COPA DO MUNDO 2018 RÚSSIA

A Bélgica mostrou porque é considerada uma das favoritas na Copa do Mundo e carimbou passaporte para as quartas de final com um gol no último lance da partida. O time de Roberto Martínez saiu perdendo por 2 a 0, mas buscou a virada e bateu o Japão por 3 a 2 nesta segunda-feira. Jan Vertonghen, Marouane Fellaini e Nacer Chadli fizeram os gols da classificação belga. Genki Haraguchi e Takashi Inui fizeram os tentos da equipe nipônica em Rostov.

Com o resultado, a seleção europeia irá enfrentar o Brasil nas quartas de final do Mundial da Rússia. O confronto contra a Seleção Brasileira será realizado na sexta-feira, ás 15 horas (de Brasília), em Kazan. Já os japoneses voltam para a casa após quase conseguirem sua primeira classificação na história para as quartas da Copa do Mundo.

Jogadores da Bélgica comemorando o gol do empate (Foto: Filippo Monteforte/AFP)

O jogo

Japão começou surpreendendo os belgas e pressionou a saída de jogo da equipe de Roberto Martínez, dificultando a troca de passes do seu adversário. A estratégia funcionou e, a um minuto. Kagawa finalizou, entretanto, a bola foi para fora. Mesmo com menos posse de bola, os Samurais Azuis iam para o ataque trabalhando com calma.

A equipe europeia encontrava uma marcação fui forte dos asiáticos, que conseguiam bloquear os chutes, e sua primeira oportunidade foi um arremate de fora da área de Witsel aos 15 minutos. Conforme o tempo passou, os Diabos Vermelhos passaram a conseguir ficar com a bola e pressionaram os seus adversários algumas vezes.

Uma das melhores chances da Bélgica foi aos 25 minutos. Após cruzamento, Lukaku recebeu a bola dentro da pequena área, contudo a marcação conseguiu atrapalhar o atacante do Manchester United e o goleiro Eiji Kawashima ficou com a bola, tirando o perigo.

Logo em seguida, aos 26, Hazard recebeu bola de fora e mandou uma bomba. O arqueiro japonês foi bem no lance e espalmou para a lateral. A resposta nipônica veio aos 30 minutos. Nagatomo fez uma boa jogada pela esquerda e cruzou. Inui cabeceou, mas a bola ficou na mão de Courtois.

Enquanto os belgas chegavam ao ataque e não conseguiram criar tanto perigo na reta final da primeira etapa, o Japão quase abriu o placar aos 44 minutos. Nagatomo cruzou, Osako tentou dominar e a bola foi em direção à meta dos europeus. Courtois foi mal e deixou a bola passar por baixo de sua perna, entretanto se recuperou no lance.

Na volta do intervalo, o time de Akira Nishino foi fatal no contra-ataque. Após roubar bola na entrada da área, Inui toca para Kagawa, que lança nas costas de Vertonghen. O zagueiro belga não consegue fazer o corte e Haraguchi ficou com a bola dentro da área e bateu cruzado.

Os Diabos vermelhos reagiram logo em seguida. Aos quatro minutos, Hazard mandou uma bomba na trave direita da meta japonesa. Contudo, quem voltou a balançar as redes adversárias foi o Japão. Kagawa pegou a sobra de um chute, tirou o marcador e tocou para Inui finalizar no canto esquerdo do goleiro.

A equipe belga ficou atordoada e passou a encontrar dificuldades para chegar ao ataque. Em uma das poucas chances, aos 16, Meunier cruzou da linha de fundo e Lukaku cabeceou muito perto. O terceiro gol japonês quase veio aos 19. Sakai cruzou rasteiro da direita, Courtois tirou com o pé e Osako desperdiça a chance de aumentar.

O time de Roberto Martínez começou a pressionar e marcou o seu primeiro gols aos 25 minutos. Após cobrança de escanteio, o jogador nipônico tentou afastar, mas o bicão ficou dentro da área e Vertonghen cabeceou tentando colocar a bola no meio, mas ela tomou a direção da meta defendido por Kawashima e entrou encobrindo o goleiro.

O gol do empate saiu aos 28 minutos. Hazard fez um belo cruzamento e Fellaini cabeceou do meio da área. A partida estava em 2 a 2.

Mesmo com o baque sofrido, o Japão não abriu mão da partida. Aos 30, a defesa belga bobeou, Inui fez jogada individual e finalizou bloqueado. Dois minutos depois, Sakai cruzou, Kompany tirou e Kagawa chutou para fora na sobra. Já aos 38, Honda recebeu passe em profundidade, mas arrematou errado.

Se Eiji Kawashima foi mal no lance do primeiro gol belga, ele brilhou aos 40 minutos.Primeiro Chadli cabeceou a queima roupa e o goleiro defendeu. Em seguida, Lukaku cabeceou e o arqueiro japonês voltou a aparecer. Já aos 42, ele defendeu um bom chute de Vertonghen.

Aos 45 minutos, quase veio o gol do triunfo do time de Akira Nishino. Depois de cruzamento, Witsel fez o corte e quase mandou contra sua própria meta. Já aos 48, Honda bateu falta com perigo, mas Courtois defendeu.

O gol da vitória veio em contra-ataque fatal. De Bruyne arrancou da entrada da área do campo defensivo, passou para Lukaku, que deixou Chadli com o gol aberto apenas precisando empurrar.

FICHA TÉCNICA
BÉLGICA 3 X 2 JAPÃO

Local: Arena Rostov, em Rostov (Rússia)
Data: 2 de julho de 2018 (segunda-feira)
Horário: 15h (de Brasília)
Árbitro: Malang Diedhiou (Senegal)
Assistentes: Djibril Camara (Senegal) e El Hadji Samba (Senegal)
Público: 41.466
Cartão amarelo: Gaku Shibasaki (Japão)
Cartão vermelho: não teve
GOLS: BÉLGICA: Jan Vertonghen, aos 25, Marouane Fellaini, aos 28, e Nacer Chadli, aos 49 do segundo tempo JAPÃO: Genki Haraguchi, aos dois, e Takashi Inui, aos seis da segunda etapa

BÉLGICA: Thibaut Courtois; Toby Alderweireld, Vincent Kompany e Jan Vertonghen; Thomas Meunier, Kevin de Bruyne, Alex Witsel e Yannick Ferreira-Carrasco (Nacer Chadli); Dries Mertens (Marouane Fellaini), Eden Hazard e Romelu Lukaku
Técnico: Roberto Martínez

JAPÃO: Eiji Kawashima; Hiroki Sakai, Maya Yoshida, Gen Shoji e Yuto Nagatomo; Takashi Inui, Gaku Shibasaki (Hotaru Yamaguchi), Genki Haraguchi (Keisuke Honda) e Makoto Hasebe; Shinji Kagawa e Yuya Osako
Técnico: Akira Nishino




A enorme distância para Samara, cidade no sudoeste da Rússia onde Brasil e México se enfrentaram nesta segunda-feira, pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2018, não foi um problema para os torcedores que lotaram o Vale do Anhangabaú a fim de acompanhar a partida. A massa verde e amarela cantou, vibrou e jogou junto com os comandados de Tite durante todos os 90 minutos. Cada drible, cada desarme, cada jogada de ataque era motivo para grande euforia por parte da galera, que comemorou muito a classificação às quartas de final.

Antes mesmo da bola rolar, o sentimento era de plena confiança. Raros foram os que apostaram em uma partida difícil para a Seleção Brasileira. “O coração está apertado, mas vai dar tudo certo. Vai ser 3 a 1 para o Brasil, com um do Neymar, um do Gabriel (Jesus), e um do William, que está precisando de um golzinho também. O México é um time bom, mas não aguenta com o Brasil não”, disse Rodrigo Santos. “Estamos confiantes! Vai ser 3 a 0 Brasil, Neymar, Paulinho e Firmino. Só vai dar a gente”, completou Thaís Cavalcante.

Segundo os torcedores do Anhangabaú, o adversário do dia não era motivo para preocupação. Para grande parte deles, os mexicanos, por mais que tivessem derrotado a Alemanha na primeira fase, não representavam uma pedreira tão grande no caminho do Brasil.

“O México preocupa um pouco, mas não é tudo isso não. As melhores seleções, mais cotadas ao título, já saíram, então essa é Copa é nossa. Brasil na cabeça! ”, afirmou Ronaldo Lara. “Hoje está tranquilo. A preocupação é com o hepta em 2022!”, declarou Leonardo Oliveira, um pouco mais animado.

Quando a bola rolou, porém, toda a confiança manifestada pelos fanáticos foi substituída por um forte nervosismo. O México começou melhor, jogando com velocidade e assustando em alguns contra-golpes. A Amarelinha só foi levar perigo ao gol defendido por Ochoa após a metade do primeiro tempo. Neymar fez boa jogada individual e por pouco não abriu o placar, o suficiente inflamar a torcida paulistana novamente.

No intervalo, muitos pediram a entrada de Marcelo no lugar de Filipe Luís, que recebeu cartão amarelo. Um deles foi Jaílton Café, que também alertou para o perigo dos contra-golpes mexicanos: “O Brasil melhorou, mas o jogo está muito amarrado. O contra-ataque do México é muito rápido, tem que tomar cuidado”, opinou.

Outro foi Gabriel Gueogjian, que, reconhecendo certo nervosismo por parte da Seleção Brasileira, também apontou para a necessidade do técnico Tite corrigir a postura dos atletas no vestiário. “Achei o Brasil mais nervoso, mas acho que o Tite vai conseguir mexer com a cabeça dos jogadores para que a gente ganhe esse jogo no segundo tempo”, falou.

Dito e feito. O Brasil voltou diferente para a etapa final e fez a multidão verde e amarela ir à loucura logo aos seis minutos de jogo. Neymar completou cruzamento de William para a rede e estremeceu o Vale do Anhangabaú. E a festa, que já era enorme com 1 a 0 no placar, no momento do segundo gol, anotado Firmino já nos minutos finais da partida, ficou ainda maior. Vitória por 2 a 0 e classificação garantida às quartas de final da Copa.

Na próxima fase, a Amarelinha enfrenta o vencedor do confronto entre Bélgica e Japão. Diante da força que tem mostrado a seleção belga, a preferência dos torcedores brasileiros era, sem dúvidas, pelos asiáticos como adversários. Gabriel Marinelli foi um dos manifestarem torcida pelos japoneses, embora tenha deixado claro que, para quem está com a cabeça no título, não importa qual será o próximo oponente.

“Prefiro pegar o Japão, mas quem quer ser hexa não pode escolher adversário nenhum”, afirmou ele, que vê a equipe comandada por Tite no caminho certo em busca da taça. “Time entrosou bem, Neymar, William, todo mundo jogando bem. Mesmo o Jesus, que não foi tão bem no ataque, está bem na defesa. O Brasil está melhorando, o time soube sofrer hoje, contra a Sérvia foi muito bem. Está melhorando e é isso que importa”, completou.

Seja contra Bélgica, seja contra Japão, o Brasil volta a campo às 15h (no horário de Brasília) da próxima sexta-feira, em Kazan, valendo vaga nas semifinais da Copa do Mundo da Russia. Se passar, disputará uma vaga na final da competição diante de França ou Uruguai, que medirão forças em confronto previsto as 11h do mesmo dia.

 

 



Gabriel Jesus novamente não conseguiu dar fim ao seu jejum de gols nesta Copa do Mundo. Em sua quarta partida como titular, o contestado camisa 9 da Seleção Brasileira foi combativo, como de costume, ajudou na marcação e taticamente foi muito bem, contudo, não estufou as redes, fato que foi mais uma vez minimizado por ele.

Durante a partida, Gabriel Jesus teve apenas uma chance clara de gol. Na ocasião, o atacante driblou o zagueiro dentro da área e mesmo sendo destro bateu com a perna esquerda, vendo o goleiro Ochoa bloquear seu arremate.

“Vontade de fazer gol eu tenho desde quando eu jogava na várzea. Acontece, cara. O problema seria se eu não estivesse ajudando de alguma maneira. O gol te premia por aquilo que você está fazendo, estou bem tranquilo, estou trabalhando, buscando”, afirmou Gabriel Jesus.

Sofrendo com a forte marcação nesta Copa do Mundo, Gabriel Jesus ainda tenta se adaptar às linhas defensivas dos adversários, que vêm dificultando a vida das grandes seleções no torneio. Alemanha, Argentina e Espanha já foram eliminadas, o que simboliza a notável organização tática das equipes consideradas mais fracas.

“Se você pegar aí, dos quatro jogos que a gente fez, tive uma chance clara. Eu não errei gol, pelo contrário. Acontece, mas fico feliz pela equipe, pela classificação, pelos jogos que vem fazendo, crescendo cada vez mais”, completou o camisa 9 do time canarinho.

Nesta segunda-feira, Roberto Firmino, concorrente de Gabriel Jesus pela titularidade no ataque, entrou na etapa complementar na vaga de Philippe Coutinho e marcou o segundo gol do Brasil contra o México, acalorando ainda mais o debate sobre quem merece ser o “camisa 9” de Tite.




Dois dias após a eliminação da Argentina pela França nas oitavas de final da Copa, o pouco autor do primeiro e do último gol da Celeste no torneio, Sergio Agüero, se manifestou sobre a campanha de sua seleção. O atacante agradeceu aos argentinos e companheiros.

Em uma rede social, o atleta escreveu o seguinte agradecimento. “É hora de agradecer. Meu filho, minha família e meus amigos que me acompanhavam todos os dias. Aqueles que com grande esforço vieram à Rússia para nos encorajar. Para todos aqueles que da Argentina e tantos países nos apoiaram com sentimento e paixão, acrescentando isso e acima de tudo aos meus colegas que são os melhores do mundo para deixar a alma em todos os jogos. Também aos médicos, fisioterapeutas, adereços e chefs que fazem parte de uma grande equipe. Continuar lutando sempre e juntos. Eu te amo Argentina”.

Agüero ‘esqueceu’ de agradecer Sampaoli (Foto: Reprodução)

Quem não foi citado no texto de Agüero foi o treinador Sampaoli, bastante criticado pelos argentinos. Antes, o camisa 19 havia falado após o jogo e lamentado a eliminação e comentado sobre adaptações em relação ao treinador.

“É muito difícil analisar o que faltava a seguir. Mas às vezes, quando você começa mal, é difícil fazer as coisas direito. Sempre temos algo que ninguém tem, que é o espírito e a atitude de ganhar, mas temos que nos adaptar às coisas que o técnico nos pede ”, afirmou.

Agüero também já havia assegurado que pretende continuar defendendo a seleção, com ou sem Sampaoli. “No caso da minha posição, muitos jovens atacantes vêm como promessas. Mas pessoalmente, contanto que o técnico esteja lá, seja Jorge ou outro, e eles ainda precisarem de mim, obviamente estarei disposto”, declarou Kun.



O atacante Neymar, vitimado por lesão, deu adeus à Copa do Mundo de 2014 nas quartas de final. De volta ao mesmo estágio, o astro da Seleção Brasileira ganhou afagos do técnico Tite após o triunfo sobre o México, alcançado nesta segunda-feira, e deu de ombros para os críticos.

“Está melhorando (no aspecto emocional). Quando você gasta energia em outras situações que não sejam jogar, perde o foco. Ele gosta de jogar, de driblar e, às vezes, gera incompreensão dos adversários, porque é muito rápido. É pecado driblar no último terço do campo? Não é pecado e o técnico promove isso”, advogou Tite.

Inspirado, Neymar brilhou em Samara ao marcar o primeiro gol do Brasil e dar o passe para Firmino aumentar. No segundo tempo, após receber pisão de Layun no tornozelo fora do gramado, o atacante ficou se contorcendo, lance que gerou críticas do técnico Juan Carlos Osório.

Protegido pelo técnico Tite durante a entrevista coletiva, Neymar não comentou as declarações do técnico do México. O principal jogador da Seleção Brasileira, questionado sobre as críticas e polêmicas que o acompanham, tratou de minimizar a situação.

“Não ligo muito para crítica. Às vezes, nem mesmo para elogios, porque isso pode influenciar a cabeça do atleta. Nesses últimos dois jogos, não falei com a imprensa, não falei nada. Porque eu não queria polêmica, porque tem muita gente falando e uns se alteram. Não sei se querem aparecer, não se sei querem falar”, declarou, focado.

“Eu só tenho que jogar futebol. Tenho que ajudar meus companheiros, ajudar minha equipe. Eu vim aqui para isso e não para outra coisa. Vim para ganhar. Então, espero que possa melhorar cada vez mais. Sabia que precisaria de ritmo para voltar ao meu nível normal e, hoje, já me sinto muito melhor”, declarou.



Ronaldinho Gaúcho, Felipão, Romário e Raí reunidos em um bar no centro de São Paulo para acompanhar o jogo entre Brasil e México, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Um cenário um tanto improvável, mas possível graças aos sósias de algumas das principais figuras da história da Seleção Brasileira. Moacir, Walter, Rafael e Marcelo assistem a todos os jogos do Brasil no bar e balda Central Mix, e ajudam a criar o ambiente festivo no local.

Faltando cerca de 15 minutos antes do início da partida, a casa, que estava vazia, repentinamente foi tomada por homens e mulheres com camisas amarelas e buzinas nas mãos. Os quatro telões do local mostravam o aquecimento da Seleção, enquanto em cima do palco, um cantor embalava o pré-jogo com muita música sertaneja.

O clima era otimista. As buzinas não paravam de soar, e a movimentação era grande em busca de assentos vazios para assistir confortavelmente à partida. Os sósias tinham lugar cativo, e se acomodavam em um sofá em frente ao principal telão da casa. Antes do início do duelo, quando perguntados sobre as perspectivas do Brasil na competição, os personagens não hesitaram em fortalecer o favoritismo da equipe.

Moacir, sósia de Ronaldinho Gaúcho, crê que eliminação de seleções como Alemanha, Argentina e Espanha facilitará o caminho do Brasil até a decisão. Ao palpitar sobre o resultado do embate diante do México, foi preciso, e se tivesse apostado em algum bolão, certamente teria conseguido bons pontos.

“Creio que hoje o Brasil ganha do México. 2 a 0 para nós, é claro. E como várias seleções grandes já caíram fora, o Brasil tem grandes chances de chegar na final”, disse.

Já Walter, sósia de Luiz Felipe Scolari, exaltou a necessidade da equipe Canarinho manter o foco para buscar os objetivos, e também foi certeiro ao arriscar um placar

“É só o Brasil não entrar de ‘salto alto’ e respeitar o adversário. Tenho certeza que hoje vai ser o melhor jogo que a Seleção vai fazer. Acredito que vai ser 2 a 0”, palpitou.

Logo após o apito inicial, a tensão tomou conta do local. Com o México dominando o começo da partida, o ambiente ficou um pouco silencioso. A partir dos 22 minutos, contudo, com o Brasil aumentando o volume de jogo, a partida esquentou, e o clima no bar também. Muita expectativa e gritaria a cada vez que a Seleção chegava perto da meta de Ochoa, que assim como na fase de grupos da Copa de 2014, mostrava-se um algoz de Neymar e companhia, executando belas e importantes defesas.

O primeiro tempo acabou sem gols, mas nada que desanimasse a torcida brasileira. No intervalo, o som alto do funk estourava nas caixas de som, e os mais otimistas (a grande maioria) dançavam e sorriam. Os mais contidos, em número bem mais reduzido, permaneciam sentados na expectativa da segunda etapa.

Mesmo a mais de 12 mil quilômetros de distância da Arena Samara, na Rússia, o clima festivo e animado no bar Central Mix parece ter contagiado a Seleção Brasileira. Willian, que estava apagado na Copa até ali, acordou para o jogo, e passou a colocar fogo na partida. Logo aos cinco minutos, quando o camisa 19 tocou para Neymar empurrar para o gol vazio e abrir o placar, a torcida explodiu de vez. O “silêncio” pedido pelo camisa 10 na comemoração certamente não era destinado a torcida brasileira, que reagiu jogando cervejas para o alto e tornando o ambiente ensurdecedor.

O gol tranquilizou a equipe e a torcida. Após o tento, dentro de campo, Neymar se soltou mais, esbanjando habilidade. Willian se agigantou, mesclando dribles velozes com belas tabelas. Bem longe das quatro linhas, os torcedores não largavam as buzinas e vuvuzelas, mandavam áudios em grupos de WhatsApp e abusavam das selfies, enquanto os garçons se movimentavam rapidamente levando baldes e mais baldes de cerveja para as mesas. Em meio a alegria, contudo ainda haviam alguns céticos.

“Esse é o problema do Brasil, cara. Fica tocando bola em vez de ir para cima para fazer outro gol. Sorte que o México é muito ruim…Se fosse a França, já teria feito uns seis”, dizia um torcedor, pensando alto, como quem conversa consigo mesmo. Do seu lado, outro homem fazia sinal de negativo com as mãos. A insatisfação dos brasileiros, ironicamente, imediatamente surtiu efeito. Assim que o torcedor disparou a reclamação, aos 42 minutos do segundo tempo, Neymar recebeu na esquerda e rolou para Firmino fechar a conta e garantir a Seleção nas quartas de final. O semblante, que antes era de aflição, converteu-se em um grande sorriso assim que a bola tocou as redes, fazendo mais uma vez a alegria e a confiança tomarem conta do ambiente.

Na próxima sexta-feira, a Seleção entra em campo pelas quartas de final da Copa, para seguir em busca do tão sonhado hexacampeonato. Para Rafael, sósia de Romário, o sexto título enfim virá neste ano, pois não há ninguém páreo para o time comandado por Tite.

“Agora só vai dar nós! A nossa pedra no sapato era a Alemanha, mesmo jogando mal daquele jeito. Agora, sem eles, vamos atropelar tudo que vier pela frente!” declarou, em tom otimista. Marcelo, sósia de Raí, via o México como um empecilho na vida do Brasil. Mas após a vitória, já projeta um bom desempenho da Seleção. “A minha preocupação era o México. Eu acompanhei os jogos, e vi que eles estavam com muita garra…Agora eu estou mais sossegado. Claro que já é quartas de final, então sempre há um receio, mas eu estou crente de que o Brasil vai conseguir o título sim”, projetou.

*especial para a Gazeta Esportiva.



Layún condenou o comportamento de Neymar durante a partida (Foto: SAEED KHAN/AFP)

O mexicano Miguel Layún criticou o comportamento de Neymar em campo após a eliminação de sua equipe da Copa do Mundo. Nesta segunda-feira, o brasileiro foi vítima de um pisão do rival fora do gramado, porém, a arbitragem não advertiu o lateral-direito.

“Toquei um pouco nele, porque Neymar tentou me impedir quando fui pegar a bola. Eu nem estava olhando para ele. O árbitro me disse que revisaram o lance e viram que não tive intenção de machucá-lo”, afirmou Layún após a partida.

Desde o início da Copa do Mundo Neymar tem sido bastante criticado por conta de supostas simulações em campo após sofrer contato dos adversários. Nos últimos jogos, porém, o camisa 10 mostrou uma postura diferente, reclamando menos e tentando se manter em pé nas disputas, o que não foi reconhecido por Layún.

“Um jogador desse nível vive mais tempo no chão do que em pé. É complicado quando os árbitros permitem isso”, prosseguiu o mexicano, acompanhando o raciocínio de seu treinador, que também condenou a arbitragem na coletiva de imprensa.

“Não caio nas provocações. Ao fim, isso é futebol. Se não quer ser tocado, que vá fazer outra coisa”, concluiu Layún, que teve suas redes sociais invadidas por brasileiros após a partida.



A tensão de Juan Carlos Osorio à beira do campo na Arena Samara ficou refletida em sua entrevista coletiva após a derrota para a Seleção Brasileira por 2 a 0 e a consequente eliminação na Copa do Mundo. Conhecido pela sua cordialidade desde os tempos em que treinava o São Paulo, o treinador do México não poupou a arbitragem do italiano Gianluca Rochi de críticas e citou como “vergonha para o futebol” algumas posturas brasileiras.

Sem citar diretamente Neymar, alvo da maioria dos lances faltosos, Osorio criticou a atenção dada a “um jogador só” e o tempo perdido entre a falta e a reposição da bola em jogo. Para o colombiano, os comandados de Tite abusaram do “fingimento em lances cruciais”.

“Acho que é uma vergonha para o futebol que se perca tanto tempo dando atenção para um só jogador. Acredito mesmo que a veemência com a qual jogamos acabou tensionada e parada na atuação da arbitragem. Cada situação de jogo demorava muito. Uma delas demorou quatro minutos. Foram decisões que influenciaram”, afirmou Osorio, que se exaltou ainda mais.

“Não é um bom exemplo para as crianças que veem futebol o que se viu hoje. É um jogo de homens, como em outros esportes, e não há espaço para tanta palhaçada”, analisou o treinador, que evitou citar diretamente Neymar quanto ao destino de suas críticas. “Eu não o mencionei. Não falei nome algum para vocês. Todos os contatos simples o árbitro parou o jogo com faltas que, infelizmente, nos atrapalharam”, analisou o ‘Profe’, visivelmente irritado.

Em outro trecho de sua entrevista coletiva, o treinador colombiano foi questionado sobre a continuidade do trabalho na seleção mexicana, tema que preferiu “comentar em outro momento”. Depois, mais calmo, analisou a partida e elogiou o time brasileiro que, segundo ele, possui alguns dos melhores jogadores do mundo e um esquema muito equilibrado.

“Jogar uma partida contra o Brasil da forma como jogamos diz muito a respeito do quão bem o México jogou, sobre o nosso estilo. Não tivemos uma qualidade para finalizar, aquela eficácia no toque final. O Brasil é um grande adversário, haja vista os que lá jogam (Gabriel Jesus, Willian, Coutinho, sem falar de Casemiro, Paulinho, do resto). Tem que servir de aprendizado para o México, que precisa ter mais atletas nas grandes ligas”, finalizou Osorio.