“Eu poderia ter uma oportunidade na Seleção Brasileira”

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“Eu poderia ter uma oportunidade na Seleção Brasileira”

Cícero revela, sem falsa modéstia, que se via merecedor de uma chance no passado e que ainda sonha em defender o Brasil. De volta ao São Paulo, o jogador fala sobre sua nova função em campo e dá sua versão sobre os problemas que viveu no Santos

Tiago Salazar - São Paulo 7 de março de 2017 09:00:04
 

Um dos primeiros pedidos de Rogério Ceni aos dirigentes do São Paulo assim que assumiu o comando do time foi que fizessem um esforço para trazer Cícero de volta. Juntos, o ex-goleiro e o meio-campista conquistaram aquele que foi o último título do Tricolor do Morumbi: a Copa Sul-Americana de 2012. “Para mim é uma gratificação muito grande por estar participando desse início de trabalho do Rogério”, celebra o jogador após um acerto que contou até mesmo com uma ligação do técnico são-paulino. Em pouco tempo, a parceria começa a dar sinais do quanto pode produtiva na temporada. Cícero já tem quatro gols em oito jogos.

Mas não são os gols que movem o jogador de 32 anos. Aliás, à Gazeta Esportiva, Cícero explica um certo mal-entendido sobre seu futebol. “As pessoas acabam confundindo, achando que o Cícero é um meia-atacante, mas, não”. E faz uma crítica sobre a forma como torcedores e comissões técnicas enxergam o jogo. “Aqui no Brasil a gente tem uma mania de que o jogador, quando entra em campo, só presta se driblar o cara e fizer o gol”.

A análise não tem relação específica com um sentimento pessoal que Cícero guarda até hoje, mas pode ser levada em consideração pelo atleta quando ele tenta entender os motivos que culminaram em apenas uma convocação à Seleção Brasileira em toda sua carreira. À época, no longínquo ano de 2011, para a disputa do Superclássico contra a Argentina, em uma lista que contou apenas com jogadores que atuavam no Brasil. “Eu vejo que eu poderia ter uma oportunidade em Seleção Brasileira, isso eu não vou mentir. Eu fiz por onde”.

Vestir a ‘amarelinha’, no entanto, está longe de ser um objetivo descartado por Cícero. Esse anseio segue sendo é um de seus principais combustíveis. Para isso, umas das apostas do jogador é a sua regularidade. Cícero é dono de números raros e que impressionam. No São Paulo, por exemplo, somando suas duas passagens, o meio-campista só não ficou à disposição em duas oportunidades por causa de suspensões pelo acúmulo de cartões. De 122 jogos, Cícero atuou em 102, ficou 16 vezes no banco de reservas e foi cortado por opção em outras duas partidas, além das duas suspensões já citadas.

Mas se no São Paulo o jogador inspira confiança e se mostra fundamental tanto dentro quanto fora de campo para as pretensões do clube, no Santos Cícero saiu sem deixar saudades. Duas vezes vice-campeão Paulista pelo Peixe, nem mesmo os prêmios de melhor jogador ou de artilheiro foram suficientes para um bom relacionamento com dirigentes e torcedores. No fim, Cícero deixou a Baixada Santista criticado e calado. “Realmente eu tinha vontade de falar, dar entrevista, alguma coisa, mas pensei ‘vou falar para quê? Vou seguir a vida. Vou jogar meu futebol’”.

Dessa vez, porém, Cícero aceita abrir o jogo, falar sobre todos esses temas que marcaram sua carreira e também revela o que planeja para o futuro, até mesmo após sua aposentadoria. Confira a entrevista exclusiva na íntegra:

(Foto: Sergio Barzagui/Gazeta Press)
(Foto: Sergio Barzagui/Gazeta Press)

Gazeta Esportiva – Como está esse seu retorno ao São Paulo, como você tem se sentido, como encontrou o clube? Fala um pouco dessa sua volta.

Cícero – Quando eu recebi o interesse do São Paulo eu fiquei muito feliz, porque sempre foi visto como um grande clube do cenário mundial e pelo fato de ter trabalhado aqui e ter feito parte daquele grupo que ganhou a Sul-Americana, em 2012, e lembrei que tinham quatro anos que o clube não ganhava nada. Ai eu pensei ‘o último título que o São Paulo venceu eu estava presente’. Então, isso foi um motivo a mais para eu vir e tentar conquistar alguma coisa. Eu via um grupo qualificado e com condições que brigar por alguma coisa. Eu tinha contrato com o Fluminense. Quando teve o interesse, o clube estava com as coisas a serem definidas lá e eu deixei as coisas acontecerem porque sabia que era o São Paulo. Quando vi que o negócio estava indo, fiquei na minha porque sabia que eu estava vindo para um grande clube. Eu saí da minha zona de conforto,  a minha mulher é de lá, é mais perto da minha cidade também, lá de Castelo (ES), poderia estar visitando minha família com mais frequência, mas acho que jogador tem que encontrar desafios na vida. Para mim eu não saí do São Paulo naquele momento, para mim eu estou dando continuidade. E é lógico que em uma situação de um Cícero mais maduro, a cada ano da minha vida venho em uma crescente de números, jogos, produtividade. Hoje é um Cícero em um novo patamar.

Gazeta Esportiva – É verdade que o Rogério Ceni ligou para você? O que se passou nos bastidores dessa transferência?

Cícero – O Rogério realmente entrou em contato comigo, perguntou como era minha situação, mas não entrou em detalhes, porque quem entra em detalhes é a diretoria. Eu falei que tinha contrato e depois a diretoria começou a entrar em contato com meu empresário, esse tipo de questão não é do jogador, eu estava de férias, e ai as coisas começaram a fluir. Mas ele perguntou se eu tinha interesse e tudo, de antemão eu fiquei feliz pela ligação e para mim é uma gratificação muito grande por estar participando desse início de trabalho do Rogério. A gente conquistou aqui uma coisa junto, você vai criando a amizade no dia a dia do futebol, as coisas acontecem naturalmente e nessa minha volta aqui eu fico muito feliz porque acho que é um cara que é viável para o momento do clube, para levantar a autoestima do clube, do time, um início de trabalho muito promissor, todo mundo tem elogiado, então, eu fiquei muito feliz de participar desse momento que é o primeiro dele como treinador do clube, ficando marcado para a história.

(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Gazeta Esportiva – Quando você soube que jogaria em uma posição um pouco mais recuada no meio de campo?

Cícero – Isso ai eu não soube, eu já sabia. Quando eu subi para o profissional, eu jogava de volante na equipe de juniores do Bahia. E lógico, eu subi e joguei ali na meia e tudo. Mas em vários momentos da minha vida eu joguei como volante. E já tem uns quatro, cinco anos que eu tenho jogado mais recuado. É que pelo fato de ter feito vários gols, eu cheguei a falar em uma entrevista passada, as pessoas acabam confundindo, achando que o Cícero é um meia-atacante, mas, não. As pessoas estão esquecendo que o Cícero joga até um pouco mais recuado, às vezes como segundo, às vezes como terceiro homem de meio de campo. Por isso que às vezes eu não aceito muito quando as pessoas falam de mim como meia. Tenho me firmado desde o Santos nessa posição de volante. Eu nem falo volante, porque hoje em dia se fala jogador de meio-campo, por causa desse fato de chegar mais à frente. Depende da situação do jogo.

Gazeta Esportiva – Apesar disso, você se acostumou a fazer gols. Em algum momento o fato de ter ficado alguns jogos sem marcar te incomodou? Rolou uma cobrança do filho em casa?

Cícero – Cobrar, não. Mas ele se acostumou a me ver jogando sempre, jogando sempre, ai eu saí uns dois jogos porque o Rogério quis me pôr para descansar e até para rodar o grupo também, ai ele fala ‘pai, por que você saiu?’. (Risos) E eu explico que futebol é assim, às vezes precisa descansar, tem que deixar o outro colega jogar, eu vou falando assim. Ele não cobrou, mas já acostumou a ver muito gol do pai dele, graças a Deus. Não viu os 165 gols (agora são 166) que eu tenho na carreira, mas viu bastante já. E é como eu falei, eu não me cobro caso eu não faça gols. Eu me cobro no meu rendimento. O gol sai como consequência do meu trabalho. É lógico, se eu chegar perto da área e puder fazer os gols… Gol é gol e é sempre bom.

*Nota da redação: Enzo, filho de Cícero, tem quatro anos e é sempre muito citado pelo jogador.

Gazeta Esportiva – Em fevereiro, ao ser questionado sobre sua nova posição no time, você soltou uma frase que chamou atenção, que foi a seguinte: “Eu já cheguei muito na área na minha vida e as coisas não aconteceram. Quem sabe você fazendo uma coisa diferente pode acontecer”. A que você se referia especificamente?

Cícero – Foi interessante você fazer essa pergunta, porque na minha cabeça não tem “poderia”. Eu acho que ao longo da minha vida e ao longo da minha carreira, como eu falei, já tem uns cinco anos que eu estou jogando de volante, e ali sim eu vejo que eu poderia ter uma oportunidade em Seleção Brasileira, isso eu não vou mentir. Desde 2013, quando eu estava no Santos, as pessoas ventilavam essas coisas, chegando ano de Copa, mas cada treinador tem sua filosofia de trabalho, às vezes tem um grupo um pouco mais fechado, que ganhou Copa das Confederações e tudo, mas você tem que trabalhar, e eu nunca falei nada. Lógico que você quer ir, mas eu pensava ‘eu tenho que trabalhar e fazer o meu melhor nos jogos e essas coisas vão acontecer naturalmente’. E é por isso que eu estou dizendo que para mim não tem “poderia”. Porque eu tenho certeza, ou acho, sei lá, que eu fiz por onde. Eu sou um jogador de meio-campo hoje, muitas vezes atuando como volante, tenho 165 gols (166 atualmente) na minha carreira, conquistei muitas coisas, como prêmios de melhor jogador, artilheiro, sempre marquei muitos gols, durante 13 anos na minha profissão, uma média de mais de dez gols por ano, e às vezes as pessoas me perguntam ‘você merece Seleção?’ e eu repondo ‘tenho que fazer meu trabalho, não tenho como me convocar. Você se convoca jogando’. Por isso eu não falo ‘poderia ter feito mais’. Eu acho que dentro da minha vida profissional, eu fiz muitas coisas na minha carreira que poderia ter acontecido algo, mas o que basta e o que resta para a gente é continuar trabalhando.

Gazeta Esportiva – Você não parece um cara frustrado.

Cícero – Não, não. Em nenhum momento.

Gazeta Esportiva – Mas sentiu que merecia a convocação.

Cícero – Senti. Você olha, durante meus 13 anos como profissional, se você olhar os números de um jogador de meio de campo como os meus… Lógico, as pessoas falam de título, essas coisas, realmente eu ganhei um título, outro, perdi uma final de Libertadores, joguei três anos na Alemanha e voltei por questões contratuais, essas coisas, tinha até oportunidade de continuar lá, foi até a época que eu vim para o São Paulo, mas eu acho que fiz por onde para ter uma coisa a mais. Mas, é como você falou, eu não sou frustrado por isso, nada, muito pelo contrário, estou muito feliz, feliz de ter retornado pelo São Paulo também. E essas coisas acontecem naturalmente. Você tem só que fazer seu trabalho e as pessoas que têm que analisar. Não vem ao nosso caso.

(Foto: Sergio Barzagui/Gazeta Press)
(Foto: Sergio Barzagui/Gazeta Press)

Gazeta Esportiva – Recentemente o Michael Beale, auxiliar inglês de Rogério Ceni, disse que o São Paulo tem dois mágicos no time: Cueva e você.

Cícero – Eu fiquei sabendo depois disso.

Gazeta Esportiva – Muita gente se surpreendeu porque o termo “mágico” é sempre ligado a um jogador mais lúdico no futebol. Te pegou de surpresa essa rápida adaptação a ponto de receber um elogio desse?

Cícero – Olha, não me pega de surpresa a adaptação, porque, graças a Deus, em todo lugar que eu passei na minha vida eu nunca tive problema para me adaptar. Eu saí daqui do Brasil e quando cheguei na Alemanha um treinador chamado Lucien Favre, que hoje está no Nice, já virou para mim falando que eu era muito importante e tal e eu já cheguei treinando, jogando, cheguei chegando. Então, em termos de adaptação, eu nunca tive problema. Talvez um pouquinho em 2007, no Fluminense, para engrenar, mas foi um período curto também.
Mas é interessante você fazer essa pergunta, porque é assim. Eu joguei lá fora e joguei aqui. O que eu vejo: Essa entrevista do Michael, ele vem com a mentalidade lá de fora. Porque nós, aqui no Brasil, a gente tem uma mania de que o jogador, quando entra em campo, só presta se driblar o cara e se fizer o gol. E lá fora eles olham essas coisas de como o cara está compactado ao sistema, como ele toca a bola, como ele dá o passe. Na Alemanha, às vezes eles valorizam mais a assistência do que o gol. E foi bom ele ter uma visão dessa, porque a gente precisa ter uma visão dessa. Eu jogo futebol, eu jogo de volante hoje. E tenho que fazer o quê? Eu tenho que fazer o time jogar, não posso dormir com a bola no pé e tenho que chegar como elemento surpresa, fazer o time jogar, fazer o jogo andar. O meia não. O meia já pode pisar, olhar, o cara da beirada pode fazer uma jogada no mano a mano. Eu já joguei na beirada, eu já joguei no mano a mano, já pedalei, já fiz cruzamento para gol, mas eu tenho que me adequar de acordo com a posição.
Por isso que em muitos momentos da minha vida muitos treinadores me utilizavam em muitas posições, porque eu tento me adaptar aquilo. Hoje, sou muito agradecido ao Michael e eu tenho isso há muitos anos na minha, de que se você está organizando o jogo aqui no Brasil, você se torna um “jogar burocrático”. Ai eu pergunto para você. Então o Xavi no Barcelona era o quê? O Xavi quase não driblava ninguém, mas olha como o Barcelona jogava. Eu fico vendo essas coisas penso isso, que aqui no Brasil o cara só presta se driblar ou se fizer gol. Mas quem entende, quem enxerga futebol, sabe o que é importante para o time.

Gazeta Esportiva – Você sempre fala do São Paulo com muito carinho. O que faltou para você ter ficado no clube em 2012?

Cícero – Faltava seis meses para terminar meu contrato e foi questão contratual, não técnica.  A gente foi campeão da Sul-Americana e muita gente era contra a minha saída. Em um momento no gramado, logo depois que a gente foi campeão, o presidente de hoje, que é o Leco, virou e falou assim ‘você não vai embora, não’. Você escuta, fica agradecido, percebe que é bem quisto no clube pelo profissionalismo e como pessoa, mas às vezes na vida você tem que ver o que é melhor para você, tem pessoas que dependem de você, tem família. Foi uma questão contratual, nem tanto técnica. E teve um pedido do Muricy, no Santos naquela época, e às vezes a gente tem que seguir a nossa vida, né? Mas quando eu cheguei aqui, parece que eu não tinha saído. Estou dando uma continuidade.

(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Gazeta Esportiva – No Santos, aliás, você chegou a ser artilheiro, o melhor jogador do Paulista de 2014, mas sempre teve uma relação conturbada com a torcida e principalmente com a diretoria. À época, muito se falava sobre você ser uma pessoa complicada dentro do vestiário, sobre você pedir aumento salarial constantemente e você nunca se pronunciou sobre isso. O que de fato aconteceu?

Cícero – Se eu fosse um jogador problemático, na mesma hora eu teria dado entrevista. As pessoas falam o que quer. E todo lugar que eu passei eu sempre me dei bem. As pessoas que me conhecem sabem como é. Mas eu não posso aceitar tudo o que estão me falando. Ai não entra a questão pessoal. Entra a questão profissional. É diferente. Pintou proposta para mim no meu primeiro ano no Santos e você tem que sentar e ver o que é melhor para você. Tem pessoas que dependem de você. Isso não tem nada a ver com vestiário. Mas, como eu tenho contrato com o clube, eu tenho que treinar, jogar e cumprir o contrato. Depois da primeira (confusão), eu fui eleito o melhor jogador do Campeonato Paulista. Eu tenho que entrar e zelar pelo meu profissionalismo. E ai chega proposta de novo para sair, para isso e aquilo. E você também não vê nada acontecendo. Você tem que dar um jeito.
E naquele momento, por sinal, você pode ver que as pessoas que saíram de lá foram muito criticadas na saída deles. Eu não preciso ficar falando aqui. Então, alguma coisa tem. Como eu vou me complicar em uma questão de vestiário por causa disso? Não. Eu entrava e fazia o meu trabalho. Se fosse assim eu não retornava para os clubes. Você vê que dificilmente eu entro em uma polêmica e realmente eu tinha vontade de falar, dar entrevista, alguma coisa, mas pensei ‘vou falar para quê? Vou seguir a vida. Vou jogar meu futebol’. Porque eu tinha coisas para falar ali, até pedir desculpas ao torcedor de alguma coisa ou outra, mas eu tive que seguir minha vida.

*Nota da redação: Luis Álvaro Ribeiro e Odílio Rodrigues foram os presidentes do Santos durante a passagem de Cícero pelo clube.

Gazeta Esportiva – Muitos torcedores compraram essa ideia de que você tinha de ir embora.

Cícero – Mas vai comprar porque só um fala. Ai o Cícero vai ser o mercenário, vai ser isso, vai ser aquilo. Mas é como você estar trabalhando aqui. Se pinta uma proposta de trabalho para você, você vai fazer o quê? Porque daqui a pouco o que você ajudou sua família, o que você fez, conquistou no clube é o que não vai ter preço e você vai levar para sua vida. Então, naquele momento, as pessoas estavam falando, colocando o Cícero como mercenário, mas só eles falaram. Quem sabe da verdade sabe que o Cícero foi muito comprometido no clube.

(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)
(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Gazeta Esportiva – Qual é o seu grande objetivo pensando na sua carreira como um todo?

Cícero – É cada ano fazer o que eu tenho feito, independente de como as coisas acontecem. Lógico, o intuito é sempre você defender… Não tem coisa melhor. Eu fui uma vez quando eu estava até aqui no São Paulo, em 2011, foi a primeira e a única vez, no Superclássico, e o meu objetivo, é lógico, é defender a Seleção Brasileira.
Mas um objetivo pessoal meu também é a cada ano estar fazendo o meu melhor, porque a gente sabe que daqui a pouco isso daqui acaba. Quando eu estava até para fazer 100 gols na minha carreira, eu saí do São Paulo faltavam 16 gols para os 100, eu falei para minha mãe que eu ia chegar nos 100 gols porque depois daquilo ali já dava para contar uma historinha melhor para o meu filho, que estava crescendo e tal. (Risos)

Gazeta Esportiva – Olhando para trás, o que você faria diferente do que você fez na carreira?

Cícero – Sinceramente para você, eu não faria nada diferente. Eu venho na crescente, não tenho o que voltar atrás. Tenho só que olhar para frente. Se você vem na crescente é porque você tem alguma coisa para melhorar. Nunca a gente pode achar que sabe de tudo.

Gazeta Esportiva – Joga até quando?

Cícero – Eu não tenho isso na minha cabeça. Acho que até onde der eu vou indo.

Gazeta Esportiva – Onde você estará e fazendo o que quando estiver aposentado?

Cícero – Eu não sei ainda o que vou fazer da minha vida. Mas você pode ter certeza que se eu parar para pensar, lá na minha casa, meu pai, meu irmão, a gente sempre gostou de bola. Se não fosse o futebol eu não sei o que seria da minha vida. Minha vida sempre foi bola, bola, bola. E muita coisa que eu aprendi na minha vida, extra-campo, foi por causa do futebol. Então, o futebol me evoluiu dentro de campo e para a cabeça. Quando acabar (a carreira), em alguma coisa ligada ao futebol a gente vai estar presente.

Gazeta Esportiva – Para fechar, ficou claro que a Seleção brasileira ainda mexe com você, certo?

Cícero – Mexer, mexe. Se não mexer é porque o cara está acomodado e não quer mais nada. Eu me conheço potencialmente. Eu sei o que eu posso render para mim mesmo. Se eu estiver bem fisicamente, eu me conheço, me conheço na posição que eu posso jogar bem, entendeu? Isso eu estou podendo fazer aqui. Mexer, mexe, lógico, mas eu não posso ficar obcecado por isso. Você tem que tentar se convocar jogando, treinando e é isso que eu tento fazer em todos os anos da minha vida.

Publicado em 7 de março de 2017 09:00:04

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