Antes de Andrés, dívida do Corinthians já vinha crescendo com Gobbi e Roberto de Andrade; veja gráficos

Tiago Salazar - São Paulo,SP

13-06-2020 05:00:52

A divulgação do balanço financeiro do Corinthians de 2019 gerou uma série de críticas pesadas sobre gestão liderada por Andrés Sanchez. O déficit de R$ 177 milhões representa um recorde e já refletiu até mesmo em mea-culpa por parte de alguns dos atuais dirigentes do clube, principalmente no que diz respeito aos gastos com contratações.

Mas, no estudo feito pela Pluri Consultoria, é possível observar que o Corinthians não tem trilhado para o melhor cenário administrativo há alguns anos, não só durante o mandato do atual presidente.

É evidente, pelos números expostos, que os saltos negativos de 2018 para 2019, de fato, são incomparáveis com outras épocas. Porém, também é visível que a curva da dívida já vinha ascendente quando Andrés reassumiu o principal posto do clube.

Também é perceptível no relatório da Pluri Consultoria que em alguns aspectos houve até mesmo melhora em comparação com os resultados dos últimos anos.

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ENDIVIDAMENTO LÍQUIDO

De 2012 até 2014, sob o comando do então presidente Mário Gobbi, o Corinthians registrou um aumento no endividamento líquido de R$ 177 milhões para R$ 372 milhões.

Em 2015, no primeiro ano de mandato de Roberto de Andrade, sucessor de Gobbi na presidência, o balanço final neste aspecto foi ainda pior: R$ 453 milhões. Roberto de Andrade conseguiu frear a evolução, mas passou o bastão com o endividamento líquido em R$ 425 milhões.

Em 2019, este número fechou em R$ 765 milhões.

(Reprodução Pluri Consultoria)

DÍVIDA TRABALHISTA

A dívida trabalhista do Corinthians também sofreu forte alteração na gestão de Mário Gobbi e foi de R$ 25 milhões para R$ 88 milhões. Roberto de Andrade entregou esta dívida em R$ 73 milhões. Com Andrés, ela fechou em R$ 30 milhões, em 2018, e R$ 53 milhões, em 2019.

(Reprodução Pluri Consultoria)

EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS

Quanto aos empréstimos e financiamentos, os números apresentam bastante variação. Foram R$ 34 milhões com Mário Gobbi, em 2012, e R$ 84 milhões com Roberto de Andrade, em 2015. O mesmo Andrade ainda fez esse número despencar para R$ 11 milhões, em 2017. Andrés Sanchez, porém, fechou 2019 com R$ 97 milhões.

(Reprodução Pluri Consultoria)

CUSTO APARENTE DAS DÍVIDAS

O custo aparente das dívidas, relacionado ao resultado financeiro de ativos, fechou 2019 em 9%. Em 2015, com Roberto de Andrade, este custo foi de 17%, ainda longe do pico alcançado com Mário Gobbi, em 2012, quando o balanço foi de 32%.

(Reprodução Pluri Consultoria)

DESPESAS

As despesas explodiram em 2019 ao baterem R$ 603 milhões, um aumento de R$ 114 milhões em relação a 2018, quando o próprio Andrés já era presidente. Entretanto, essa evolução perigosa não chega a ser novidade no Corinthians, afinal, desde 2013 a linha deste gráfico apenas sobe, com exceção ao intervalo entre 2017 e 2018, em que ela praticamente não se alterou.

(Reprodução Pluri Consultoria)

RESULTADO FINANCEIRO LÍQUIDO

O resultado financeiro líquido teve seus melhores e piores momentos no Corinthians sob o comando de Roberto de Andrade. Se Andrés fechou 2019 com R$ -71 milhões, Andrade foi de R$ -75 milhões, em 2015, para R$ -3 milhões em 2016.

(Reprodução Pluri Consultoria)

MATCHDAY

Com o crescimento da dívida em 2019, principalmente por causa do aumento nas despesas e da queda na receita com venda de atletas, poucos perceberam alguns pontos positivos relatados no último balanço e que podem ser comprovados na comparação com anos anteriores.

Um exemplo é a receita obtida com o “matchday”, ações promovidas pelo clube em dias de jogos. O ano de 2019 registrou a segunda melhor arrecadação deste quesito desde 2013. Foram R$ 80 milhões, o que significa R$ 13 milhões a menos do que o clube conseguiu em 2017, porém, mais do que foi arrecadado nos outros anos.

(Reprodução Pluri Consultoria)

OUTRAS RECEITAS

As receitas não oriundas de cotas de TV, bilheteria ou patrocinadores também apresentaram um bom número: R$ 28 milhões. Em 2013, por exemplo, o clube conseguiu apenas R$ 1 milhão desta maneira, que envolve valores com premiações, loterias, estádio, patrimoniais, clube social e esportes amadores.

(Reprodução Pluri Consultoria)

MARKETING + COMERCIAL

Os departamentos de marketing e comercial também podem ser preservados de críticas pelo trabalho desenvolvido em 2019, dependendo da avaliação. Pois, os R$ 82 milhões arrecadados só ficaram atrás de 2012, quando a gestão de Gobbi conseguiu R$ 100 milhões, e 2017, quando Roberto de Andrade fechou com R$ 84 milhões.

(Reprodução Pluri Consultoria)

RECEITA BRUTA

O mesmo Roberto de Andrade conseguiu R$ 298 milhões em receita bruta em 2015, ano em que o Corinthians foi campeão Brasileiro. No balanço de 2019, a gestão de Andrés Sanchez fechou com uma receita bruta de R$ 426 milhões.

(Reprodução Pluri Consultoria)

CENÁRIO POLÍTICO

Mário Gobbi foi presidente do Corinthians de 11 de fevereiro de 2012 até 7 de fevereiro de 2015. Roberto de Andrade ocupou o cargo de 8 de fevereiro de 2015 até 3 de fevereiro de 2018. Ambos foram vice-presidentes e diretores de futebol antes se elegerem sob influência de Andrés Sanchez, que esteve na presidência de outubro de 2007 ao fim de 2011 e reassumiu no início de 2018.

O Corinthians tem eleições marcados para 28 de novembro e Mário Gobbi, apesar de ainda não ter lançado candidatura, aparece como nome forte, desta vez como oposição ao grupo que está no poder.

De 2008 até 2019, o Corinthians conquistou três títulos Brasileiros, cinco Paulistas, uma Copa do Brasil, uma Libertadores, uma Recopa Sul-Americana e um Mundial de Clubes, o que faz do período o mais vitorioso do clube em toda sua história.


 

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