Chiclete com Banana na Liberta

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Chiclete com Banana na Liberta

Saiba como tradicional banda de axé ajudou Palmeiras a ganhar o torneio continental pela primeira e única vez em sua história

Bruno Ceccon - São Paulo, SP 11 de junho de 2019 09:00:39
 

O Palmeiras contou com uma colaboração inusitada rumo ao título da Copa Libertadores 1999, conquistado há 20 anos. Fã do Chiclete com Banana e protagonista de atuações de gala na primeira fase, Júnior Baiano inspirou uma visita da tradicional banda de axé ao elenco que terminaria como campeão após receber amuletos dos artistas.

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Autor de cinco gols na etapa classificatória da Copa Libertadores, Júnior Baiano comemorava levantando o uniforme do Palmeiras para exibir uma camiseta do Chiclete com Banana. A peça, alusiva ao álbum “Bem-me-quer”, era verde e tinha uma grande margarida branca no centro.

Após sofrer para avançar às oitavas de final, o Palmeiras enfrentou o poderoso Vasco, algoz na final do Campeonato Brasileiro 1997 e defensor do título da Copa Libertadores. Na véspera do segundo e decisivo confronto, que seria disputado em São Januário, o Chiclete com Banana visitou a Academia de Futebol.

“Antes do encontro, nosso amigo Júnior Baiano alertou: ‘O Felipão é um cara mais sério, mas acho que vocês já ganharam ele pela energia e sorte que a camiseta está dando’. Na hora, o Felipão foi muito cortez com a gente”, lembrou o tecladista Wado Marques, 20 anos depois, em entrevista à Gazeta Esportiva.

A banda, então liderada pelo vocalista Bell Marques, foi recebida calorosamente pelos conterrâneos Júnior Baiano, Oséas e Júnior, mas também interagiu com os principais líderes do elenco, casos de César Sampaio, Zinho e Evair. Todos ganharam a camiseta verde com a margarida branca, incluindo um bem-humorado Felipão.

“O Júnior (Baiano) colocou a camisa. Isso não fazia gol nem de bunda e já fez sete, oito”, exagerou o técnico, enquanto vestia a peça. “Amanhã, vai estar por baixo. Pode ter certeza” prometeu. Bell Marques, então, vaticinou: “Olha, se ele vestir, não tem erro nenhum. Vai lá e vai detonar, meu irmão!”.

Após empatar por 1 a 1 com o Vasco no Palestra Itália, o Palmeiras era visto por muitos como azarão para o duelo em São Januário. Com a camiseta do Chiclete com Banana por baixo do uniforme da comissão técnica, Felipão viu uma das melhores atuações de seu time na Copa Libertadores, encerrada com um triunfo por 4 a 2 e a vaga nas quartas.

Assim que entrou no vestiário de São Januário, já sem o uniforme da comissão técnica por cima, Felipão apontou com os dois dedos indicadores para a grande margarida branca na camiseta da banda de axé. Em seguida, vibrando, deu um abraço apertado no chicleteiro Júnior Baiano, trajado com a mesma peça.

O zagueiro manteve o costume de vestir a camiseta da banda ao longo da vitoriosa campanha, marcada por triunfos nos pênaltis contra Corinthians e Deportivo Cali. Na final contra o time colombiano, Júnior Baiano cometeu penal no tempo normal e converteu sua cobrança na série decisiva.

“Realmente, para nós foi um prazer enorme ter participado desse momento apoteótico do Palmeiras. Muito legal, mesmo. Fizemos bons amigos e continuamos amigos deles todos. Agora, desejamos mais sorte para o Palmeiras e para nosso amigo Felipão”, disse Wado Marques, de olho no bicampeonato.

Publicado em 11 de junho de 2019 09:00:39

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