Carlos Brazil quer Corinthians protagonista na base e se diz em dúvida sobre Sub-23

Tiago Salazar - São Paulo,SP

17-06-2021 15:41:05

Carlos Brazil concedeu sua primeira entrevista coletiva como gerente da base do Corinthians. Na tarde desta quinta-feira, ele se apresentou e falou aos jornalistas sobre planos, metodologias e, também, sobre a categoria Sub-23, que sempre gera muito debate entre torcedores e no Parque São Jorge.

"Eu, em algumas das pós-graduações, fiz um TCC uma vez defendendo, veementemente, o Sub-23. No decorrer do tempo, vi que talvez não fosse o modelo ideal. E a gente debate isso no Movimento de Clube dos Formadores, onde estou como presidente interino. Debatemos com a CBF, porque estamos sempre num processo de melhoria. Muitos clubes já entendem que o Sub-23 não é o ideal, ideal talvez fosse o Sub-21. Hoje, existe dentro do Corinthians. O que precisamos fazer é melhorar os processos, para ela ser uma equipe de transição", comentou Carlos Brazil, antes de completar.

"Se o clube entender que é algo positivo, então, vamos fazer que seja realmente positivo, que seja uma equipe de transição. Muitas vezes, um atleta que estoura nos 20 anos, podemos manter ele aqui dentro do Corinthians. Mas, isso precisa ser debatido. Como não é obrigatório, peca pela falta de calendário, a CBF precisa dar um tratamento melhor a esse aspecto, as federações também, não sei qual é o pensamento da federação paulista, não conversei com ninguém. Pode ser positivo, mas, se não for bem trabalhado, pode virar apenas custo. E a gente não quer isso. A gente quer que seja uma fase de transição e seja adequado".

Ex-executivo da base do Vasco da Gama e considerado um dos melhores profissionais do ramo, Carlos Brazil se desligou do clube carioca depois de decidir aceitar a proposta corintiana para assumir o posto antes ocupado pelo ex-goleiro Yamada.

Além do novo gerente, a base do Timão conta com o diretor da área, Osvaldo Neto, e Jacinto Antônio Ribeiro, o Jaça, que não tem cargo oficial, mas segue sendo o nome de maior influência no departamento.

O ex-meia Alex, coordenador da base, tem sua função mais ligada à transição com o elenco profissional.

Além de Yamada, o Corinthians viu se despedirem nas última semanas o analista de mercado Pedro Venâncio, que acertou com o Athletico-PR, o treinador Carlos Leiria, que deixou a categoria sub-15, e o analista de desempenho Yan Viegas.

Por ora, apenas Sarah Borborema foi contratada para integrar a equipe de comunicação.

Na entrevista desta quinta, Brazil explicou como pretende trabalhar, que projetos espera implantar e de que maneira ele acredita que o Corinthians deve agir no mercado da base.


Veja todas as respostas do novo gerente da base do Timão:

Metas e transição
"Uma coisa é a formação e outra coisa é a transição. Ganhar títulos é consequência de um bom trabalho quando você forma. Lógico que o objetivo principal é formar atletas, para ter retorno técnico e financeiro, mas temos de formar bem para isso, e a disputa de títulos é consequência. O que a gente coloca como objetivo é estar entre os melhores. Os títulos são consequências desse bom trabalho".

"A transição é um problema de quase todos os clubes. Não se achou o modelo ideal. Isso é facilmente explicável. Eles se formam com atletas da idade deles e, de repente, eles batem com outras idades, uma pressão muito maior, mídia, torcida, ambiente muito diferente. Isso tudo precisa ter uma fase de adaptação. Existe uma forma, um projeto, que tem que estar muito bem aliado com o profissional, para que eles façam uma transição. Vão lá, treina, vai para um jogo, ambiente de concentração, hotel, volta para a base, de maneira que eles entendam".

Dificuldade para atletas/empresários entenderam o processo
"Não é só ansiedade do atleta, do agente, tem da família também. Tem de administrar isso, mas é uma questão cultural. Quando estabelece, todos começam a ver resultado e começam a respeitar ele".

Projetos para serem implantados
"Não tem segredo. Tem de ter profissionais qualificados trabalhando. Só assim vai formar. Eu vim por indicação, mas os trabalhos em outros clubes foram mérito de uma equipe de trabalho. Se não tem uma equipe qualificada em cada setor, na preparação física, técnica, administrativa, nutricionistas... em tudo, não adianta. Tem de ter. É a primeira coisa para obter sucesso. A segunda é ter metodologia e processo. Se você estiver organizado, as equipes sabendo como atuar, independente do treinador. O frango é o mesmo, mas o tempero é de cada treinador e a gente deixa à vontade para isso. Ter um modelo de jogo que vire cultura no clube para que se formem e cheguem ao profissional para jogar em qualquer modelo de jogo, porque é assim, os treinadores dependem de resultado, é uma realidade, a gente tem de se adequar. Se entrar um treinador com outro tipo de jogo, os meninos têm de se adaptar a isso. Se ele vai à Seleção, vai jogar de outra maneira, ele tem de estar preparado. Ele tem de estar preparado, mesmo que ele não jogue no Corinthians. A gente espera que todos deem retorno técnico e financeiro para o clube, mas se não for o caso, que eles possam seguir a carreira deles".

Momento financeiro complicado
"A gente tem de formar bem para que te entregue jogadores qualificados. Vejo como muito importante o foco na captação, ali você prepara o menino para jogar no Corinthians. A gente vai focar nisso. Quando chega na fase do alto rendimento, dos 15 aos 20, 23 anos, eles têm de estar preparados. As análises de mercado têm de estar muito ..... Essa é uma questão que a gente pode resolver. Evidentemente, Quando o clube tiver mais estruturado financeiramente, vamos poder contratar grandes jogadores para o sub-20, mas não é o objetivo principal neste momento. É formar e trazer reforços para posições pontuais onde um menino não teve o desenvolvimento adequado. E a gente vai ao mercado de outras maneiras. Em outros clubes eu passei por isso, você traz o jogador emprestados, com valor fixado, para ver se ele vai se adaptar ao clube, e aí sim você vai avaliar se vale um investimento".

CT da Base
"O ideal sempre é que tudo esteja no mesmo lugar. O CT do Corinthians é de primeira linha, atende perfeitamente a formação. Óbvio que a questão de hospedagem, todo o processo dentro do clube, isso é fundamental também, mas isso tudo no seu devido tempo. O CT já atende perfeitamente para que agente possa fazer um excelente trabalho. Quando tiver a hospedagem, será algo que vai permitir a gente fazer o trabalho ainda melhor".

Estilo de jogo
"Ainda não tive oportunidade de conversar com a comissão técnica e diretoria profissional, mas entendo que temos de criar um modelo para os meninos estarem prontos para atender a demanda do profissional. Isso não quer dizer que temos de jogar igual ao profissional. O profissional joga com objetivo do resultado, e nós da formação. Quando muda o objetivo, muda a forma de chegar nele. Tem de formar bem para atender ao treinador, que hoje é o Sylvinho. O Corinthians é um time muito grande e precisa ser protagonista, pra isso precisa ter a bola, a posse da bola, jogar de uma forma agrupada, o que chamamos de jogo de posições. Isso vai fazer o menino se formar muito bem. Precisamos estar atentos à parte física, fisiologia, para entregar da melhor maneira ao profissional. Existe a questão da maturação, eles oscilam. Muitas vezes, vão chegar bem, vão fazer jogos melhores, piores, isso é natural. Mas, precisamos fazer que eles cheguem adaptados para um objetivo que lá é única: vitórias, conquista de títulos".

Interferências políticas
"É muito simples. Não vejo nada como interferência política. Eu não político, sou profissional, tento fazer o melhor e entendo que tem de se escutar a todos. Toda diretoria do clube, torcedor, sócios, todos têm o direito de se colocar, fazer críticas, estamos aqui para escutar, filtrar, e para fazer o melhor para o clube. Não somos donos da verdade, por isso falo que o trabalho da equipe é importante. O que vem de fora vai ser analisado, debatido. Futebol, hoje, requer estudo. Precisamos estar sempre estudando, atualizando, e esse debate é importante. Vamos procurar tomar as medidas que sejam positivas para o clube".

Nova equipe de trabalho na base
"Temos de ter profissionais extremamente qualificados. Eu soube que houve saída de bons profissionais, mas vamos buscar no mercado profissionais qualificados para suprir essas posições. Evidente que o Corinthians tem uma história na formação. A história do Corinthians demonstra que a formação sempre foi muito bem realizada. A gente vive um processo de evolução, precisamos estar sempre evoluindo, atualizado. Precisamos ter um processo de melhoria contínua. O que está bom, vamos procurar melhorar. O que não existe, vamos implantar. Não tenho a menor dúvida de que quem virá vai conhecer rapidamente o processo e o projeto".

Avaliação do clube
"Eu estou muito pouco tempo. Cheguei na segunda-feira no clube, busquei algumas informações já, mas é muito pouco para fazer uma avaliação mais profunda dos atletas. A gente precisa fazer um diagnóstico para implantar no que a gente acredita de processo, de projeto. Não dá ainda para ter uma avaliação. Acredito que em pouco tempo a gente vai fazer isso".

Mudança na comunicação
"A parte técnica não basta. A gente tem de ter trabalho em todos os segmentos. Não adianta o atleta não ter uma preparação física adequada, psicologia atuando, pessoal da supervisão, logística de viagem, é muita gente trabalhando. A gente trouxe uma assessoria de imprensa para o clube, para a base, pensando nisso. Os meninos precisam ter um trabalho de media training, porque eles se comunicam, precisam ter essa condição. E com o torcedor, ele é a razão de tudo, vejo sempre com carinho, respeito, procura estar respondendo a todos, até nas redes sociais também. A gente vai estar sempre aberto, para tirar dúvidas, para esclarecer sobre projetos e absorver críticas construtivas. A gente ouve a todos".

Chega mais quem
"É uma questão de readequação. Não é reestruturação. Os profissionais aqui me parecem competentes, todos são sempre avaliados, assim como eu. A gente precisa sempre estar sendo mensurado em relação aos resultados. Não há reestruturação. Há readequação. Vamos trazer profissionais, onde a gente veja a necessidade. Não vamos trazer porque é amigo, porque é simpático. Existe profissionalismo, que exige qualificação. Processo é de melhoria contínua. Precisamos olhar para frente, melhorando as áreas onde precisa melhorar. Ninguém vai se contratado por ser contratado".

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