Gazeta Esportiva

Morre grego que ajudou Vanderlei Cordeiro nas Olimpíadas de Atenas 2004

São Paulo, SP

25/01/23 | 21:05

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) comunicou nesta quarta-feira a morte do grego Polyvios Kossivas aos 71 anos, ocorrida na última semana, na Grécia. Kossivas foi protagonista de um dos mais importantes capítulos da história do esporte olímpico brasileiro e do atletismo. Durante a maratona nos Jogos Olímpicos Atenas, no dia 29 de agosto de 2004, anônimo na multidão que acompanhava a prova, ele viu que o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, então líder da corrida, havia sido atacado pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan.

Polyvios invadiu a pista, empurrou o agressor e permitiu que Vanderlei continuasse na prova para terminar na terceira posição e conquistar a medalha de bronze. Semanas depois, o fundista brasileiro receberia a medalha Pierre de Coubertin, dedicada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) a quem melhor representa os valores olímpicos – Vanderlei é, até hoje, o único brasileiro a ter recebido a comenda.

“Um anônimo que acabou exercendo o protagonismo na luta pelo fair play, sem nem saber, num episódio que gerou a medalha Barão de Coubertin para o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima. O pano de fundo são os valores do esporte olímpico, um torcedor, que naquele momento agiu para fazer justiça e proteger a integridade física do atleta”, disse o presidente do Conselho de Administração da CBAt, Wlamir Motta Campos.

Em 2004, meses depois dos Jogos Olímpicos, Polyvios Kossivas veio ao Rio de Janeiro a convite do COB e foi homenageado no Prêmio Brasil Olímpico. Durante a premiação, o grego subiu ao palco, reencontrou Vanderlei Cordeiro de Lima pela primeira vez desde o episódio em Atenas e recebeu o troféu das mãos do maratonista.

Polyvios Kossivas durante reencontro com Vanderlei Cordeiro de Lima no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação / COB)

Em mensagem enviada ao COB nesta semana, Smaragda Tsirka, filha de Polyvios, fez muitos elogios, relembrou a trajetória e homenageou o pai.

"Ele era um homem simples, generoso, carinhoso e altruísta. Adorava minha mãe e eu. Ele me criou me dando tudo generosamente. Era um viciado em trabalho, incansável, sem nunca reclamar. Acordava todos os dias às 6 horas. Era respeitado por todos”, escreveu Smaragda.

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