Atletismo/Corrida Internacional de São Silvestre

Após pódios como atleta, Adauto se realiza com títulos do pupilo Marílson

André Sender - São Caetano do Sul, SP -
03/12/2014 09:30:13

Em: Atletismo, Corrida Internacional de São Silvestre, Mais Esportes

O brasileiro Adauto Domingues subiu quatro vezes ao pódio da Corrida Internacional de São Silvestre, mas nunca no lugar mais alto. Especialista em provas mais curtas do que a tradicionalmente disputada em 31 de dezembro, ele precisou se aposentar como atleta e iniciar carreira como treinador para atingir a redenção por meio de seu pupilo Marílson Gomes dos Santos, tricampeão.

Adauto disputou a São Silvestre pela primeira vez em 1976 ainda com 15 anos de idade e começou a ter sucesso no meio da década de 1980. Em 85, em prova vencida pelo compatriota José João da Silva, ele ficou com a terceira colocação, atrás também do equatoriano Rolando Vera.

O rival sul-americano iniciaria no ano seguinte uma sequência de quatro títulos consecutivos, com Adauto na quinta colocação em 1987 e em terceiro em 1988. O hoje treinador ainda subiu ao pódio em quinto em 1990 depois de ficar um ano sem disputar a São Silvestre.

“Em 87, fui quinto colocado mas acho que conseguiria vencer. As que fiquei em terceiro eu corri bem e era no máximo isso. Na de 87 eu tinha tudo para ganhar, o Rolando Vera até caiu, mas me deu um branco no momento que deveria ser meu melhor na prova e tive que brigar para acabar em quinto”, explicou.

Adauto Domingues foi o terceiro colocado da Corrida Internacional de São Silvestre em 1985
Adauto Domingues foi o terceiro colocado da Corrida Internacional de São Silvestre em 1985 – Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press

Adauto correu a São Silvestre pela última vez em 1995, mas anos depois já estava de volta à prova como treinador. Viu o pupilo Marílson Gomes dos Santos subir ao pódio em quarto em 1999 e repetir o desempenho dois anos depois. Ele ainda foi vice-campeão em 2002, deixando seu treinador com uma mistura de sentimentos.

Apesar de feliz pela segunda colocação obtida pelo pupilo, Adauto começava a acreditar que não teria um título da São Silvestre em sua carreira como atleta ou treinador. Então, em 2003 Marílson quebrou um jejum de cinco anos sem triunfos nacionais e foi campeão. O fundista de Ceilândia ainda subiria ao lugar mais alto do pódio em 2005 e 2010, tornando-se o corredor brasileiro com mais títulos no evento em sua fase internacional.

“Quando ele ganhou, pronto. Percebemos que era possível e a sensação foi quase igual um título meu. Ver o Marílson na final da [Avenida] Brigadeiro [Luiz Antônio] na frente e saber que a prova estava ganha foi como se eu estivesse ali correndo. Não deu para segurar as lágrimas”, disse Adauto. “Mas a prova sensacional, a que mais me marcou, foi a última vitória dele,”, completou.

As principais glórias de Adauto Domingues como atleta foram obtidas nos Jogos Pan-americanos, em que conquistou a medalha de ouro nos 3.000m com obstáculos em Indianápolis 1987 e Havana 1991. Nos Jogos Olímpicos de Seul 1988, alcançou a semifinal. Mesmo assim, cita a tradicional prova de 31 de dezembro, que disputou 15 vezes, entre as principais memórias de sua carreira.

Marílson Gomes venceu a São Silvestre pela primeira vez em 2003
Marílson Gomes venceu a São Silvestre pela primeira vez em 2003 – Credito: Gazeta Press
Quando ainda era adolescente, mas já disputava a São Silvestre, Adauto tinha que enfrentar uma longa caminhada de madrugada após o término da prova até o Parque Dom Pedro II para pegar ônibus de volta para sua casa no ABC Paulista. Sacrifício que valia a pena para correr ao lado de nomes importantes do atletismo como Victor Mora, Rolando Vera e Carlos Lopes, além dos compatriotas José João da Silva e João da Mata.

O carinho é tanto que, mesmo depois de aposentado, Adauto Domingues pensou em disputar a São Silvestre como amador. Chegou a iniciar os treinos, mas lesões nas panturrilhas da época em que era atleta frustraram sua tentativa de participar da festa de 31 de dezembro pelas ruas de São Paulo.

“A São Silvestre é difícil de explicar, só você sentindo na pele porque é meio mágica. Na minha época a gente precisava andar para caramba, não tinha ônibus para voltar de madrugada, tudo era complicado. Você se perguntava o que estava fazendo ali. E no ano seguinte estava lá de novo”, concluiu o hoje realizado treinador de Marílson.