Cássio se defende de críticas: "Tem gente que não fez metade do que eu fiz"

Tiago Salazar - São Paulo,SP

16-02-2021 14:59:07

Cássio tem mais de 500 jogos pelo Corinthians, conquistou nove título pelo clube, foi protagonista em momentos decisivos e históricos e, atualmente, é o capitão de um time que não faz uma temporada tão boa. Por tudo isso, a situação do goleiro é especial. A repercussão dos questionamentos sobre Cássio repercutem mais do que acontece com os demais. O próprio jogador falou, de maneira franca, sobre tudo isso, em entrevista coletiva, nesta terça-feira. E, apesar do tom manso e tranquilo, Cássio não deixou de se defender.

"Tem gente que critica, aí você vai olhar, não fez nem a metade que eu fiz. Vai ver uma pessoa aqui, a pessoa não fez tanto e quer se achar no direito de criticar. Respeito todo mundo, trabalho, me dedico, estou fazendo uma temporada, assim como o Corinthians, que pode ter sido irregular, gols que eu não tomava, mas não vejo nada de anormal".

Cássio lembrou também das trocas de treinadores, da pandemia e da eleição presidencial para contextualizar uma temporada "diferente" do Corinthians.

"Não podemos só nos apegar a coisas negativas. Corinthians foi um dos clubes mais vitoriosos no futebol brasileiro, sempre entre os primeiros na última década. Conseguimos fazer o Corinthians ser protagonista. Espero que a gente possa, com esse ano, levar ao Corinthians a novos títulos".

Antes de pensar em títulos, o objetivo é classificar o time à Copa Libertadores da América, e isso passa pelo confronto dessa quarta-feira, contra o Santos, na Vila Belmiro.

"Temos uma rodada a menos, é um jogo que a gente sabe que uma vitória nos coloca na oitava posição. Temos de pensar só nessa partida, jogo difícil, clássico, jogo diferente, mas temos total condição de ir lá e buscar o resultado, não tem para onde correr nesse momento. Jogo importante, até porque o Santos está em busca dessa oitava posição, temos de encarar, sim, dessa maneira e buscar a vitória".


Leia tudo que rolou na entrevista coletiva de Cássio:

Atuação do VAR no Brasil
"Está sendo bem difícil, ainda mais assistindo outras ligas, você vê que o VAR responde e resolve rapidamente. Tem demorado muito, atrasado muito o jogo. Engraçado que esse último jogo, o bandeirinha, conversando após o jogo, ele confirmava que estava impedido o lance. Depois, vendo fotos, é difícil. Para o bem do futebol, temos de evoluir, temos de melhorar. Temos de ter mais precisão e rapidez até para não perder tempo. O acréscimo nunca vai corresponder".

Decisão contra o Santos
"Decisão, como todos os outros jogos, mas o que passou não vai voltar. Temos uma rodada a menos, é um jogo que a gente sabe que uma vitória nos coloca na oitava posição. Temos de pensar só nessa partida, jogo difícil, clássico, jogo diferente, mas temos total condição de ir lá e buscar o resultado, não tem para onde correr nesse momento. Jogo importante, até porque o Santos está em busca dessa oitava posição, temos de encarar, sim, dessa maneira e buscar a vitória".

Críticas
"Não cabe dizer se é justo ou injusto. Internet virou tribunal, todo mundo se acha juiz lá. Eu sempre fui tranquilo quanto a isso, cada um tem a sua opinião. Nunca fui intocável no Corinthians, mais de 500 jogos pelo Corinthians, um dos mais vitoriosos, você não chega a esses números só com elogios. Todo mundo tem direito de criticar, pela pandemia, por tudo, a internet ficou muito disse que me disse. Todo mundo usa, tem verdades, mentiras... Não me apego a isso. Imagina se você fosse dar bola para tudo que falam de você ou se fosse pela opinião de todo mundo. Você não chegaria a lugar nenhum. Quero evoluir, peguei uma época que o Corinthians nunca tomava gol, mas esse ano foi de oscilação. Não estou falando do Cássio, estou falando da nossa temporada. Tivemos mudanças de treinadores, de presidente, não foi um ano normal. Nem quando a gente está ganhando a gente recebe só elogio. Faz parte, é uma cultura. Não ligo, não. Sei do meu trabalho e o quanto me dedico para cada dia tentar ser melhor".

Temporada pessoal
"Primeiro semestre, chegamos à final, não ganhamos. Oscilamos, principalmente em casa. Mas o que aconteceu no passado não volta. O que podemos tirar de coisas positivas para não acontecer, novamente. O pior seria quando a gente quase flertou lá embaixo. Em 2018, a gente estava brigando para não cair. E, com todo respeito, um time como o Corinthians ficar brigando para não cair, aí sim, é catastrófico. Mancini pegou o time, tivemos uma evolução. A gente poderia estar numa posição melhor, mas não conseguimos. Temos mais três partidas para terminar essa temporada, focar nelas, tentar buscar três vitórias e tentar numa próxima temporada buscar algo melhor. Não podemos só nos apegar a coisas negativas. Corinthians foi um dos clubes mais vitoriosos no futebol brasileiro, sempre entre os primeiros na última década. Conseguimos fazer o Corinthians ser protagonista. Espero que a gente possa, com esse ano, levar ao Corinthians a novos títulos. Precisamos focar no jogo contra o Santos".

Voltar ao auge
"Físico eu sempre estive. Em 2016 eu tive problema, nunca escondi. Mas, agora não tenho problema físico. Eu tomei gols que eu poderia (...) vocês dão a ilusão que dava para ser diferente. Meses atrás eu estava brigando para ser o melhor goleiro do Paulistão. Acho normal essa pergunta pelo fato dos maiores títulos eu ter aparecido, mas às vezes você toma o gol e não é por falta de trabalho, por parte física. Toma, porque acontece. Tenho me cobrado muito em não me acomodar. Já estou na décima temporada pelo Corinthians, me cobro muito para ser melhor. Por ser um dos mais velhos, a pressão é maior, o fato de ser capitão, tudo tem ônus e bônus. Eu sofro tanto quanto torcedor, sou o cara que mais me cobra quando a gente toma gol, quando a gente perde. Não pode achar que é o fim do mundo. Nem quando a gente era campeão eu achava que era o melhor do mundo".

Meta de pontos
"A meta é ganhar o jogo. Temos nove pontos em disputa e, se conseguirmos, será maravilhoso. Temos de ir passo a passo. É um jogo muito importante contra o Santos, não tem mais margem para erro. Temos 90 minutos para fazer resultado e depois pensar nas outras partidas".

Vasco 2007
"Tem uma histórica. Quando acontece essas situações, a gente não pode... Uma vez, na penúltima rodada, nos livramos, mas a culpa não é do adversário. O grande culpado naquele momento foi o Corinthians. Foi o Corinthians que não fez um grande campeonato. Temos de pensar no jogo do Santos e depois no Vasco. Não me apego muito nesse fato".

Recomeço sem descanso
"A gente vai ter de se adequar. É uma coisa nova, mas é para todos os times. É puxado, temos de nos preparar bem, continuar trabalhando no mesmo nível. Tentar fazer o melhor possível. Buscar a classificação e logo em seguida começar bem o campeonato. A gente não sabe 100% o que vai acontecer. Vai ser corrido, mas vai ser para todos"

Autoanálise e intolerância externa
"Não sei o que está acontecendo nesse sentido de estarem falando... O que eu vou falar? Acho que teve momentos que fui importante, como em outras épocas, há momentos que as pessoas critiquem por gols que tomei. Não sei nem o que falar, tento trabalhar, me dedicar, fazer meu máximo, quem me conhece sabe como eu trabalho. Crítica, todo mundo tem direito. Tem gente que critica, aí você vai olhar, não fez nem a metade que eu fiz. Vai ver uma pessoa aqui, a pessoa não fez tanto e quer se achar no direito de criticar. Respeito todo mundo, trabalho, me dedico, estou fazendo uma temporada, assim como o Corinthians, pode ter sido irregular, gols que eu não tomava, mas não vejo nada de anormal. Quando há uma pressão grande por resultado, às vezes o rival está num melhor momento, há uma pressão, mas assim como quando estamos ganhando, não podemos esquecer os outros anos. Se tivéssemos há tempos sem ganhar títulos, até poderia entender a cobrança. As pessoas tem o direito de achar o que quiser, eu também tenho, sei quem eu sou. Tenho de ter humildade, com várias criticas eu consegui evoluir, mas nem todas eu tenho que achar que a pessoa está correta. Tenho de respeitar todo mundo. Não quero faltar com o respeito com a torcida, mas não fico acompanhando, se acha que eu sou melhor ou pior goleiro. Não me apego, tento trabalhar, me dedicar. Quanto a isso, a torcida não pode duvidar de mim. Tenho nove anos de casa, sempre me dediquei muito".

Partida marcante na Vila
"É difícil jogar na Vila, campo propício ao jogo do Santos, mas agora não temos escolha, precisamos ir lá e buscar. Um jogo marcante foi a primeira partida da semifinal da Libertadores, foi uma bela partida, importante para chegarmos à final e conseguir o titulo inédito. Precisamos fazer um grande jogo, temos de entrar concentrados".

Brasileirão e líderes
"Foi um campeonato diferente, de jogos neutros em muitas situações. Ainda aberto, ninguém conseguiu se manter lá por muito tempo, muito equilibrado, times que eram muito fortes em casa, Corinthians sofreu muito sem sua torcida, poderia estar numa situação melhor, eles têm um jogo agora que podem definir tudo, mas eu vou ficar em cima do muro, porque na última rodada podemos influenciar ou não, mas são duas equipes que foram mais regulares".

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