A cultura por trás do álbum de figurinhas

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A cultura por trás do álbum de figurinhas

Mediante o início da Copa do Mundo de 2018, colecionadores do Brasil e do mundo inteiro se reúnem para preencher seus álbuns. O ato é tão abrangente que alcança pessoas das mais diversas origens e faixas etárias, como Antônio Sérgio, de 63 anos, que tem cerca de 1000 álbuns completos em seu acervo pessoal

Felipe Leite - São Paulo, SP 17 de abril de 2018 09:00:50
 

O Brasil é o grande protagonista quando se trata do consumo e coleção do álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Dentre as 92 nações em que o objeto é comercializado, o país é o que mais vende a peça: a quantidade é maior que o dobro da segunda colocada, a Alemanha.

São produzidos cerca de oito milhões de envelopes por dia. Considerando que cada “pacotinho” contém cinco figurinhas, são 40 milhões de cromos fabricados por dia. E o ritmo de produção deve persistir até as datas próximas do Mundial na Rússia.

O presidente da Panini Brasil, fabricante do álbum, José Eduardo Martins, destacou o papel que a atividade tem na antecipação e preparação dos fãs de futebol antes da Copa do Mundo. “É inspirador saber que esse entusiasmo emociona fãs de futebol e colecionadores do Brasil inteiro. Sabemos que as pessoas aguardam ansiosamente o lançamento do álbum oficial, que já virou tradição em todos os anos de Copa do Mundo. O maior evento de futebol do planeta começa quando lançamos o álbum. Ele já faz parte da tradição do nosso país”, afirmou.

Antônio Sérgio, o Serginho, de 63 anos, mostra que a cultura de colecionar álbuns de figurinhas inclui, mas vai muito além da Copa do Mundo. Em contato exclusivo com a Gazeta Esportiva, o colecionador cita sua paixão por fotografia, futebol e os álbuns para justificar seu imenso acervo histórico.

“Gosto de colecionar. Meu foco principal é futebol, mas tenho de tudo aqui. Tenho álbum da Sandy & Junior, Zezé di Camargo & Luciano. Gosto muito do apanhado da história. Tenho até do Backstreet Boys (risos), um do Harry Potter”, explicou.

Com relação aos mundiais de futebol, a relação de Serginho com tal cultura recomeçou de 1990, depois que um roubo o fez perder parte de sua coleção. A partir do evento na Itália, a paixão do colecionador voltou a estar presente, a tal ponto que agora é difícil medir a real quantidade de álbuns em sua residência. Igualmente, o valor simbólico de todos eles não pode ser estimado.

“Da Copa, comecei a partir da (edição) de 1990. Tenho todos os álbuns, que saíram aqui no Brasil, completos: da Copa do Mundo, do Campeonato Brasileiro, da Liga dos Campeões, tudo lançado de futebol eu tenho aqui completo”, afirmou.

“É meio difícil de coordenar tudo, mas acredito que tenho perto de 800 (álbuns) completos e mais uns 200 sem completar”, constatou o colecionador.

Não sei quanto eles valem (risos). Única coisa que eu sei é que, se você me desse 50 mil reais em toda a coleção, eu não vendia

Serginho também lembrou as maiores loucuras que cometeu em sua vida de colecionador: chegou a pagar caro em um raro álbum de Pelé e esperar 11 anos para completar uma coleção do Brasileirão.

Já paguei dois mil reais em um álbum do Pelé

“Ele tem dois álbuns antigos, um você acha mais barato, mas sem estar completo e em mau estado. Tenho outro dele, de capa dura, na faixa de quatro mil, quatro mil e quinhentos reais. Tenho ‘completinho’ aqui”, disse.

“No Campeonato Brasileiro de 2001, lançaram uma série de figurinhas holográficas, e ficaram faltando umas quatro ou cinco. Na época, a gente pedia para a Panini e conseguia, só que essas esgotaram até mesmo na editora. Só fui arrumar as últimas 11 anos depois, em 2012, e ainda paguei 100 reais por cada uma”, completou.

Por fim, o colecionador de 63 anos não conseguiu relembrar os jogadores históricos que realizavam a mesma prática, mas citou um caso curioso envolvendo um atleta de outra modalidade.

“Trabalhei com muitos ex-jogadores. De figurinhas, não lembro de nenhum colecionar”, finalizou.

Mas na época da Copa do Mundo de 2002, se não me engano, o judoca Henrique Guimarães, do Centro Olímpico, trocou figurinhas de futebol comigo

A cultura de se colecionar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo vai dos mais jovens até os mais velhos, no Brasil e no exterior. Além do objeto em si, o que une todo o público é, também, a paixão pelas curiosidades dos jogadores que os cromos carregam. Por isso, confira aqui uma galeria contendo algumas informações curiosas sobre os atletas do Mundial de 2018, na Rússia:

(Crédito da foto destacada: Reprodução/Twitter oficial/Panini America)

Publicado em 17 de abril de 2018 09:00:50
  • gustavopassi

    Para quem também está ansioso para completar o álbum, tem encontros de trocas por todo o Brasil. Para mais informações é só acessar a página grupo de trocas no Facebook, chamada “Álbum de Figurinhas da Copa do Mundo 2014/2018 Panini – Trocas e Encontros”.

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