Primeiro gol de Cristóvão pelo Corinthians completa 30 anos

Helder Júnior - São Paulo,SP

13/07/16 | 16:34 - 13/07/16 | 17:38

Em 13 de julho de 1986, o futuro técnico começava a conquistar a Fiel diante da Portuguesa

A Gazeta Esportiva se rendeu a Cristóvão Borges após a vitória sobre a Portuguesa (foto: reprodução)
A Gazeta Esportiva se rendeu a Cristóvão Borges após a vitória sobre a Portuguesa (foto: reprodução)

Trinta anos antes de comandar um treinamento em dois períodos no Corinthians, um físico e outro com bola, nesta quarta-feira, Cristóvão Borges começava a conquistar a torcida do clube do Parque São Jorge. Foi também em um 13 de julho, em 1986, que o então meio-campista marcou o seu primeiro gol como corintiano.

Cristóvão já começava a ser cobrado naquela época. Com 14 jogos disputados pelo Corinthians desde estrear em uma derrota por 1 a 0 para a Portuguesa, ele corria o risco de nem sequer ser escalado pelo técnico Rubens Minelli na partida contra o mesmo adversário, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista.

A aposta de Minelli em Cristóvão mostrou-se acertada. O jogador deu uma bela assistência para Casagrande abrir o placar contra a Portuguesa aos sete minutos do primeiro tempo. No segundo, já aos 43, recebeu a compensação – o centroavante cruzou da esquerda, e o meio-campista dominou a bola e encontrou uma brecha para chutar para o gol.

A grande atuação fez Cristóvão ganhar as manchetes dos jornais do dia seguinte. A Gazeta Esportiva, por exemplo, enalteceu: “O belo futebol de Cristóvão e Casagrande”. Pouco abaixo, apenas um dos dois atletas mereceu menção: “O baiano Cristóvão foi o destaque do Corinthians neste clássico contra a Portuguesa. Agora, a Fiel já conhece o seu potencial”.


Confira o que mais A Gazeta Esportiva escreveu sobre Cristóvão e aquela vitória por 2 a 0 do Corinthians em cima da Portuguesa:

“Pouco mais de 15 mil pessoas foram ao estádio Dr. Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu). Presenciaram um bom clássico e constataram que, aos poucos, vão surgindo bons jogadores. Não tão jovens, mas personagens que têm potencial para provocar alegrias. É o caso de Cristóvão, jogador do Corinthians. Baiano, 26 anos, passou por vários Estados brasileiros, até que do Paraná veio para o Parque São Jorge. Usando a pesada camisa nº 10 do Corinthians, o negro Cristóvão, ágil, hábil e inteligente, provou que a torcida está ganhando um (muito) bom reforço.

Até há pouco, as suas participações tinham sido discretas e em nenhum instante ele arrebentou... mas ontem foi diferente.

Cristóvão, logo no início da partida, deu um passe mágico para o atacante Casagrande. Gol do Corinthians. O baiano Cristóvão foi abraçado por todos e recebeu aplausos dos torcedores. E foi assim durante toda a partida. Dono de um fôlego extraordinário, marcou, armou, atacou, desarmou e jogou um futebol solidário. Sem nenhuma pitada de egoísmo ou excessiva vaidade pessoal. Minelli acertou em escalar esse jogador, que até então não tinha mostrado plenas condições para assumir uma posição de titular do Corinthians. Já é atração para a próxima partida, que será contra o Juventus”.

Cristóvão se empolgou com tantos elogios. Não teve timidez para dizer que havia feito jus dentro de campo. “Sei que joguei bem. Isso não é máscara. A gente tem que assumir os bons e os maus momentos. Quando joga pessimamente, não adianta querer arranjar desculpas ou dizer que foi bem. E, quando acerta, deve ter a consciência de não titubear quando alguém reconhece o seu valor. Quero continuar no time, colaborar com o Corinthians, conseguir um entrosamento maior com os companheiros e disputar o título. Sinto que isso é possível”, comentou, na época.

Cristóvão não era o único que passava a vislumbrar conquistas. Vice-presidente de futebol do Corinthians naquele ano, Alberto Dualib bateu nos ombros de um conselheiro do clube, ainda no vestiário do Pacaembu, e apontou para o meio-campista: “Você viu que fôlego tem esse moço? Incrível”.

Como técnico, Cristóvão ganhou uma nova chance de vincular a sua imagem à do Corinthians (foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)
Como técnico, Cristóvão ganhou uma nova chance de vincular a sua imagem à do Corinthians (foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

O fôlego não asseguraria muita longevidade a Cristóvão Borges no Corinthians. Após aquele primeiro gol de três décadas atrás, o baiano balançou as redes outras 12 vezes pela equipe, a mais comemorada delas na semifinal do Estadual. A vitória por 1 a 0 sobre o grande rival Palmeiras no jogo de ida, contudo, seria frustrada na volta por uma derrota por 3 a 0.

Cristóvão ainda permaneceu no Corinthians até o princípio de 1987, encerrando a sua passagem com 58 jogos disputados. A história no clube do Parque São Jorge, entretanto, teria sido só interrompida. Em 2016, agora como técnico, o grande destaque da partida contra a Portuguesa de 13 de julho de 1986 tenta conquistar o seu primeiro título como corintiano.

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