Nicholas Santos celebra prata nos 50m borboleta em Kazan

São Paulo, SP

03-08-2015 21:08:29

Conforme era esperado por boa parte da torcida, o Brasil subiu no pódio da final dos 50m borboleta do Mundial de Kazan, na Rússia. Mas, em vez do favorito Cesar Cielo, que não estava em sua melhor forma e ficou com a sexta colocação, foi Nicholas Santos quem teve grande desempenho (tempo de 23s09) e garantiu a medalha de prata, atrás apenas do francês Florent Manaudou, atual campeão olímpico.

Veterano, o atleta de 35 anos celebrou o fato de ter faturado a primeira medalha brasileira nas piscinas do mundial (Ana Marcela Cunha, da maratona aquática, já conquistou um ouro e um bronze no individual, além de prata por equipes ao lado de Allan do Carmo e Diogo Villarinho) e revelou detalhes de sua preparação, típicos de um atleta experiente, que o permitiram nadar apenas 12 centésimos acima do dominante Manaudou.

“Fico feliz com a primeira medalha do país. Fiz meu ritual de sempre, deixar para raspar no final, bermuda nova, não respirei quando dei a última braçada e vi Manaudou na frente. O cara é muito alto, parece um ‘avatar’”, brincou, fazendo referência às altas criaturas azuis que protagonizam o filme de ficção científica dirigido por James Cameron e lançado em 2009.

“Mas eu entrei realmente sereno na prova. Estava consciente daquilo que queria fazer, estava no meu mundo, olhando apenas para a minha raia, bem tranquilo. O que faço de diferente para me manter competitivo é a alimentação, fico me desafiando o tempo todo para aguentar o treino com os atletas mais jovens. Tento vencer meus próprios resultados, não os de Cesar ou Manaudou. Isso é consequência”, complementou o nadador.

Cesar Cielo, por sua vez, não escondeu a frustração por não ter conquistado o tricampeonato, após vitórias em Xangai (2011) e Barcelona (2013). Apesar disso, o campeão olímpico, que tem sofrido recentemente com dores no ombro e se vê fora de sua forma ideal, projeta reação nos 50m livre, prova cujas eliminatórias disputará nesta sexta-feira ao lado do compatriota Bruno Fratus.

“Eu não tinha nada a perder. Essa hora é quando a cabeça precisa estar tranquila e deixar a competição acontecer. Ganhando ou perdendo, os 50m estão me esperando, independentemente do que aconteceu. Gostaria de estar em outra situação, mas não é a primeira vez que isso acontece comigo, já passei por coisas assim, como no Mundial de Doha (de piscina curta, em 2014), quando eu nadei mal nos 50m livre (ficando com a medalha de bronze) e consegui reagir nos 100m (ouro)”, relembrou o nadador, que, com as Olimpíadas do Rio de Janeiro no horizonte, não abaixa a cabeça.

“A competição ainda não acabou, e o importante é continuar fazendo o melhor. Se o melhor não me colocar de fato no patamar mais alto, pelo menos saio com a tranquilidade de que era isso que eu podia mesmo. O Nicholas nadou bem e mereceu seu resultado”, concluiu.

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