Ceni dispara contra o VAR em jogo entre Atlético e São Paulo: "Tem que parar de encher o saco"

São Paulo, SP

10/07/22 | 22:01

O técnico Rogério Ceni não tem gostado da atuação do árbitro de vídeo (VAR) nos jogos do São Paulo e também em qualquer outra partida, conforme disse nesta noite, no Mineirão, em coletiva de imprensa após o empate sem gols diante do Atlético-MG.

"Acho que está havendo um preciosismo extremo do VAR. O VAR está chamando muitas situações, demorando. O lance que eles tentaram jogar um pênalti em cima do Miranda, é vergonhosa a intervenção do VAR. É desnecessário, a favor ou contra, é uma tentativa de pressionar o árbitro, trouxe mais pressão do que o árbitro tinha antes, porque ele marcava e o jogo seguia", iniciou Ceni, falando sobre a análise da tecnologia em um lance entre Miranda e Hulk.

"Uma coisa é determinar linha de impedimento, se a bola entrou ou não, mas com a pressão de 53 mil pessoas aqui, cada lance que tem, gera qualquer… O árbitro tem a convicção, tem que seguir o que ele viu, e o VAR tem que parar de encher o saco. Nós vimos o River (Plate) ser eliminado (da Libertadores) com um gol normal. O VAR não é isso. Todo jogo quer inventar pênalti, nos últimos cinco minutos, se joga só pelo VAR, não pelo jogo, é lamentável”, complementou.

Sobre o jogo, Ceni destacou as atuações de jogadores da base são-paulina, como Luizão, que atuou pela primeira vez em um Campeonato Brasileiro. Diante de tantos desfalques, ele foi o escolhido para iniciar o jogo.

“A dificuldade pode trazer oportunidade, cada um entende de uma maneira. Ele pode dizer ‘entrei numa fria’ ou pode dizer ‘entrei para marcar talvez o melhor atacante do país, que é Hulk’. Acho que ele aproveitou a situação, jogo aéreo firme, foi bem hoje nas individualidades, claro que precisa ajustar algumas coisas, mas teve uma boa postura, hoje foi um dos grandes destaques do nosso time", finalizou.

O São Paulo enfrentará o Fluminense, no domingo, no Morumbi, às 16h (de Brasília), pela 17ª rodada do Brasileirão. No entanto, antes, na quinta-feira, tem decisão contra o Palmeiras, pela volta das oitavas de final da Copa do Brasil contra o Palmeiras, no Allianz Parque. O Tricolor tem a vantagem de 1 a 0 pelo jogo de ida.



Veja outros trechos da coletiva de Rogério Ceni:

Jogadores jovens da base

“Eles vão ajudar com o passar do tempo, alguns já vêm… Nestor, Welington, Sara, já vêm ajudando, ele (Sara) de uma forma diferente, também ajudando o clube, através do investimento que foi feito nele, dando retorno, e tantos outros jovens jogadores. Agora essa nova safra, do sub-17 principalmente, que vem subindo. Acho que tem que ter um pouco mais de calma com eles. No futuro, sem dúvida nenhuma, a gente tem essa solução. Eu gosto de dar espaço, eu vim de lá, morando embaixo das arquibancadas do Morumbi, então eu sei o quanto foi difícil chegar ao profissional. Depende muito deles, da ideia que eles comprarem, do comprometimento que eles tiverem e mesclando com a experiência, a gente não pode deixar de destacar. É uma mescla com os experientes, com contratações que venham, porque o São Paulo também precisa, o que não podemos é fazer contratações equivocadas e nem que a gente não consiga pagar, mas o clube é aberto a boas negociações, não pode cometer erro grotesco, porque isso compromete a situação financeira do clube”.

“Meu comprometimento com o clube é tentar resgatar aquilo que a gente já conhece do São Paulo, ou seja, trabalhar para diminuir dívida, diminuir folha salarial a longo prazo, lançar muitos jogadores. Agora, também tem que ter a paciência das pessoas, porque, para sanar essas dificuldades todas, não vamos conseguir ter os nomes que as pessoas esperam, mas o meu time, aquele que eu trabalhei por 25 anos, meu comprometimento é esse. Acabamos hoje o jogo com o meio-campo sub-19, Pablo, Moreira e Rodriguinho, mais Talles, que jogou o tempo todo, Luizão na zaga. Mas tem que ter paciência. Vamos ganhar que título? Não sei, vamos brigar pelo máximo de desempenho possível, para chegar o mais longe possível. Mas requer tempo, comigo ou outro profissional, com esse presidente ou outro… Requer profissionalismo, paixão e abrir mão de outras coisas, como diminuir folha salarial”.

Retorno de atletas lesionados e suspensos

“Primeiro, me dá um alívio muito grande de ter um dia a mais de recuperação. O jogo de domingo para quinta tem uma diferença muito grande para o jogo de quinta para o jogo de domingo às seis da tarde. Esse dia é propício para se recuperar melhor. Tem as voltas do Léo, Diego, Nestor, Luciano e Neves, isso ajuda bastante. Vamos ter uma batalha muito grande na quinta contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, e depois jogos de três em três dias pelo Brasileiro. Ou seja, quanto mais jogadores tivermos, quanto melhor condição física esses jogadores do DM estiverem, acho que é o mais importante. Que eles voltem, teremos mais dias para trabalhar e é justo que eles (lesionados) se preparem bem porque, quando retornarem, estejam com força máxima, porque os torcedores vão cobrar”.

Protesto dos jogadores

“Eu não sabia do protesto antes de começar (o jogo). É uma mudança de lei que querem fazer, né? Já faz cinco anos que está no Senado e agora foi para votação. Tira vários direitos do atleta de futebol, e ele está certo (em protestar). Nenhum atleta foi ouvido, nenhum treinador. Mas como só se faz política neste país… O jogador, com contrato em vigência, é mandado embora e não recebe mais nada. O jogador tem uma dívida para receber do clube, ele parcela, você sabe como é. Querem aumentar o direito de imagem do jogador. O que mais atrasa? O direito de imagem. O sindicato dos atletas nunca fez nada pelos atletas, pelo menos quando eu trabalhava nunca fez nada. Os atletas estão certos. Não é nem tentando tirar benefícios, são direitos dos atletas. Um deputado que senta lá no ar condicionado, obscuro, como tudo que é feito nesse país, os atletas estão mais do que certos. Tem que contratar assistência jurídica para ir até o fim”.

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