Por um lugar ao sol

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Por um lugar ao sol

O estilo muitas vezes marrento dos jogadores de basquete dá lugar ao bom humor na nova safra do basquete brasileiro. Conheça os jovens Lucas Cauê e Aquiles, que estão no Draft 2017 da NBA e sonham com a elite do esporte.

Lucas Sarti - São Paulo, SP 26 de maio de 2017 09:00:24
 

Esqueça o estilo marrento de Marcelinho Machado e até mesmo o jeito manso e de bom moço de Anderson Varejão. A nova cara do basquete nacional é risonha e adora uma resenha. Dois personagens que representam isso muito bem são os jovens Lucas Cauê e Aquiles. Os jogadores do Pinheiros são dois dos quatro brasileiros que estão na lista do Draft 2017 da NBA, o meio mais concorrido de entrar na liga mais famosa do mundo.

“O Cauê tem um lado líder, chama a atenção de todos, mas é feio demais”, comentou Aquiles, começando com muita descontração o bate-papo exclusivo com a Gazeta Esportiva.

Mas a história dos jogadores de 19 anos começa muito antes do badalado Draft. O pivô Cauê e o ala Aquiles caminham lado a lado desde os 12 anos – e sempre no Pinheiros. Eles estudaram no mesmo colégio, dividiram quarto nas concentrações e conquistaram títulos juntos.

“Fora de quadra ele é um cara que eu chamo para fazer tudo. Quando vou comer, sair e ir para o rolê mais zoado, é ele quem chamo. Dentro de quadra ele é um cara que passa muita segurança para mim. Tem hora que eu reclamo, mas tem outras que sei que ele vai fazer tudo sozinho. Dentro de quadra é um cara que eu posso contar muito, e fora de quadra é um cara que posso contar ainda mais”, contou Cauê.

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Mais do que apenas companheiros de clube, os melhores amigos também tomaram juntos a decisão de tentar um voo mais alto nas promissoras carreiras. Por compartilharem o mesmo empresário, Aquiles e Cauê se inscreveram no Draft e foram aprovados para a pré-seleção. Os jovens têm até o dia 12 de junho para retirar o nome do processo para que, no próximo ano, possam tentar novamente – caso o jogador não seja selecionado e mantenha o nome, perde a chance de tentar no futuro.

Titular dos times Sub-22 e Sub-19 do Pinheiros, clube da capital paulista, o ala Aquiles, de 1,94m, conta que a surpresa ao ver seu nome na lista de prospectos da NBA foi enorme, não só para ele, mas para toda a família. “Demorou para a ficha cair. É um sonho que você não acreditava e virou realidade. Agora, depende de estar pronto na hora e no lugar certo”, conta, com um tom de voz mais sério. “Vi meu nome ao lado do George, Mogi e Lucas. Fiquei uma hora com o celular na mão. É um choque. Sua vida muda, chama a atenção de todo o mundo. NBA é o sonho de qualquer jogador, dos meninos até quem nem tem mais chance e acha que vai conseguir. Deixar seu nome, mostrar sua cara… isso é um negócio louco”.

Além de Aquiles e Cauê, outros dois brasileiros estão concorrendo a uma vaga na NBA. Georginho e Mogi, do Paulistano, são os “rivais” dos pinheirenses. Mas o termo “rival” tem que ser usado com muita cautela. Georginho, de 20 anos e que já participou do pré-Draft de 2016, é um dos amigos que sempre marca presença nas resenhas de Cauê e Aquiles.

“Sempre arrumamos um jeito de encontrar o Georginho, quando nossos tempos batem e tal. Quando ele ficou doente fomos ao hospital visitá-lo. O Georginho é parceiro mesmo”, exaltou Cauê. O pivô de 2,03m conquistou, ao lado do fiel parceiro, a medalha de bronze da Copa América Sub-18, em 2016. Durante a competição, alguns olheiros de universidades norte-americanas e times profissionais, como Chicago Bulls e Miami Heat, estiveram observando as joias brasileiras.

“Eles vão à paisana, de universidades como Duke, Texas, Kansas… e isso na Copa América do Chile, imagina em um Mundial. Iria alavancar a carreira de muita gente”, comentou Cauê, com a voz embargada, já que não poderá disputar o Mundial da categoria por conta da proibição da Confederação Brasileira de Basquete de participar de torneios da FIBA.

Cauê (esq) e Aquiles na conquista do bronze da Copa América Sub-18 (Foto: Reprodução/Instagram)

Apesar de confiarem que no dia 22 de junho, em evento realizado nos EUA, o comissário Adam Silver irá chamar seus nomes, os atletas entendem que a realidade pode ser diferente. Mas, mesmo uma possível adversidade não é capaz de tirar o sorriso do rosto dos jovens.

“Somos novos, se chegar o dia 10 de junho e a gente ver que o nível dos moleques está f…, tiramos os nomes. Eu sou muito sincero comigo. Estou confiante, mas temos que deixar muita água correr e ver o que vai rolar”, salientou Cauê. Já Aquiles acredita que o basquete europeu pode ser uma porta de entrada para a elite do esporte, seguindo as pegadas de grandes nomes como Marcelinho Huertas e Raulzinho.

Nome certo no Draft é o norte-americano Markelle Fultz. O jovem de apenas 18 anos é um dos principais destaques do basquete universitário e está cotado como a primeira escolha, que pertence ao Boston Celtics, maior campeão da história da NBA e franquia que terá a famosa First Pick pela primeira vez.

“Jogamos contra o Markelle Fultz na Copa América. Tomei uma enterrada na cabeça. Ele é um absurdo. Os norte-americanos em si são bem acima da média. Você nem reclama de estar perdendo de 40 pontos de diferença”, gargalhou Cauê.

Nesta temporada, Cauê e Aquiles fizeram parte do elenco profissional do Pinheiros que ficou a uma vitória de participar das finais do Novo Basquete Brasil (NBB). Comandados pelo norte-americano Holloway, os pinheirenses eliminaram o favorito Flamengo e ficaram perto de derrubar o Bauru, mas acabaram perdendo a série semifinal de virada. Na próxima temporada, a dupla de jovens do Pinheiros irá participar da Liga de Desenvolvimento, que visa dar ritmo de jogo aos garotos. Isso tudo, é claro, depende dos nomes que o comissário Adam Silver irá chamar no dia 22 de junho.

Publicado em 26 de maio de 2017 09:00:24

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