Shevchenko é um ídolo, foi um dos jogadores mais importantes do Milan e do futebol mundial e me sinto lisonjeado em saber que ele tem interesse em contar com o meu futebol", garantiu o meia, revelado no Coritiba, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.

Ainda assim, Marlos garantiu que sonha com uma lembrança de Tite, para defender o Brasil. E o fato de atuar em uma liga menos famosa da Europa não tira as esperanças do ex-jogador de São Paulo e Coritiba.

Inclusive, no Tricolor, o meia atuou com Rogério Ceni, que agora inicia a carreira de técnico, no próprio clube do Morumbi. E Marlos não tem dúvida de que o ex-goleiro será um dos grandes comandantes do País.

"Tenho certeza absoluta de que será um dos maiores treinadores do Brasil", cravou o atleta, que atuou na capital paulista entre 2009 e 2011, justamente antes de se transferir para a Ucrânia.


Confira abaixo a entrevista completa do meia do Shakhtar Donetsk para a Gazeta Esportiva:

Gazeta Esportiva: Você vem se destacando no futebol ucraniano, inclusive foi eleito o melhor jogador do Campeonato. Como se sente neste momento da carreira? Acredita que está no auge?

Marlos: Sinto que vivo o melhor momento da minha carreira, sim. Estou bem, mais maduro, faço trabalhos extra-campo com uma equipe de profissionais e estou conseguindo dar meu máximo para ajudar o Shakhtar.

Gazeta Esportiva: Quem são os seus melhores amigos no Shakhtar? O clube tem tradição de contar com muitos brasileiros, você pediu conselhos para algum, antes de trocar o Metalist por seu atual clube?

Marlos: Eu me dou bem com todo mundo, tanto com os brasileiros como com os estrangeiros, mas por ter jogado muito tempo com o Marcio Azevedo somos bem próximos. Nos últimos anos, o Shakhtar tornou-se o clube mais vitorioso da Ucrânia e vem conquistando um grande espaço na Europa. Conseguiu vencer a Copa da Uefa (atual Liga Europa), em 2008/09. Por essas coisas, fiquei muito feliz quando recebi o convite de jogar aqui. Antes de chegar, recebi ótimas referências de todos.

Gazeta Esportiva: Tem o objetivo de atuar em uma liga mais importante da Europa, ou pretende seguir por mais tempo no Shakhtar? Recebeu alguma proposta de times mais importantes da Europa?

Marlos: Eu já recebi algumas boas propostas, sim, mas confesso que não penso muito nisso. O mais importante é estar focado no dia a dia e seguir fazendo um bom trabalho. Quase saí na última janela de transferências, mas se não deu certo é porque não tinha chegado a hora.

Gazeta Esportiva: No Brasil, você defendeu o Coritiba e o São Paulo. Pensa em voltar ao País em algum momento? Tem algum clube que não defenderia, por conta da identificação com as equipes que já defendeu?

Marlos: Eu amo o Brasil e quero voltar a jogar por aí um dia, mas ainda me sinto muito bem e não me vejo retornando nos próximos anos. Tenho alguns objetivos a cumprir por aqui e irei atrás deles. Sobre os clubes que não defenderia, sou um profissional e tenho família, toda proposta deve ser analisada com muito carinho e respeito.

Gazeta Esportiva: Você atuou com o Rogério Ceni no São Paulo. Como era seu relacionamento com ele? Tem acompanhado este início de carreira dele como técnico? Acredita que vai dar certo?

Marlos: O Rogério é um ídolo do esporte e eu o admiro demais. Foi um dos caras mais profissionais com quem trabalhei e não à toa se tornou um dos atletas mais importantes do nosso futebol. Tenho certeza absoluta de que será um dos maiores treinadores do Brasil.

Gazeta Esportiva: Como vê as chances de defender a Seleção Brasileira? Acredita em ganhar espaço com Tite, e de repente chegar à Copa de 2018? Acredita que o fato de atuar em uma liga menos acompanhada no Brasil atrapalha as oportunidades?

Marlos: Um dos meus objetivos é disputar uma Copa do Mundo. Claro que defender a seleção brasileira é o sonho de todo jogador, mas sei que a concorrência é grande. Na minha posição tem jogadores com muita qualidade, mas, quem sabe, surge uma oportunidade. E não acredito que o fato de atuar na Ucrânia diminua as minhas chances porque a comissão técnica da seleção assiste todas as ligas. O próprio Taison já foi chamado mais de uma vez, assim como o pessoal que está na China, como o Renato Augusto, Gil e Paulinho.

Gazeta Esportiva: Recentemente, surgiu a informação de que o Shevchenko pensava em convidá-lo para atuar pela seleção da Ucrânia. Este convite aconteceu? Você aceitaria, caso se confirme?

Marlos: Aconteceu, sim, e me deixou muito orgulhoso. O Shevchenko é um ídolo, foi um dos jogadores mais importantes do Milan e do futebol mundial e me sinto lisonjeado em saber que ele tem interesse em contar com o meu futebol, mas é uma decisão complicada. Preciso conversar bem com a minha família, pois envolve outro país, outra cultura, outros costumes. Além disso, também quero analisar se o grupo de jogadores aceitaria essa possibilidade, se me receberia bem. Tem muitas coisas a serem discutidas antes de tomar qualquer decisão.

*Especial para a Gazeta Esportiva

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