Aposentado das pistas desde 2006, Baloubet du Rouet passou os últimos cinco anos exercendo a função de reprodutor. Na última sexta-feira, quando visitou com exclusividade, em Portugal, o garanhão multicampeão, a reportagem da Gazeta Esportiva.net conheceu um dos mais promissores dos cerca de 2.100 filhos que ele tem espalhados em diferentes países, inclusive no Brasil.
Único herdeiro macho de Baloubet com a égua Bianca D’Amaury – que também já foi montada por Rodrigo Pessoa –, Cherribalou destaca-se aos olhos do proprietário Dom Diogo Pereira Coutinho, no haras em Benavente, nas imediações de Lisboa. Com a autoridade de quem descobriu um dos maiores cavalos da história do hipismo, o empresário português garante que o animal de quatro anos tem potencial para, pelo menos, se aproximar da carreira bem-sucedida do pai.
“A Bianca é filha de um cavalo que também foi campeão olímpico e era uma belíssima saltadora, enquanto o Baloubet é o Baloubet. Por isso, o Cherribalou tem uma genética sensacional. Precisamos começar com ele desde pequeno e tratá-lo muito bem, com todos os carinhos, com toda a confiança. Ele já começou a saltar com uma projeção muito boa. Estou convencido que vai ser um cavalo de futuro”, apostou o português de 90 anos, que até hoje mima o garanhão campeão olímpico.
Sendo milhares os filhos que Baloubet fez, Dom Diogo não sabe, mas uma herdeira de seu cavalo já destaca-se no Brasil – curiosamente, país que o garanhão representou durante 12 anos, mas onde jamais esteve. O nome é de tenista, porém é nas pistas de salto que Sharapova vem colecionando prêmios.
Também a exemplo de seu pai, a égua, batizada em homenagem à tenista russa Maria Sharapova, começou sua vida esportiva em outra modalidade do hipismo, o CCE (Concurso Completo de Equitação). Mas por dar pulos muito grandes sobre os obstáculos rurais, perdendo tempo nas provas que são contra o cronômetro, acabou sendo transferida para o salto há dois anos e meio, quando foi comprada pelo cavaleiro Artemus de Almeida.
Cherribalou é o filho mais promissor do campeão Baloubet (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
“Ela me foi oferecida por um amigo que faz CCE. É claro que o fato de ser filha do Baloubet pesa. Pesa no preço também (risos). Ele é um dos melhores garanhões do mundo, com vários filhos de muito potencial”, admitiu o cavaleiro, que, apesar de não ser um grande fã de tênis, reconheceu admiração pela bela atleta russa, que também dá nome a sua tartaruga.
Com Artemus, Sharapova venceu o Grande Prêmio da Copa do Mundo do CSIW2* do Rio de Janeiro e foi vice-campeã brasileira da categoria sênior. O cavaleiro, no entanto, ainda é cauteloso ao compará-la com Baloubet, apesar de a égua repetir o temperamento difícil do cavalo campeão olímpico.
“A carreira do Baloubet é incomparável. Dificilmente outro cavalo vai repetir. Mas a Sharapova já tem resultados importantes apesar da pouca experiência no salto”, ponderou Artemus, antes de apontar as semelhanças de seu animal com o pai famoso. “Ela também é bastante sistemática, mas séria nos obstáculos. Tem que tomar bastante cuidado quando vai corrigi-la. Não pode ser brusco”, avisou.
Se com a genética de campeã, Sharapova também se inspira na xará – ex-número 1 do ranking feminino de tênis – para vencer nas pistas do Brasil e do mundo, Dom Diogo terá que dividir sua torcida e seu coração entre a égua e Cherribalou. E o pai Baloubet du Rouet também.