Livre no mercado, Lucão avalia passagem pelo São Paulo: “Foi minha vida”

Marcelo Baseggio - São Paulo,SP

08/06/19 | 05:00 - 07/06/19 | 21:46

Aos 23 anos, Lucão busca um novo clube para seguir com sua carreira. Recuperado de uma lesão no joelho esquerdo, o zagueiro revelado nas categorias de base do São Paulo e que teve seu contrato encerrado na última terça-feira precisará se acostumar com uma nova rotina, da qual o clube do Morumbi já não faz mais parte. Mas, apesar de todas as críticas e momentos turbulentos que viveu com a camisa tricolor, o atleta guarda um carinho muito especial por tudo o que a instituição proporcionou a ele.

Os últimos meses foram de muito trabalho para Lucão. Emprestado ao Estoril, de Portugal, o zagueiro sofreu uma grave lesão de cartilagem no joelho e teve de retornar ao Brasil. Ele fez todo o tratamento no Reffis ciente de que o São Paulo não planejava contar com o seu futebol e esteve perto de fechar com o arquirrival Corinthians. No fim, a negociação com o Timão não deu certo, mas, independentemente do desfecho das tratativas, o atleta demonstrou gratidão pela forma com a qual o Tricolor sempre o tratou.

“Todos esses anos que passei no São Paulo foram a minha vida, foi o que eu vivi, o que construí para mim e para a minha família. Então, acho que foi a minha vida. Sou muito grato primeiramente a Deus e depois ao São Paulo por tudo o que me proporcionou, porque cada experiência, cada momento que vivi ali, valeu muito a pena, porque me formou como homem e também como atleta”, disse Lucão em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.


Promovido ao profissional do São Paulo como um jovem bastante promissor, Lucão não conseguiu repetir no CT da Barra Funda o desempenho que teve na base e aos poucos foi se tornando um dos jogadores mais criticados pela torcida. As falhas dentro de campo passaram a assombrar o jovem zagueiro, que tão cedo precisou administrar uma situação bastante incômoda.

“Acho que na vida a gente se arrepende de muitas coisas, não só do lado profissional, mas também de muitas coisas que fazemos, atitudes, enfim. Isso é algo que cabe a mim refletir , pensar sobre o que foi feito de bom e ruim, e as coisas ruins não fazer de novo. Tem muitas coisas que a gente faz e se arrepende, e outras que também não fazemos”, prosseguiu.

“A gente fica um pouco chateado quando a torcida vaia ou critica, porque nos importamos com a profissão, nos incomodamos com isso. Se você não se incomoda, você não se importa com aquilo que você faz, não ama aquilo que faz. Eu amo a minha profissão, meu sonho sempre foi jogar futebol, sempre quis estar ali. Mas, sei que estão no direito deles, o torcedor sempre vai ser assim, é cultural no Brasil. Quando você está bem, ele vai te aplaudir. Quando você for mal, ele vai te vaiar. É algo que vai acontecer aqui ou em qualquer outro clube”, completou.

Pronto para alçar novos voos, Lucão tem algumas propostas na mesa, uma delas do Vissel Kobe, do Japão, time de jogadores consagrados, como Andrés Iniesta, David Villa e Podolski. O zagueiro comentou sobre a possibilidade de compartilhar vestiário com grandes nomes do futebol mundial, mas não se limitou apenas a isso. Abaixo você confere a entrevista completa da Gazeta Esportiva com Lucão.

Vissel Kobe

Para mim essa proposta do Vissel Kobe, poder jogar ao lado de Iniesta, David Villa, Podolski, são atletas que marcaram história no futebol mundial, principalmente na Europa, então para mim seria um grande prazer, um privilégio jogar ao lado de jogadores como esses. Se isso se concretizar, vou ficar muito feliz, dar meu melhor em prol do clube.

Propostas

Temos algumas coisas, algumas propostas oficiais e alguns interesses, sondagens. Tem muita coisa boa que eu acho que pode acontecer em um futuro próximo, creio que logo menos teremos boas notícias aí. Por ainda não terem se concretizado, acho que não vale falar. Mas, aqueles que já saíram, vocês sabem as propostas. Essa do Vissel Kobe é uma delas.

Negociação com o Corinthians

A negociação com o Corinthians na época eles queriam contratar um zagueiro, estavam querendo contratar o Manoel e me contratar. Por conta da minha lesão, ainda faltavam dois meses e meio para eu voltar, por conta disso a negociação acabou ficando no meio do caminho. Eles me queriam pronto, achava que eu já estava pronto, mas infelizmente ainda não estava, estava me recuperando. Tanto que em dois meses e meio depois estava pronto. Hoje estou 100%, mas na época não estava.

Diferença no trato da base em sua época para hoje em dia

Dos jogadores que são promovidos ao profissional não vejo tanta diferença de tratamento da minha época para agora. Acho que a única coisa que pode ter mudado é que até a minha época e os que subiram antes de mim, acho que demoramos um pouco mais pra jogar, fiquei praticamente um ano só treinando no profissional, Rodrigo Caio também. Mas isso não quer dizer nada, eles tratavam com um pouco mais de cautela, hoje está algo mais prático, mais simples. O garoto que se destaca sobre, começa a jogar, se firma no profissional e ponto final.

Maior sonho no futebol

Meu maior sonho dentro do futebol é o sonho da maioria dos jogadores brasileiros, que é chegar à Seleção Brasileira, disputar uma Copa do Mundo, defender seu país, acho que esse é um privilégio que poucos tem. Claro, penso alto, penso grande, penso lá na frente. Espero retomar minha carreira, voltar de uma lesão, dar os próximos passos e, quem sabe, futuramente concretizar esse sonho.

Voltaria ao São Paulo?

Sim, porque não sei o dia de amanhã, o que pode acontecer. Sobre isso nunca podemos dizer nunca. Até porque, amanhã ou depois, tudo muda, as coisas mudam. Temos exemplos de jogadores que saíram do São Paulo em situações semelhantes à minha e depois voltaram, como o Kaká. Claro que cada situação é uma situação, mas voltou para o São Paulo, time do coração dele. Isso é uma coisa que pode acontecer, sim.

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