Principais jogadoras da seleção americana acusam Federação por descriminação salarial

São Paulo, SP

31/03/16 | 12:21 - 31/03/16 | 13:25

(Foto: Divulgação/USSoccer)
Morgan e Solo recebendo os prêmios de melhores jogadoras na última competição da seleção nacional (Foto: Divulgação/USSoccer)

A luta por igualdade salarial e reconhecimento também é muito presente no futebol. Atuais campeãs do mundo e donas de quatro das cinco medalhas de ouro dos Estados Unidos em Olimpíadas desde que o esporte passou a fazer parte dos Jogos, cinco atletas apresentaram uma ação civil contra a Federação de Futebol do país (US Soccer) por discriminação salarial, evidenciando a desigualdade presente no futebol estadunidense.

Carli Lloyd, Megan Rapinoe, Hope Solo, Alex Morgan e Rebecca "Becky" Sauerbrunn apresentaram a denúncia com o apoio da Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego (EEOC). As atletas são os principais nomes da seleção norte-americana e urgem um grito contra a descriminação dentro do esporte.

Segundo levantamento da EEOC, as mulheres podem ganhar entre US$ 3.600 e US$ 4.950 por partida pelo país e apenas em caso de vitória, enquanto os homens levam de US$ 6.250 a US$ 17.625 e recebem bônus mesmo nas derrotas. Por ano, a diferença se mostra ainda mais gritante: o elenco da seleção masculina recebe mais se perder todos os jogos do que as jogadoras após uma campanha invicta durante a temporada.

"Demonstramos o que valemos ao longo dos anos", disse Lloyd, atual melhor jogadora de futebol do mundo e autora de três dos cinco gols dos EUA na final da Copa do Mundo de 2015 em cima do Japão. "Saímos de uma vitória no Mundial e a diferença salarial entre homens e mulheres é muitos grande", completou à NBC.

"Recentemente, ficou claro que a federação não tem intenção de nos prover pagamento igual por um trabalho igual", comunicou Rapinoe, mas a jogadora mais incisiva foi a goleira Hope Solo. "Os números falam por si só. Somos as melhores: ganhamos três mundiais e quatro Olimpíadas e eles continuam ganhando mais do que nós apenas para jogar de vez em quando", disparou Solo.

"Todo dia nos sacrificamos tanto quanto os homens e trabalhamos o mesmo tanto. Nos doamos o mesmo tanto fisicamente e emocionalmente. Nossos fãs apreciam o que fazemos todo dia por isso. Nós estamos realmente pedindo, e exigindo agora, que nossa federação e nosso empregador realmente deem um passo à frente e também apreciem", declarou Morgan à NBC

E usar a desculpa que o futebol feminino não atrai público não cola mais com as americanas: a final da Copa de 2015, contra o Japão, foi acompanhada por 26,7 milhões de televisores e, enquanto as mulheres erguiam mais um troféu, o elenco masculino ainda amargava a eliminação nas oitavas de final da Copa de 2014 para a Bélgica. Recentemente, as americanas foram campeãs invictas da SheBelievesCup, um torneio reunindo algumas das grandes equipes mundiais, como França, Alemanha e Inglaterra. Já os estadunidenses falharam em garantir uma vaga para os Jogos do Rio, perdendo na repescagem para a Colômbia.

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