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Terceiro maior artilheiro do Santos, Coutinho editou dupla lendária com Pelé que encantou o mundo

11 de março de 2019 22:28:16
 

A história do futebol brasileiro é pródiga em duplas de atacantes que infernizaram a vida das defesas adversárias. Nenhuma delas porém fez mais sucesso, deu mais alegrias aos seus torcedores e dor de cabeça aos adversários que Pelé e Coutinho, na época gloriosa do Santos, no início da década de 60.

Os dois foram responsáveis pela maior parte dos gols do imbatível time do Santos de então. Além dos gols, o que mais impressionava nos dois era a sintonia. Eles jogavam como que por música, se comunicavam por telepatia dentro de campo e brindavam os torcedores com tabelinhas perfeitas, jogadas ousadas e criativas e gols magistrais.

Juntos, fizeram 1461 gols pelo Santos, 370 dos quais assinalados pelo centroavante – o que o coloca em terceiro lugar no ranking dos maiores artilheiros santistas, atrás apenas de Pepe (o segundo, com 405 gols) e, naturalmente, do próprio Pelé, com 1091.

Coutinho dedicou quase toda sua vida de jogador ao Santos, onde atuou durante 12 anos, de 1958 a 1970. Nasceu Antônio Wilson Vieira Honório, em 11 de junho de 1943, na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo. Depois de uma rápida passagem pelo XV de Novembro local, foi para cidade de Santos tentar a sorte no time da Vila Belmiro, aos 15 anos de idade. Seu primeiro jogo com a camisa santista foi um amistoso contra um time chamado Sírio Libanês, em Goiânia: o Santos venceu por 7 a 1.

Coutinho foi o terceiro maior artilheiro da história do Santos, com 370 gols (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Sua estréia em partidas oficiais, no entanto, foi na decisão do Torneio Rio-São Paulo de 1958, contra o Vasco da Gama, no Pacaembu. E não deu outra: o Santos venceu, por 3 a 0, com dois gols seus. Começava ali uma paixão, um casamento que duraria 12 anos seguidos, durante os quais ele defendeu o alvinegro praiano em 457 oportunidades.

Na Seleção, estreou em 9 de julho de 1960, na derrota de 1 a 0 para o Uruguai, em Montevidéu. Em 1962, era titular absoluto da camisa número 9 da Seleção Brasileira. Porém, uma grave contusão no joelho direito às vésperas do embarque para o Chile o tirou de combate. Foi num jogo amistoso contra o País de Gales, no Pacaembu, última partida da Seleção antes da estréia na Copa do Mundo. “Pedi para não jogar, mas o treinador disse que eu precisava perder uns quilinhos e me escalou. Fui o único titular escalado para aquele jogo”, contou ele algum tempo depois.

Coutinho não entregou os pontos e, mesmo contundido, viajou com a delegação para o Chile, onde ficou em tratamento em Viña del Mar e Santiago, cidades-sede do Brasil na Copa de 62. Mas não deu para ele se recuperar a tempo – mesmo porque Vavá, que o substituiu no comando do ataque da Seleção, deu muito bem conta do recado e não saiu mais do time.

Reserva-titular

Coutinho tem uma opinião toda particular sobre sua situação na época: “Não posso falar sobre o que é ser reserva na Seleção. Eu viajei como titular, tinha lugar assegurado no time. Quando o Pelé se machucou, fui apontado como o “salvador da pátria”. Mas não dava nem para ser reserva… Quando voltei do Chile, operei os meniscos.” Em entrevista concedida em 1994, ele confessava: “Até hoje esse joelho me incomoda”. Seu último jogo pela Seleção foi na vitória sobre a Hungria por 5 a 3, dia 21 de novembro de 1965, no Pacaembu.

Coutinho ainda jogou pelo Santos até 1970. Mas seu rendimento nunca mais foi o mesmo de antes da contusão. Ele também lutava contra um inimigo implacável para um jogador: a tendência de engordar.

Coutinho disputou 457 jogos com a camisa do Santos durante 12 anos (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Depois que saiu do Santos, passou também pelo Vitória (BA), Portuguesa de Desportos (SP), Bangu (RJ) e Atlas (México), vindo a encerrar a carreira como jogador em 1973, aos 27 anos, jogando pelo Saad, de São Caetano do Sul.

Mas sua relação com o Santos estava longe de terminar. Ainda no final da década de 70, estava de volta à Vila Belmiro, desta vez como treinador das equipes de base, tendo sagrado-se campeão paulista com o Juvenil A, em 1979, com o Juvenil B em 1980 e vice da Taça São Paulo de Juniores em 1982. Dirigiu, ainda, o time principal do próprio Santos em 1981, interinamente, e em 95, por apenas um jogo. Em 93, estava de volta à Vila Belmiro para comandar a equipe de juniores.

Como treinador, seus melhores resultados aconteceram à frente do Valeriodoce, da cidade de Itabira, Minas Gerais, que ele pegou lutando contra o rebaixamento no primeiro turno do campeonato estadual de 1985 e levou às semifinais do certame, juntamente com Atlético-MG, Cruzeiro e Democrata de Governador Valadares. Ele dirigiu ainda o Comercial-MS (87), Aquidauana-MS (87), Santo André-SP (88), Valeriodoce (92), São Caetano-SP (92) e Bonsucesso-RJ (93).

Em 1997, Coutinho dedicava sua atenção às jovens promessas da Associação Desportiva da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, onde selecionava atletas com potencial para a entidade. Fez parte do grupo de treinadores contratados pela Secretária Municipal de Esportes de São Paulo, trabalhando também com garotos.

Nesta segunda-feira, Coutinho morreu com um diabetes que o levou a ter três dedos do pé esquerdo amputados. Em janeiro, ele havia sido internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na Casa de Saúde em decorrência de uma pneumonia.

Raio-X

NOME: Antônio Wilson Vieira Honório (Coutinho)
11/06/43-11/03/2019
ALTURA: 1,67m
POSIÇÃO: centroavante
CLUBES: Como jogador – Santos, Vitória-BA, Portuguesa de Desportos-SP, Bangu-RJ, Atlas (México) e Saad (SP)
Como treinador – Santos, Valeriodoce-MG, Comercial-SP, Aquidauana-MS, Santo André-SP, São Caetano-SP e Bonsucesso-RJ
PRINCIPAIS TÍTULOS: Taça do Atlântico (1960), Taça Oswaldo Cruz (1961/62), Taça Bernardo O´Higgins (1961), Mundial Interclubes (62 e 63) e Taça Roca (1963), Copa do Mundo (1962)

Publicado em 11 de março de 2019 22:28:16

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