Presidente do Corinthians isola o seu vice em investigação sobre Itaquera

Helder Júnior e Theo Chacon - São Paulo,SP

31-03-2016 15:27:59

O presidente Roberto de Andrade desvinculou o Corinthians das investigações da Polícia Federal sobre o suposto pagamento de propinas para a construção do estádio de Itaquera. Na semana passada, o vice André Luiz Oliveira, o André Negão, foi levado coercitivamente para depor em virtude de citação na 26ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Xepa. Ele se livrou da prisão em flagrante – foram encontradas duas pistolas com licenças vencidas em sua casa, no bairro do Tatuapé – graças ao pagamento de uma fiança de R$ 5 mil.

“Vamos primeiro esclarecer que não existe investigação ao Corinthians. O que surgiu foi o nome de um conselheiro e hoje vice-presidente nosso. A questão está em nome dele. Do Corinthians, não tem nada”, isolou Roberto de Andrade, sem fazer as vezes de advogado de André Negão. “Não tenho nada a falar da vida pessoal de cada um. O que tenho que defender é a instituição Corinthians. E, em tudo o que a Justiça precisar do Corinthians, estarei à disposição para atendê-los e servi-los.”

O vice de Roberto de Andrade retomou a sua rotina nos últimos dias, exibindo vídeos e fotografias dos seus exercícios matinais na academia do Parque São Jorge e de participações em eventos como representante do deputado federal Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians. André é suspeito de ter recebido R$ 500 mil em propinas durante as obras em Itaquera.

Ainda que evite associar o Corinthians à investigação, Roberto de Andrade fez uma ponderação ao falar especificamente sobre o seu vice. “Temos que esperar as coisas acontecerem. Não podemos pré-julgar ninguém. Não tenho poder de polícia, de Justiça, de nada. Vamos aguardar as coisas serem concluídas para falar alguma coisa. Não podemos sair julgando alguém sem saber o que aconteceu”, disse.

Também está descartada a possibilidade de André Negão perder o seu cargo no Corinthians. A não ser que seja da vontade do investigado, que não demonstra qualquer intenção de ficar distante do clube. “Não existe afastamento porque ele é um vice-presidente eleito. Para existir, tem que ser por conta e risco dele. Ele não pode ser afastado”, avisou Roberto.

Proteger o Corinthians nas investigações da Polícia Federal, isolando André Negão, ajuda o mandatário a manter as esperanças de encontrar uma empresa interessada em comprar os direitos de nome da arena. Segundo ele, no entanto, a menção a Itaquera na Lava Jato não implica em “nenhum impacto” nas negociações.

Ao mesmo tempo em que busca um parceiro, o Corinthians também pressiona a Odebrecht por apontar que houve diferenças consideráveis entre o projeto do estádio e aquilo que foi entregue pela empreiteira. O objetivo do clube é abater a sua dívida dessa maneira.

No final de fevereiro, um pedaço de cerca de 500kg do teto da entrada principal de Itaquera desabou. Roberto de Andrade não hesitou em criticar a Odebrecht ao recordar o problema: “A perícia ainda está em andamento, mas deve ter sido alguma coisa malfeita, né? Se não fosse assim, não cairia. O importante é que está consertado. O porquê de cair não importa. Caiu. Não vai mais acontecer porque estamos realizando a perícia”.

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