Na terceira e última matéria sobre a entrevista com o presidente da SAF da Portuguesa, Alex Bourgeois, foi abordado um tema de muita importância para o torcedor da Portuguesa: a reforma do Canindé, que contaria com um investimento de cerca de R$ 500 milhões.
No projeto da SAF, a reforma da tradicional casa da Lusa é um ponto fundamental. A gestão de Alex Bourgeois quer transformar o Canindé em um estádio completamente novo e funcional, com capacidade para cerca de 52 mil pessoas em jogos de futebol, e 84 mil em shows.
Para dar andamento no projeto, foi criado um planejamento para ser seguido. Dentro da estrutura da SAF, a Revee - uma das parceiras no acordo inicial da Sociedade Anônima de Futebol – teria como responsabilidade conduzir a reforma do Canindé. Porém, a empresa passa por mudanças que podem impactar no projeto do estádio e, consequentemente, no futuro da SAF.
No início do mês, a Revee anunciou a renúncia do diretor-presidente Luis Eduardo Casari Davantel, que também deixou os cargos de vice-presidente do Conselho de Administração e de relacionamento com os investidores da empresa.
Foto: Flickr / Portuguesa SAF
Imbróglio com a prefeitura
Além disso, não é só a questão da Revee que a SAF tem de enfrentar para dar andamento na reforma do Canindé. A gestão de Bourgeois, conforme previsto em contrato, precisa da concessão da área em que o estádio está localizado para começar as obras. Porém, a diretoria está parada em negociações com a Prefeitura de São Paulo, que possui parte do terreno.
Agora, a SAF precisa regularizar a situação para dar início às obras, que antes tinham previsão para começar em janeiro de 2026. Devido as negociações, não há uma nova data para o início da reforma e, por isso, a Portuguesa irá jogar o Paulistão em seu próprio estádio.
Para Alex Bourgeois, a saída de Davantel da Revee não coloca em risco o projeto das reformas no Canindé. Além disso, o presidente elogiou a postura da prefeitura nas negociações.
“A Revee entrou para ser uma operadora do estádio, não é uma construtora. No acordo de investimentos que assinamos com a associação, eles têm a obrigação de entregar para SAF o direito de superfície dos terrenos desembaraçados. Desde que entramos com a SAF, estamos negociando com a prefeitura todos os direitos que ainda não estavam legalizados, e isso inclui IPTU, imposto, concessão e a feirinha. Havia muitas irregularidades que estamos lutando para regularizar”, disse Alex Bourgeois.
“Isso demora algum tempo, não leva um mês. A prefeitura está sendo muito solícita com o problema do Canindé. Está correndo tudo conforme nós esperávamos, até mais rápido. Sobre a saída do Davantel, a Portuguesa se associou com a Revee, pois eles possuem uma experiência comprovada com gestão de arenas. Nós continuamos juntos com eles para esse contrato do Canindé. Porém, o mais importante é as nossas negociações com a prefeitura”, falou o mandatário.
“Estamos dentro do tempo previsto. As coisas andaram muito, até mais rápido do que imaginávamos”, completou.
Foto: Flickr / Portuguesa SAF
Carta aberta à torcida da Portuguesa
No fim da série de matérias sobre o balanço do primeiro ano da SAF da Portuguesa, Alex Bourgeois se dirigiu diretamente ao torcedor. O presidente reafirmou que a missão é difícil, mas que a gestão faz um trabalho sério em busca de recuperar o clube.
Bourgeois disse que quer consistência. Ele relembrou o título da Série B em 2011 (com apenas três derrotas em 38 jogos) e mirou um futuro sustentável para a Lusa.
“Quero deixar claro para o torcedor que: primeiro, em dezembro de 2024, a Portuguesa iria acabar. O que conseguimos fazer é deixá-la viva. É óbvio que todos querem resultado imediato, mas quando chegamos, precisamos enfrentar cerca de R$ 560 milhões de dívidas, em um clube que arrecadava R$ 10 milhões. Tivemos que enfrentar inúmeras questões tributárias, inúmeras coisas que tivemos de atacar e resolver em um curto espaço de tempo. Tivemos que resgatar a credibilidade na Portuguesa” começou Alex.
“Temos desafios gigantescos para deixar a Portuguesa viva e ter o melhor desempenho esportivo possível. Porém, para ter o melhor desempenho no campo, é necessário ter uma ótima estrutura. Caso contrário, ganha um título e depois nunca mais é campeão, afunda e quebra. Vale lembrar que a Portuguesa foi campeã da Série B em 2011 e 14 anos depois olha a situação. Precisamos construir uma base sólida para colher frutos no futuro. Precisamos ter um desenvolvimento sustentável”, disse.
“Para o torcedor: confie no nosso trabalho. É um trabalho sério, com gente séria. Estamos trabalhando para levar a Portuguesa ao lugar mais alto que ela merece”, finalizou Alex Bourgeois.
Foto: Flickr / Portuguesa SAF