COPA DO MUNDO 2018 RÚSSIA

A estreia com derrota da Alemanha na Copa do Mundo não rendeu apenas críticas da imprensa local quanto a atuação coletiva do time comandado por Joachim Low, mas também a alguns destaques individuais que renderam abaixo do que era esperado. Um desses atletas é Mesut Ozil, criticado publicamente por um dos maiores ídolos do país: Lothar Matthaus.

Campeão mundial e capitão na Copa de 1990, Matthaus não poupou o meia do Arsenal de críticas. Em sua coluna no jornal alemão Bild, o recordista de jogos pela seleção tetracampeã tratou a derrota para o México por 1 a 0 um fracasso e, entre outras coisas, considerou Ozil um jogador “sem alegria” e “sem coração”.

Ozil foi titular da Alemanha na estreia com derrota na Copa do Mundo (Foto: Kirill KUDRYAVTSEV/AFP)

“A linguagem corporal dele (Ozil) é negativa para o grupo, ainda mais porque ele joga sem alegria. Tenho a sensação de que ele está incomodado com a camisa da seleção alemã, algo como se não quisesse jogar. Não tem coração, nem alegria, nem paixão em seu futebol. Diante de suas última atuações, não excluo a chance de ele se retirar da seleção após a Copa da Rússia”, disse o ídolo.

Além das críticas sobre seu futebol, Ozil também é constantemente alvo de questionamentos por parte dos alemães devido a sua postura e suas atitudes. De origem turca, o jogador costumeiramente não canta o hino nacional e na Rússia foi o único a não saudar os presentes antes no estádio antes do início do jogo.

“Ozil não compreende o que se espera de um jogador que veste a camisa da seleção da Alemanha. Eu insisto. Não tenho nenhum problema com Ozil por não cantar o hino, pois isso depende de cada jogador. Seja de raiz alemã, turca ou africana. Mas o que eu vi depois do hino em Moscou me enfureceu muito. Enquanto todos os outros dez alemães saudaram os presentes no estádio, Ozil preferiu se manter intacto e não o fez”, completou.



A Fifa garantiu que não irá divulgar o conteúdo das conversas entre o árbitro de vídeo e o juiz mexicano César Ramos, que apitou o confronto entre Brasil e Suíça, no último domingo, em Rostov. A entidade que regula o futebol mundial, por meio de uma carta, alegou à CBF que todas as decisões da arbitragem foram acertadas.

Na última segunda-feira, a CBF acabou oficializando uma reclamação à Fifa por conta de dois lances que, ao seu ver, foram decisivos no empate em 1 a 1 com a Suíça. Na visão da entidade, Zuber faz falta em Miranda no lance do gol suíço, além de Gabriel Jesus ter sofrido falta de Akanji dentro da área, o que configuraria um pênalti para a Seleção Brasileira no segundo tempo.

Desta forma, a entidade brasileira pediu para que fosse divulgada a conversa do árbitro de vídeo com o juiz César Ramos. A Fifa, porém, se negou a repassar os diálogos, crendo que tal ação comprometeria o trabalho dos mesmos, além de não preservar a privacidade de seus profissionais.

O ofício enviado à CBF foi assinado por Pierluigi Colina, atual diretor do departamento de arbitragem da Fifa e responsável por ter apitado a grande final entre Brasil e Alemanha, na Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e Japão.

Apesar de não ter seu pedido atendido, a CBF crê que suas objeções perante à Fifa trarão resultados. Na visão da entidade, era preciso se posicionar de maneira firme sobre o tema até como forma de pressionar os responsáveis pela arbitragem deste Mundial a revisarem os procedimentos relacionados à tecnologia, que ao mesmo tempo que decide partidas, vem protagonizando algumas polêmicas.

Vale lembrar que a própria Fifa já garantiu que o VAR não irá esclarecer todos os lances duvidosos de uma partida de futebol. O uso da tecnologia é usado apenas em jogadas específicas, e o árbitro tem autonomia para interpretar da maneira que achar mais coerente as ações dos atletas em que não há um erro escandaloso.

A tendência é que aconteça uma entrevista coletiva de autoridades da Fifa para falarem sobre a implementação do VAR na Copa do Mundo após o final da primeira fase do torneio. Por enquanto, a posição oficial da entidade é de que todos estão satisfeitos com os resultados da tecnologia no futebol.




Técnico tem 17 vitórias, quatro empates e uma derrota no comando do Brasil (foto: Pedro Martins/Mowa Press)

O dia 20 de junho é especial para Tite. Foi nesta data, há exatos dois anos, que o técnico substituiu Dunga no comando da Seleção Brasileira com a missão de resgatar a credibilidade perdida na humilhante derrota por 7 a 1 para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014. Naquela época, o objetivo era preparar um time competitivo para o Mundial da Rússia, que ele vivencia agora.

Campeão mundial pelo Corinthians em 2012, Tite acreditava que seria o sucessor de Felipão logo após o Mundial do Brasil. Por isso, ao deixar o clube do Parque São Jorge pela segunda vez, dedicou toda a temporada de 2014 aos estudos, excursionando pela Europa. Acabou preterido por Dunga, que resistiria no cargo até a eliminação precoce na Copa América Centenário, há dois anos.

De volta ao Corinthians em 2015, Tite foi novamente campeão brasileiro e tornou-se o favorito a assumir o Brasil quando Dunga foi demitido. Com a sua contratação confirmada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), teve a sua apresentação realizada na sede da entidade no mesmo dia do anúncio do acerto.

No primeiro pronunciamento à frente da Seleção Brasileira, Tite recorreu a algumas frases feitas que usa até hoje e fugiu de polêmicas como pôde. Esquivou-se sobre os problemas políticos (e policiais) que envolvem a CBF, abdicou de comandar o time olímpico (que seria campeão no Rio de Janeiro) e prometeu recorrer à ajuda de treinadores de clubes.

Em sua estreia, que disse encarar com “coragem”, Tite celebrou uma convincente vitória por 3 a 0 sobre o Equador, em Quito. A sua primeira escalação já era a base da Seleção Brasileira que atua na Rússia hoje. Tinha Alisson no gol, Miranda na zaga, Casemiro e Paulinho na contenção do meio-campo, Willian e Neymar nas pontas e Gabriel Jesus no comando do ataque. Já o lateral direito Daniel Alves só perdeu espaço por contusão, enquanto o zagueiro Marquinhos e o meia Renato Augusto, que estão no Mundial, acabaram preteridos por Thiago Silva e Philippe Coutinho no time titular.

Tite também não decepcionou nos jogos seguintes. O treinador chegou à Rússia com 17 vitórias, três empates e apenas uma derrota, para a rival Argentina, na bagagem. Ao todo, comemorou 17 gols e lamentou só cinco. O desempenho foi suficiente para tornar o Brasil um dos favoritos ao título mundial em 2018.

Após a primeira rodada do grupo E da Copa do Mundo, o otimismo de alguns brasileiros diminuiu. Tite aprovou a atuação do Brasil em “dois terços do jogo” no empate por 1 a 1 com a Suíça, na Arena Rostov, e tentou manter a calma para a sequência do torneio que poderá lhe assegurar uma longevidade muito além dos dois anos no comando da Seleção Brasileira.



Assim que deixaram a Arena Rostov, em Rostov do Don, os jogadores da Seleção Brasileira fizeram questão de colocar panos quentes na situação incômoda de estrear na Copa do Mundo apenas com um empate diante da Suíça. O discurso geral foi de “calma” e confiança na classificação às oitavas de final.

Passado o baque inicial, agora o momento é de ‘tocar o dedo na feria’ e entender o que precisa melhorar. E ninguém melhor do que um dos cérebros da equipe de Tite para expor as lições do tropeço da estreia.

“O primeiro jogo envolve muitas coisas, há uma série de fatores, como estreia em Mundial. Todo mundo estava ansioso. Criamos bastante, como durante as Eliminatórias, mas, de repente, deveríamos finalizar melhor. Também foi conversado isso. Deveríamos ter trabalhado um pouco mais a bola pelos dois lados”, avaliou Philippe Coutinho, escolhido como ‘o cara do jogo’ pela Fifa na ocasião. Nem por isso, o meio se deu por satisfeito com o desempenho.

“Tínhamos que virar mais o jogo. Às vezes pegamos a bola e já queremos atacar, fazer o gol. Temos que ter esse equilíbrio, virar um pouco mais a bola para entrar no momento certo”, disse, antes de fazer mea-culpa.

“Essa função é de quem está ali na posição: minha, do Casemiro, do Paulinho. Na verdade, o Paulino está mais para o outro lado. Mas a função é nossa. De repente, nesse jogo faltou girar um pouco mais, usar nosso lado direito, que é muito forte. Faltou esse equilíbrio. Com certeza vamos ajustar isso para o próximo jogo”.

Ciente de suas responsabilidades, o camisa 11 do Brasil aproveitou para minimizar os botados de que estaria com dificuldade para jogar mais centralizado, e não aberto pela esquerda, onde se destacou pelo Liverpool até ser contratado pelo Barcelona. Na Seleção é Neymar que atua pelo setor favorito de Coutinho.

“Já joguei nessa posição bastante vezes, me sinto à vontade. Essa questão de aparecer ou não no jogo, sempre tento fazer o meu melhor. Às vezes as coisas não saem como a gente quer, as pessoas vão comentar, mas tenho sempre na minha cabeça de ajudar a equipe do jeito que sei jogar, do jeito que o professor Tite precisar”, avisou.

Não são só os momentos de posse de bola que passam pela avaliação de Philippe Coutinho. Sem tanta responsabilidade defensiva nas bolas paradas, o craque não se eximiu da falha coletiva que originou o gol de empate da Suíça no último domingo.

“Treinamos bastante bola parada, isso é uma das coisas que o Tite trabalha muito, ele é muito ligado nos detalhes. Sempre, nos treinamentos, ele busca a perfeição nas bolas paradas, porque vemos que se decide muitos jogos assim, ainda mais em Copa do Mundo. Até mesmo ofensivamente também. Cada um tem a sua função. Eu não sou um dos mais altos, às vezes fico um pouco fora, mas tenho a minha função de ajudar também”, lembrou.

Agora, a esperança é de que todos os ajustes necessários sejam feitos até o confronto com a Costa Rica, marcado para às 9h (horário de Brasília), pela segunda rodada do grupo E.

“Claro que depois do jogo conversamos sobre o que podemos melhorar, sobre o que aconteceu no jogo, sobre essa questão dos pontos, isso já foi passado antes. Toda a história que tem nas competições, classificação, a gente sabe disso. Eu, pelo menos na minha cabeça, todo jogo da Copa do Mundo é uma final. Responsabilidade sempre vai ter, mas temos que estar com a cabeça boa, fazer um grande jogo”, concluiu Philippe Coutinho.

 



A Inglaterra estreou com o pé direito na Copa do Mundo, da Rússia. A equipe venceu a Tunísia por 2 a 1, com dois gols de Harry Kane, e largou bem na competição. No entanto, o técnico Gareth Southgate pode ter um desfalque para o próximo duelo, diante do Panamá. Trata-se do meia-atacante Dele Alli, que sentiu a coxa direita durante o confronto contra os tunisianos.

Com o tratamento, o jogador ficará de fora dos treinamentos do English Team, e deve estar de fora do segundo compromisso dos ingleses no Mundial. A lesão foi ainda no primeiro tempo. Porém, o atleta optou por permanecer em campo. Durou até os 35 minutos da etapa complementar.

Loftus-Cheek foi quem substituiu o jogador do Tottenham. Mas, Southgate tem como opção, Rashford, atacante do Manchester United, que entrou bem durante o jogo contra a Tunísia. A última cartada seria promover a entrada de Fabian Delph, do Manchester City.

Os ingleses estão no Grupo G da Copa, com Tunísia, Panamá e Bélgica. O próximo compromisso será diante dos panamenhos, neste domingo às 9h00 (horário de Brasília), em Novgorod.

Dele Alli se machucou contra a Tunísia, e pode ser desfalque do English Team (Foto: Nicolas Asfouri/AFP)


O Egito praticamente deu adeus à Copa do Mundo com a derrota por 3 a 1 para a Rússia, na tarde desta terça-feira, na cidade de São Petersburgo, uma despedida ainda mais dura pelo fato de a equipe contar com o atacante Mohamed Salah. Recuperado às pressas de uma lesão no ombro sofrida na final da Liga dos Campeões da Europa, o canhoto chegou a fazer um gol, mas nada que mudasse o destino da partida.

“Eu acho que ninguém pode discutir a importância do Salah para o Egito”, comentou o técnico da equipe, o argentino Héctor Cúper, que elogiou a performance do comandado. “Ele estava bem para jogar e ninguém pode discutir sua importância. Por trás de um jogador tem de haver uma grande equipe. E nós temos uma grande equipe, talvez pudéssemos ter aproveitado melhor nossas oportunidades, mas há de se valorizar o esforço de uma equipe que não ia a uma Copa há 28 anos”, avaliou Cuper.

Fora da estreia contra o Uruguai, Salah é um herói nacional no Egito, brigando pelo posto de melhor jogador já nascido no país na história. Cuper, que viu o comandado entrar para uma seleta lista de egípcios que anotaram gols em mundiais. Antes, apenas Abdulrahman Fawzi (duas vezes), em 1934, e Magdy Abdelghany, em 1990, haviam chegado ao feito. Para Cuper, o grande problema da contusão foi não tê-lo nos treinamentos.

“Todos sabemos o que ele representa, é um jogador muito importante, uma referência, que nos deu muitas alegrias. A lesão nos preocupou a todos, sabíamos que chegaria em cima da hora. Bom, preferíamos que ele não se lesionasse. Mas ele se lesionou. O único que queria era tê-lo nas semanas antes do Mundial, que seria o tempo para trabalhar coisas diferentes, mas temos de lidar com isso”, continuou ele, assegurando que o atleta tinha boa condição para atuar.

“Quando falamos se estava 100% temos de falar da parte médica, e os médicos me asseguraram que estava bem. Ele se sentia bem. Na parte física, o que podemos dizer é que ele fez tudo isso à parte, individualmente, e isso pode ter alguma influência no jogo. Se alguém me pergunta: e se ele não tivesse se lesionado? Bom, ele teria três semanas treinando com a mesma intensidade de equipe. Mas a prioridade era recuperá-lo. E eu acho que ele esteve bem hoje (terça)”, concluiu.




Antes do início da Copa do Mundo, o grupo F tinha a Alemanha como grande favorita, com Suécia e México, teoricamente, como forças secundárias e a Coreia do Sul como franco-atirador. Depois da primeira rodada, a atual campeã não figura entre as seleções classificadas por conta da derrota diante da seleção de Juan Carlos Osorio, com uma atuação abaixo do que era esperado.

Mesmo assim, os suecos não ousam desprezar os alemães e esperam a recuperação instantânea. Em entrevista coletiva, o goleiro Robin Olsen valorizou o adversário do próximo sábado, em Sochi, e admitiu que existe uma certa empolgação, que será contida no momento do apito inicial.

Olsen optou por defender a seleção alemão após o tropeço diante do México (Foto: Jonathan NACKSTRAND/AFP)

“A derrota da Alemanha pegou todos de surpresa. Nada funcionou para eles naquele jogo, mas não podemos nos esquecer que estamos falando da Alemanha, a atual campeã mundial, uma seleção que jamais podemos colocar fora da disputa. Aquele jogo não serve de parâmetro, porque eles vão mudar algo e impor dificuldade ao nosso time”, disse o arqueiro sueco nesta terça.

Conhecida por fortes sistemas defensivos, a Suécia tenta reverter essa alcunha em solo russo. Com talentos individuais, sendo o principal deles Forsberg, o time comandado por Jan Andersson já deu indícios de que tentará ter a bola para incomodar os adversários. Esse discurso foi corroborado pelo camisa um, que descartou uma “retranca” contra a Alemanha.

“Na partida contra a Itália (Eliminatórias), tínhamos uma vantagem do jogo de ida. Agora, temos chance no último jogo, contra o México. Não vamos apenas nos defender e utilizar as bolas longas. É um jogo diferente. Temos que ter a bola nos nossos pés, queremos jogar nosso próprio jogo”, garantiu Olsen.



Em apenas dois jogos a anfitriã Rússia já transformou a edição de 2018 na melhor Copa da sua história após o fim da União Soviética. Classificada pela quarta vez para o torneio desde 1991, quando a maioria dos países anexados ao seu domínio ganharam soberania, a equipe manteve 100% de aproveitamento com o triunfo sobre o Egito, na tarde desta terça-feira, em São Petersburgo.

Os donos da casa haviam disputado a competição em 1994, 2002 e 2014, somando apenas duas vitórias em todas elas. Presentes no grupo do Brasil no tetra, nos Estados Unidos, os soviéticos perderam por 2 a 0 para Romário e companhia na estreia, foram superados por 3 a 1 pela Suècia na segunda rodada e, já eliminados, dispararam uma goleada por 6 a 1 sobre a equipe de Camarões para salvar a honra antes de voltar à Europa.

Oito anos depois, na Copa em que o Brasil chegou ao penta, os russos abriram a campanha com um 2 a 0 sobre a Tunísia, ganhando esperança para a sequência da competição. O problema foi que o rendimento caiu nos jogos seguintes, com o time sendo superado por 1 a 0 pelo Japão e por 3 a 2 para a Bélgica, outra vez desperdiçando a chance de avançar às oitavas.

No Brasil, quatro anos atrás, nada de melhora. Depois de um empate por 1 a 1 com a Coreia do Sul, na estreia, a equipe foi derrotada por 1 a 0 pela Bélgica no Maracanã  e chegou a ir para o intervalo classificada na última rodada, contra a Argélia. Um gol de Slimani, porém, deixou o resultado em 1 a 1 e assegurou a passagem dos africanos para a fase eliminatória.

Contando a gloriosa época como URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), os russos não passam de fase desde a Copa de 1986, no México. Para encerrar esse jejum de 32 anos, os anfitriões precisam apenas que o Uruguai pontue contra a Arábia Saudita, nesta quarta-feira.