O Rei do Dérbi Campineiro

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O Rei do Dérbi Campineiro

Oswaldo Alvarez, o Vadão, já teve nove passagens entre Ponte Preta e Guarani, nunca perdeu um Dérbi Campineiro e tem o respeito de ambas as torcidas

André Garda e Luca Castilho 2 de maio de 2018 08:00:01
 

O Dérbi do Século. Foi assim que foi chamada a penúltima partida disputada entre Ponte Preta e Guarani e o último Dérbi Campineiro que Oswaldo Alvarez, o Vadão, comandou uma das duas equipes. Em pleno Brinco de Ouro da Princesa, os dois times de Campinas disputaram a semifinal do Campeonato Paulista. A Macaca, que havia eliminado o Corinthians nas quartas de final da competição, abriu o placar aos 39 minutos com Caio. Contudo, o Bugre – que tinha deixado o Palmeiras pelo caminho – virou a partida na segunda etapa com dois gols de Medina e outro de Fábio Bahia. Desde então, ambos clubes da cidade voltaram a jogar apenas em 2013 e, após seca de cinco anos, irão se reencontrar no Campeonato Brasileiro Série B, com o primeiro jogo no sábado, dia 5 de maio, no mesmo palco da semifinal de 2012.

“Me perguntaram outro dia quais foram os dérbis inesquecíveis para mim. Teve o Dérbi do Século em 2012. Eu comandava o Guarani, estávamos perdendo de 1 a 0 no primeiro tempo e eu bati muito nessa tecla que nosso time estava jogando bem e que não poderíamos perder a calma e entrar na pilha da torcida. Daí viramos em 3 a 1 e fomos fazer a final contra o Santos (que acabou sendo o campeão). Aquele jogo dava vaga para disputar as finais”, contou o atual técnico da Seleção Brasileira feminina de futebol em entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.

Ao longo de suas nove passagens por Ponte Preta e Guarani (ele só não teve uma quinta passagem na Macaca no ano passado porque a CBF o chamou para voltar a comandar a Seleção feminina do Brasil), Vadão nunca perdeu uma partida. Foram nove partidas no total, sendo cinco triunfos e quatro empates. Além do jogo de 2012, Oswaldo Alvarez foi o responsável por tirar o time do Moisés Lucarelli de um jejum de 15 anos sem vencer o seu maior rival em 2002.

“Qualquer resultado que você tenha positivo (no Dérbi Campineiro) é importante. Mas aquele jogo, trabalhando pela Ponte e vencendo de virada… estávamos perdendo de 2 a 0 e conseguimos virar para 4 a 2. A arquibancada do foço (do Brinco de Ouro) caiu, com o resultado a gente conseguiu quebrar o tabu”, declarou o treinador de 61 anos, natural de Monte Azul Paulista, antes de revelar qual a fórmula para nunca ter sido derrotado em um dérbi.

“Acho que foi uma coisa difícil de acontecer porque são nove partidas. E aí criou-se esse tabu, mas em algumas oportunidades que tivemos bastante sorte. Eu estava no Guarani, perdendo para a Ponte por 1 a 0 e teve um pênalti para nós aos 45 do segundo tempo (e o Fumagalli marcou o gol nos acréscimos na fase de grupo do Paulista de 2012)… com mais experiência no clássico, percebi que existe muita movimentação, cobrança excessiva, a diretoria aumenta a premiação, enfim, existe uma pressão muito grande em cima dos jogadores. As duas equipes entram muito pilhadas no jogo, muito motivadas e isso as vezes faz com que o time passe do ponto e você não consegue jogar aquilo que está acostumado a jogar. Comecei a tirar essa pressão para que a equipe que eu estava dirigindo conseguisse desenvolver o futebol que estava acostumada a jogar. Acho que a partir daí eu tenha tido uma influência grande”.

Vadão também lembrou que a semana que antecede o Dérbi Campineiro é uma “loucura” e lamentou a violência entre as duas torcidas que marcaram os últimos confrontos. Ele ainda disse torcer para que ambas as agremiações consigam o acesso para a primeira divisão para o futebol de Campinas ser “muito valorizado”. Por fim, o treinador lembrou os grandes atletas com quem ele trabalhou no Bugre e na Macaca.

“Tive a felicidade de trabalhar com muitos jogadores. Trabalhei com Amoroso, Luizão e outros grandes atletas no Guarani. E na Ponte também, teve o Washington, Macedo, Ronaldão. A história das equipes mostra isso. Campinas sempre foi um grande centro”, disse antes de falar do respeito que tem das duas torcidas. “Como eu trabalhei por muito tempo (nessas equipes), então acabei disputando um número grade de clássicos. É lógico que é uma satisfação, sou respeitado pelas duas equipes. Consigo fazer essa transição de (um time para o outro) de forma muito tranquila. Acho que isso é um ponto positivo na carreira e é bom ter o respeito de ambos os lados”.

Publicado em 2 de maio de 2018 08:00:01
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