Futebol/Bastidores

Especialista condena gestão do São Paulo e vê clube no caminho do Inter

Marcelo Baseggio - São Paulo , SP
28/06/2017 08:00:50 — 28/06/2017 12:22:31

Em: Bastidores, São Paulo

Modelo de gestão nas últimas décadas, o São Paulo vive realidade completamente oposta atualmente. Se antes era tido como o clube brasileiro mais vitorioso a nível internacional, agora luta para permanecer na Série A.  Nem mesmo a excelente estrutura de seu CT ainda leva vantagem sobre a dos rivais, que se atualizaram e foram em busca de modernização. Evidentemente a soberania do Tricolor não existe mais, porém, sua administração continua baseada em uma grande fonte de receita: a venda de jogadores.

Desde o início do ano o São Paulo vendeu nada mais, nada menos que três atletas considerados promissores para não fechar o ano no vermelho. Ainda em janeiro, o São Paulo não titubeou ao receber uma proposta milionária do Ajax por David Neres. Com apenas oito jogos pelo profissional, o garoto de 20 anos acabou rumando para a Holanda por R$ 50,7 milhões e deixando para trás a possibilidade de se tornar ídolo de um dos maiores clubes do país. Lyanco (R$ 20 milhões) e Luiz Araújo (R$ 29 milhões) foram outros garotos negociados pelo Tricolor.

Luiz Araújo (e) e David Neres (d) renderam bons frutos financeiros ao São Paulo, mas deixaram um rombo na parte esportiva (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

De exemplo, o São Paulo acabou se tornando um caso a não ser seguido. Faturando milhões com a negociação de atletas, o clube, no entanto, acabou sofrendo na parte esportiva, já que com a saída de seus principais jogadores abandonou o protagonismo no futebol brasileiro. As consequências dessa política chegaram mais cedo no Internacional, que à exemplo do Tricolor também costuma arrecadar bastante com a saída de seus principais nomes, entretanto, os danos sofridos pelo rival gaúcho parecem não ter alertado a alta cúpula do Morumbi liderada por Leco.

“Dois clubes tidos como referência de gestão no Brasil [São Paulo e Internacional] decaíram muito e mantêm esse mesmo modelo [de vender jogadores para o exterior]. Esse modelo claramente se exauriu. Isso transformou os clubes menores do que eles já foram”, disse o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi à Gazeta Esportiva.

“Os estádios não ficam lotados, os patrocinadores não pagam tanto e os clubes não conseguem obter ajuda, porque nunca se fortalecem, não têm ídolos”, completou.

Enquanto clubes que hoje são exemplos de gestão, como Palmeiras e Flamengo, têm a publicidade como segunda principal fonte de receita – apenas os direitos de TV estão acima-, o São Paulo conta, e muito, com a transferência de jogadores em seu orçamento. Caso não consiga negociar atletas pelo valor planejado, o clube fecha o ano no vermelho e acaba tendo graves consequências para o planejamento do ano seguinte. Daí em diante, dar fim à bola de neve se torna cada vez mais difícil.

“De 2011 para cá o São Paulo foi um dos clubes que mais aumentou suas dívidas. Vende, vende, dendê, e a dívida não cai. O clube caiu tanto em marketing que teve de pedir auxílio no banco. O Palmeiras e o Flamengo cresceram tanto em marketing enquanto o São Paulo está estagnado. O São Paulo já foi líder em patrocínio no Brasil e hoje está em um patamar intermediário. O São Paulo se apequenou nos últimos anos em termos de gestão”, assegura Amir Somoggi.

Para se ter uma ideia, segundo o estudo divulgado pelo especialista, em 2011 o Flamengo devia um montante de R$ 803 milhões, hoje o valor já diminuiu para R$ 460 milhões. Em contrapartida, o São Paulo, que seis anos atrás tinha um déficit de R$ 158 milhões, atualmente acumula uma dívida de nada mais, nada menos que R$ 385 milhões.

O efeito é dominó. Sem dúvida alguma o modo como o clube é gerido influencia no desempenho da equipe dentro de campo. Sem a permanência de atletas de qualidade, o treinador não consegue dar padrão à sua equipe, as derrotas se tornam rotina, o risco de rebaixamento passa a ser iminente, e o poço fica cada vez mais fundo.




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