Justiça investiga ligação entre amistosos de Messi e cartel do tráfico

São Paulo, SP

29-09-2015 08:55:52

Uma reportagem divulgada pelo jornal El Mundo nesta terça recolocou Messi sob os holofotes, desta vez, no cenário dos bastidores. Como já tinha sido revelado há cerca de três meses, Messi e seu pai Jorge, administrador da fundação que leva o nome da família, são investigados pela receita espanhola por sonegação de impostos, e pelo DEA (agência anti tráfico dos Estados Unidos) por uma possível ligação com o cartel mexicano Los Valencia.

O ‘cartel do Milênio’, como ficou conhecido uma das maiores organizações do tráfico de drogas no México, coordenada por José Valencia, abastecia diversas cidades da fronteira com mercadorias, e era responsável pela entrada de, ao menos, um terço da cocaína consumida nos Estados Unidos na virada dos anos 1990, segundo constam nas pesquisas da DEA. Em 1999, a organização começou a ser desmantelada em uma operação conjunta dos governos norte-americano, mexicano e colombiano.

De acordo com a publicação, além dos fiscais do tribunal de Madri pedirem a avaliação da Justiça catalã, região onde Messi reside e tem suas contas bancárias, sobre o caso da não declaração dos ganhos, o argentino tem contra si uma testemunha, que não teve a identidade revelada e está sob custódia dos estadunidenses, que pode comprovar a existência de um esquema de lavagem de dinheiro a partir dos amistosos realizados na América Latina entre 2012 e 2013.

O representante de Messi, e responsável por organizar os amistosos, Guillermo Marín, foi ouvido em tribunal na primavera passada. Ele é acusado de receptar o dinheiro não declarado a partir de uma conta em Curaçao. O montante seria de 1,7 milhões de dólares (cerca de R$ 7,9 mi), ‘lavados’ a partir do método da “fila zero”, segundo o qual a venda de entradas não tem o menor controle – é vendida uma quantidade a mais da que está disponível.

Assim como outros jogadores do Barcelona, que prestaram depoimento e negaram terem recebido dinheiro para participar dos jogos, como os casos de Daniel Alves e Mascherano, Messi também foi ouvido pela Guarda Civil há alguns meses e negou qualquer relação com práticas ilegais. O processo contra o argentino, assim, divide-se em três partes: uma sobre a lavagem de dinheiro das partidas, julgada nos EUA; uma sobre a fraude fiscal, julgada em Barcelona, e outra sobre a lavagem de dinheiro em shows, levada a cabo em Madri.

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