Gobbi admite repasses a Fernando Garcia e não reconhece calotes revelados por Andrés

Tiago Salazar - São Paulo,SP

18-07-2020 05:00:11

Malcom, Guilherme Arana e Matheus Pereira foram revelados pelo Corinthians e vendidos a equipes europeias. O clube do Parque São Jorge, no entanto, viu a maior parte dos valores envolvidos nas transferências caírem em cofres de terceiros.

Mário Gobbi, presidente do clube de fevereiro de 2012 a fevereiro de 2014, foi o responsável pelos repasses referentes a porcentagens de direitos econômicos dos três atletas oriundos da base alvinegra a um empresário.

“Esta prática só existe por falta de fluxo de caixa. A causa dos problemas é gestão, ou seja, é um equilíbrio financeiro, um clube administrado. O efeito é o campo. Malcom e Arana, me lembro muito bem, perfeitamente bem, estávamos sem um centavo, tentamos vender no exterior, não conseguimos e quem comprou o percentual dos dois foi a empresa que se interessou em comprar, por isso foi vendido. Fluxo de caixa, quem chegou, proposta razoável, comprou o percentual deles. Motivo: fluxo de caixa. Matheus, da mesma forma, precisávamos, porque precisávamos, porque precisávamos pagar um investidor. Devíamos muito a esta pessoa. E pagamos com 95% dele e ficamos com 5%”, disse o ex-mandatário durante live do Meu Timão, na última quinta-feira.

O investidor citado por Mário Gobbi é Fernando Garcia, conselheiro vitalício do Corinthians e dono da Elenko Sports, empresa que detém forte influência no clube com participação em diversas negociações. Fernando também é irmão de Paulo Garcia, atual candidato e, assim, concorrente de Gobbi na corrida eleitoral deste ano.

“Temos de parar de fazer isso? Temos de parar. Você é contra fazer isso? Sou contra fazer isso. Por que você fez isso? Porque precisou fazer. Eu detesto fazer isso, fiz ali na bacia das almas, sabia que iam falar, que ia ter que responder, que ia ser manchar a gestão, sabia de tudo, mas eu precisava”, justificou o agora opositor a atual gestão corintiana ao completar a própria declaração.


Calote gerou repasse

Os repasses, utilizados como estratégia de emergência à época, foram feitos por Mário Gobbi para sanar um calote da própria administração.

Em 2012, Fernando Garcia tinha direito a 15% de Ralf. Para não perder o volante para a Fiorentina-ITA, o Corinthians cobriu uma oferta de 4,5 milhões de euros (R$ 15 milhões na ocasião).

A cúpula alvinegra comandada pelo delegado de polícia, no entanto, não avisou a Fernando Garcia sobre o acordo e, consequentemente, não depositou a parte do empresário.

É aí que o nome de Malcom entra na história. Em 2014, quando Garcia já ameaçava ir à Justiça, o Corinthians aceitou repassar 40% dos direitos do atacante como maneira de resolver o calote dado na negociação por Ralf.

“Enquanto isso, o Corinthians comprava Alexandre Pato, por R$ 40 milhões, Renato Augusto, Ibson, Maldonado, Diego Macedo, Rodriguinho e tantos outros”, disse Fernando Garcia, à espn.com, em 2014, ao se mostrar indignado com o calote sofrido na negociação de Ralf.

Nesse meio tempo, o Corinthians também se viu com apenas 5% de Matheus Pereira e 40% de Guilherme Arana depois de concordar em repassar fatias dos direitos dos dois atletas ao empresário responsável pela Elenko Sports.

Gobbi, por exemplo, contou com Garcia para contratar o lateral esquerdo Uendel e o zagueiro Cléber, ambos junto a Ponte Preta. Estas duas aquisições se somaram à dívida que o Timão tinha com o empresário. Por isso, ao não enxergar outra maneira para pagar Garcia, o Corinthians optou por ceder direitos de Pereira e Arana.

“O Corinthians tentou vender no mercado externo e interno e não achou compradores interessados além do agente dos jogadores”, se defendeu Mário Gobbi, em nota enviada à Gazeta Esportiva.

Gobbi responde a Andrés

Durante a entrevista coletiva concedida no CT Joaquim Grava, nessa sexta-feira, Andrés Sanchez acusou Mário Gobbi de ter adiantado R$ 120 milhões da receita oriunda da cota de TV entre 2013 e 2014 e afirmou que seu ex-aliado deixou de pagar dois importantes técnicos da equipe.

“Eu estou pagando o Tite, o prêmio do Mundial de 2012. O Roberto (de Andrade) pagou uma parte e eu estou pagando o resto. O Mano (Menezes) ficou sem receber, e o Roberto foi pagar em 2015”, declarou o atual presidente.

A Gazeta Esportiva entrou em contato com Mário Gobbi por meio da assessoria do candidato, que respondeu: “Vamos checar, mas não é fato conhecido”.

 

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